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Dólar cai ao menor valor em quase dois anos após acordo entre EUA e Irã

Dólar cai ao menor valor em quase dois anos após acordo entre EUA e Irã

Reuters

08/04/2026

Placeholder - loading - Pessoa conta notas de dólar em uma casa de câmbio em Jacarta, Indonésia, em 9 de abril de 2025. REUTERS/Willy Kurniawan
Pessoa conta notas de dólar em uma casa de câmbio em Jacarta, Indonésia, em 9 de abril de 2025. REUTERS/Willy Kurniawan

Atualizada em  08/04/2026

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 8 Abr (Reuters) - O dólar ​fechou a quarta-feira em baixa ante o real, no menor patamar em quase dois anos, depois de os Estados Unidos acertarem na véspera um cessar-fogo de duas semanas com o Irã, que aceitou reabrir o Estreito de Ormuz.

Após oscilar abaixo dos R$5,10 durante boa parte da sessão, o dólar à vista encerrou o dia com queda de 1,00%, aos R$5,1035, o menor valor de fechamento desde 17 de maio de 2024, quando atingiu R$5,1031.

No ano, a divisa passou a acumular recuo de 7,02%.

Às 17h17, o dólar futuro para maio -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 0,98% na B3, aos R$5,1275.

Na noite de terça-feira, menos de duas horas antes do fim do prazo ⁠final para um ⁠acordo, o presidente dos EUA, Donald Trump, aceitou ​um cessar-fogo ‌de duas semanas com o Irã, sujeito à suspensão do bloqueio de transporte de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse em um comunicado que Teerã vai interromper os contra-ataques e fornecer uma passagem segura por Ormuz. Uma autoridade sênior iraniana disse ⁠à Reuters que a passagem pode ser aberta na quinta ou na sexta-feira, antes ​das negociações de paz, se os países concordarem com uma estrutura para o cessar-fogo.

A expectativa de que o ​transporte de petróleo e gás possa ser normalizado fez o ‌petróleo tipo Brent despencar, enquanto ​os ativos ⁠de maior risco dispararam ao redor do mundo.

Nos mercados de moedas, isso se traduziu na queda do dólar ante as demais divisas, entre elas as de países emergentes como o real, o peso chileno, o rand sul-africano e o ​peso mexicano.

O dólar à vista atingiu a cotação mínima de R$5,0659 (-1,73%) às 10h25, em meio à euforia dos investidores com o cessar-fogo.

Durante a tarde, a divisa norte-americana recuperou parte da força, mas ainda assim encerrou com baixa firme.

Em evento do Bradesco BBI pela manhã, em São Paulo, o diretor de Política Monetária do Banco Central, ​Nilton David, abordou o fato de o dólar ter avançado ante o real logo após o início da guerra que opõe EUA e Israel ao Irã.

Em sua visão, o movimento de desvalorização do real 'não foi tão diferente dos pares', sendo que o Brasil já enfrentou momentos de ruídos maiores no câmbio, como o visto na virada de 2024 para 2025.

De acordo com David, o real tende a acompanhar os ciclos de altas e baixas das demais moedas no mundo, mas a divisa brasileira tem um 'beta' elevado -- o que significa dizer que em muitos momentos ​sua variação é maior.

No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial ‌tradicional para rolagem do vencimento de 4 de ⁠maio. À tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$6,335 bilhões em março, o primeiro mês da guerra no Oriente Médio.

No exterior, no fim da tarde o dólar seguia em ⁠queda ante boa parte das demais divisas, mas já exibia alguns ganhos ⁠ante outras moedas fortes. Às 17h20, o índice do ⁠dólar -- que mede o ⁠desempenho ​da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,11%, a 99,028.

(Edição de Isabel Versiani e Pedro Fonseca)

Reuters

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