Dólar zera perdas ante real após anúncio de Alfredo Gaspar como vice de Flávio Bolsonaro
Dólar zera perdas ante real após anúncio de Alfredo Gaspar como vice de Flávio Bolsonaro
Reuters
05/08/2026
Atualizada em 05/08/2026
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 5 Ago (Reuters) - O mercado brasileiro reagiu negativamente nesta terça-feira à indicação do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o que fez o dólar praticamente zerar a queda ante o real logo depois do anúncio.
Após marcar a cotação mínima de R$5,0975 (-0,64%) às 11h07, antes do anúncio, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,1291 (-0,03%) às 11h30, minutos depois da indicação.
Operador ouvido pela Reuters afirmou que Gaspar -- um nome que não vinha sendo ventilado como vice e que surpreendeu, já que a campanha buscava fortalecer Flávio entre o voto feminino -- não foi bem recebido.
Às 11h54, passado o primeiro impacto, o dólar à vista caía 0,13%, a R$5,1238 na venda. Na B3, o contrato de dólar futuro para setembro -- o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 0,05%, aos R$5,1550.
Mais cedo, o viés negativo para o dólar era claro, após a pesquisa Genial/Quaest mostrar uma diferença menor entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Planalto.
Na projeção de segundo turno, Lula tem 44% das intenções de voto, contra 39% de Flávio. Foram ouvidas 2.004 pessoas entre os dias 31 de julho e 3 de agosto, e a margem de erro é de 2 pontos percentuais. No levantamento anterior, Lula tinha 45% e Flávio somava 37%.
No mercado, parte dos agentes ainda avalia que a reeleição de Lula seria um fator negativo para o equilíbrio fiscal. Assim, a piora do petista na pesquisa é vista por alguns agentes como um fator baixista para o dólar ante o real. Por outro lado, uma notícia não tão favorável a Flávio, como a escolha de Gaspar para vice, seria um fator altista.
Além de observarem o cenário político, os investidores aguardam pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a ser divulgada após o fechamento do mercado. O consenso é de que o BC reduzirá a taxa Selic em 25 pontos-base, mas há dúvidas sobre a continuidade dos cortes em setembro.
Atualmente a Selic está em 14,25% ao ano, bem acima das taxas praticadas em países como EUA e Japão, e esse diferencial de juros vinha sendo apontado nos últimos meses como um fator favorável à atração de dólares para o Brasil. Hoje o cenário é um pouco diferente diante da perspectiva de alta de juros nos EUA e de novas baixas no Brasil.
No exterior, a expectativa de que possa haver um novo acordo entre EUA e Irã para paralisar o conflito no Oriente Médio alimentava a busca por moedas de países emergentes, como o peso colombiano e o peso mexicano. O índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- também cedia, para 99,654 (-0,20%).
(Edição de Camila Moreira)
Reuters

