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    Dólar sobe ante real monitorando exterior e noticiário político

    Por Claudia Violante

    SÃO PAULO (Reuters) - O dólar operava em alta ante o real nesta segunda-feira, monitorando o mercado externo, em meio às preocupações com a saída do Reino Unido da União Europeia e com o orçamento italiano, além do cenário político local.

    A expectativa por novos nomes da equipe do governo Jair Bolsonaro mantém alguma cautela no mercado, com as atenções voltadas para as informações de que o ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy ocupará a presidência do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

    Às 12:06, o dólar avançava 0,23 por cento, a 3,7448 reais na venda, depois de bater a máxima de 3,7613 reais. O dólar futuro subia 0,45 por cento.

    O feriado do Dia do Veterano nos Estados Unidos, no entanto, pode encolher a liquidez local, já que muitos investidores devem ficar do mercado mesmo com as bolsas norte-americanas funcionando nesta sessão.

    'A semana é mais curta, mas está carregada de eventos relevantes', disse o operador da Advanced Corretora Alessandro Faganello, citando indicadores norte-americanos nos próximos dias que podem dar pistas sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos, bem como o fim do prazo para a Itália redefinir seu orçamento dentro das regras da União Europeia.

    O prazo para a Itália refazer seu orçamento com uma projeção de déficit menor termina na terça-feira. O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, visitará seus principais ministros nesta segunda-feira para discutir o plano, de acordo com fontes.

    Uma outra fonte do governo disse à Reuters no domingo que o ministro da Economia está buscando revisar a previsão para o crescimento no orçamento para o próximo ano para tentar chegar a um acordo com a Comissão sobre a política fiscal.

    Além disso, crescem as dúvidas sobre se a primeira-ministra britânica, Theresa May, poderá elaborar um acordo do Brexit que conquistará o apoio da União Europeia e seu próprio partido, já que ela vem enfrentando resistências em seu próprio gabinete e foi forçada a abandonar planos de uma reunião emergencial nesta segunda-feira, de acordo com o jornal Independent.

    Desta forma, o euro tinha queda ante o dólar, enquanto a moeda norte-americana subia ante a cesta de moedas, já tendo atingido a máxima em 16 meses nesta sessão.

    Internamente, causou boa impressão no mercado a provável entrada de Levy na presidência do BNDES, bem como as especulações sobre uma possível continuidade de Mansueto Almeida no Tesouro e a ida de Ana Paula Vescovi, secretária executiva do Ministério da Fazenda, para a presidência da Caixa.

    O Banco Central vendeu nesta sessão 13,6 mil contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou 4,76 bilhões de dólares do total de 12,217 bilhões de dólares que vence em dezembro.

    Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

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    Dólar opera em queda ante real com eleição de Bolsonaro

    Por Claudia Violante

    SÃO PAULO (Reuters) - O dólar operava em queda ante o real nesta segunda-feira após as urnas confirmarem as pesquisas eleitorais e darem a vitória a Jair Bolsonaro (PSL) para a Presidência da República, com os investidores na expectativa da implementação da responsabilidade fiscal com a qual ele se comprometeu.

    Às 12:10, o dólar recuava 0,32 por cento, a 3,6430 reais na venda, depois de marcar a mínima de 3,5822 reais logo após a abertura. Na máxima, o dólar foi a 3,6481 reais. O dólar futuro tinha baixa de cerca de 0,10 por cento.

    Na sexta-feira, a moeda já havia recuado ao seu menor valor em cinco meses, diante da expectativa de vitória do capitão da reserva do Exército no domingo.

    'Boa parte da vitória já estava precificada', lembrou o sócio da assessoria de investimentos Criteria Investimentos, Vitor Miziara, ao justificar por que o recuo do dólar perdeu força e a moeda passou a se afastar das mínimas da sessão.

    A crença de que Bolsonaro seria eleito na véspera fez com que o dólar ficasse mais barato em 20 centavos de real entre o primeiro e segundo turno, mas a continuidade desta queda passa a depender do que o novo governo vai implementar de fato.

    'Os próximos drivers para o dólar local serão a divulgação da equipe econômica e esclarecimentos em relação ao plano de governo', afirmou Miziara, referindo-se a questões como controle de gastos e reforma da Previdência.

    Em seu primeiro discurso após ser declarado vitorioso, Bolsonaro prometeu respeitar a Constituição, fazer um governo democrático e unificar o país, além de defender compromisso com a responsabilidade fiscal.

    O economista Paulo Guedes, que comandará o Ministério da Fazenda no novo governo e foi o principal motivo para Bolsonaro angariar o apoio do mercado financeiro, declarou que buscará zerar o déficit fiscal em um ano, além de colocar a reforma da Previdência como prioridade.

    No exterior, o dólar opera em queda ante a maioria das divisas de países emergentes, como o rand sul-africano e a lira turca.

    Ante a cesta de moedas, no entanto, o dólar sobe, em dia de fraqueza do euro após a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, ter declarado que não buscará uma reeleição como presidente do partido, marcando o fim de uma era de 13 anos em que ela dominou a política europeia.

    No geral, entretanto, seguem as preocupações com a guerra comercial e seus efeitos sobre o crescimento, sobretudo da China, e sobre Brexit, orçamento italiano e alta de juros nos Estados Unidos.

    'A longa lista de problemas lá fora volta a ganhar destaque e pode inibir a queda (do dólar ante o real) daqui em diante', disse o diretor da corretora Mirae, Pablo Spyer.

    O Banco Central vendeu nesta sessão 7,7 mil contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou 7,70 bilhões de dólares do total de 8,027 bilhões de dólares que vence em novembro.

    Se mantiver essa oferta amanhã e vendê-la integralmente, terá feito a rolagem total dos contratos.

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    Bolsonaro é eleito presidente e promete respeitar a Constituição e unificar o país

    Por Eduardo Simões, Ricardo Brito e Rodrigo Viga Gaier

    SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 28 Out (Reuters) - O capitão da reserva do Exército Jair Bolsonaro, de 63 anos, foi eleito neste domingo presidente da República e em seu primeiro pronunciamento após derrotar o petista Fernando Haddad prometeu respeitar a Constituição, fazer um governo democrático e unificar o Brasil, baixando o tom que adotou em uma das campanhas mais polarizadas da história do país.

    'Faço de vocês minhas testemunhas de que este governo será um defensor da Constituição, da democracia e da liberdade. Isso é uma promessa a Deus', disse Bolsonaro em sua casa na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

    'Liberdade é um princípio fundamental. Liberdade de ir e vir, andar nas ruas em todo o país, liberdade de empreender, liberdade política e religiosa, liberdade de formar e ter opinião, liberdade de fazer escolhas e ser respeitado por elas', acrescentou.

    O candidato do PSL também prometeu um governo comprometido com a responsabilidade fiscal e disse que o relacionamento do Brasil com outras nações perderá o que chamou de viés ideológico e passará a ser feito com países que possam agregar comercialmente e tecnologicamente ao Brasil.

    'Emprego, renda e equilíbrio fiscal é o nosso compromisso para ficarmos mais próximos de oportunidades e trabalho para todos. Quebraremos o ciclo vicioso do crescimento da dívida, substituindo pelo ciclo virtuoso de menores déficits, dívida decrescente e juros mais baixos. Isso estimulará os investimentos, o crescimento e a consequente geração de emprego', afirmou.

    'Libertaremos o Brasil e o Itamaraty das relações internacionais com viés ideológico a que foram submetidos nos últimos anos. O Brasil deixará de estar apartado das nações mais desenvolvidas, buscaremos relações bilaterais com países que possam agregar valor econômico e tecnológico aos produtos brasileiros. Recuperaremos o respeito internacional pelo nosso amado Brasil', acrescentou.

    Com 99,99 por cento das seções eleitorais apuradas, Bolsonaro tinha 55,1 por cento dos votos válidos, enquanto Haddad tinha 44,9 por cento, de acordo com dados da apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

    Bolsonaro assume um país em uma profunda crise fiscal --2019 será o sexto ano seguido de déficit primário-- e com cerca de 13 milhões de desempregados, além da necessidade de realizar reformas apontada por analistas como cruciais para retomar o crescimento econômico.

    Ao ser confirmada a vitória de Bolsonaro, o economista Paulo Guedes, já anunciado pelo candidato do PSL como seu ministro da Fazenda de seu futuro governo, afirmou que buscará zerar o déficit fiscal em um ano e colocou a reforma da Previdência como prioridade.

    A eleição de Bolsonaro coloca fim a uma das campanhas eleitorais mais polarizadas da história, com troca de ofensas pessoais entre os dois adversários no segundo turno, e que colocou em dúvida a capacidade de Bolsonaro, conhecido por suas declarações polêmicas e retórica dura, de unir forças em torno de si para governar.

    'Naturalmente a tarefa do Bolsonaro vai ser reconstruir as bases políticas para um bom funcionamento do processo decisório, o discurso é uma parcela importante, simbólica desse movimento, mas ainda insuficiente para determinar a natureza do seu governo', disse o analista político da Tendências Consultoria Integrada Rafael Cortez.

    'Vai ter tanto a dimensão do relacionamento com o Congresso, mas me parece que o dilema inicial é a relação com a sociedade, reconstruir a legitimidade da Presidência da República a partir de uma campanha bastante polarizada, não apenas para o seu eleitorado, mas para toda a sociedade.'

    FESTA DA VITÓRIA, TRISTEZA DA DERROTA

    Ao ser anunciado o resultado da apuração, que mostrou a vitória de Bolsonaro, milhares de apoiadores do capitão da reserva que estavam em frente ao condomínio onde mora o candidato do PSL na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, festejaram.

    Em São Paulo, fogos de artifício foram ouvidos, e simpatizantes do capitão da reserva se reuniram para comemorar na avenida Paulista. A tropa de choque da Polícia Militar paulista teve de atuar na avenida para dispersar manifestantes favoráveis ao PT que estavam no local.

    Mais cedo, Bolsonaro votou sob forte esquema de segurança nesta manhã em uma escola de uma vila militar do Rio de Janeiro e afirmou que estava confiante de uma vitória.

    A eleição de Bolsonaro encerra uma campanha acirrada e de elevado patamar de polarização, apontada por analistas como um plebiscito entre o antipetismo, encarnado por Bolsonaro, e o petismo, que teve Haddad escalado para representá-lo por decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    No hotel onde Haddad e apoiadores acompanharam a apuração, as cerca de 200 pessoas não mostravam muito entusiasmo. O petista assistiu à apuração reunido apenas com a esposa, Ana Estela, os dois filhos, mãe e irmãs. Do lado de fora, em outra sala, com coordenadores de campanha, dirigentes e parlamentares do partido em uma suíte.

    Após a apuração do TSE sacramentar a derrota, Haddad fez um discurso de defesa da democracia e de defesa dos direitos daqueles que votaram nele no segundo turno, e prometeu uma oposição voltada aos interesses de todos os brasileiros.

    Ao contrário de quando perdeu a eleição para a prefeitura de São Paulo, em 2016, para João Doria, Haddad decidiu, segundo uma fonte, não telefonar para o adversário para parabenizá-lo pela vitória.

    'Temos a responsabilidade de fazer uma oposição e colocar os interesses dos brasileiros acima de tudo. Temos que ter compromisso de manter a democracia e não aceitar provocações e ameaças', disse Haddad.

    'Parafraseando o hino nacional, a nação verá que um professor não foge à luta, nem teme quem adora a liberdade a própria morte. Nosso compromisso é um compromisso de vida com esse país.'

    Com quase três décadas no Parlamento, Bolsonaro enfrenta agora seu maior desafio político e ainda terá de buscar saídas para fazer a economia do país voltar a crescer.

    (Reportagem adicional de Lisandra Paraguassu, em São Paulo)

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    Bolsonaro vence Haddad e é eleito presidente da República

    Por Eduardo Simões

    SÃO PAULO (Reuters) - O capitão da reserva do Exército Jair Bolsonaro, de 63 anos, foi eleito neste domingo presidente da República e assumirá o cargo em 1º de janeiro de 2019, mostraram dados da apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

    Com 94,44 por cento das seções eleitorais apuradas, Bolsonaro tem 55,54 por cento dos votos válidos e o petista Fernando Haddad tem 44,46 por cento.

    O resultado gerou festa de milhares de apoiadores de Bolsonaro que estavam em frente ao condomínio onde mora o candidato do PSL na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Em São Paulo, fogos de artifício foram ouvidos, e simpatizantes do capitão da reserva se reuniram para comemorar na avenida Paulista.

    Mais cedo, Bolsonaro votou sob forte esquema de segurança nesta manhã em uma escola de uma vila militar do Rio de Janeiro e afirmou que estava confiante de uma vitória.

    Diante de uma campanha tão acirrada e de elevado patamar de polarização, apontada por analistas como um plebiscito entre o antipetismo, encarnado por Bolsonaro, e o petismo, que teve Haddad escalado para representá-lo por decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o maior desafio do vencedor agora deverá ser buscar um discurso de união.

    A partir da eleição do capitão da reserva, conhecido por sua retórica dura e por suas declarações polêmicas, fica a dúvida se terá capacidade e disposição de fazer esses gestos e de unir forças em torno de si para governar.

    No hotel onde Haddad e apoiadores acompanhavam a apuração predominava o silêncio, pouco depois das 19h.

    As cerca de 200 pessoas que se reuniram no hotel na capital paulista não mostravam já muito entusiasmo. Ao chegar no local em torno de 18h, Haddad foi recebido com gritos de “vamos virar”, mas dirigentes do partido mostravam apenas um “otimismo cauteloso”, de quem considerava, segundo disse à Reuters uma fonte, que uma virada não era mais impossível, mas não provável.

    Haddad assistiu à apuração reunido apenas com a esposa, Estela, os dois filhos, mãe e irmãs. Do lado de fora, em outra sala, com coordenadores de campanha, dirigentes e parlamentares do partido em uma suíte.

    Ao contrário de quando perdeu a eleição para Prefeitura de São Paulo, em 2016, para João Doria, Haddad decidiu, segundo a fonte, não ligar para o adversário para parabenizá-lo pela vitória.

    (Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier e Ricardo Brito no Rio de Janeiro; e Lisandra Paraguassu, em São Paulo)

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    Eleitores escolhem novo presidente em disputa com Bolsonaro favorito e Haddad em busca de virada

    Por Eduardo Simões

    SÃO PAULO (Reuters) - Eleitores de todo o Brasil foram às urnas neste domingo para escolher o próximo presidente da República em uma disputa de segundo turno que tem o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, como favorito para subir a rampa do Palácio do Planalto em 1º de janeiro, enquanto o petista Fernando Haddad tenta uma virada difícil, que seria inédita em eleições presidenciais no país.

    Líder das pesquisas, Bolsonaro votou sob forte esquema de segurança em uma escola de uma vila militar do Rio de Janeiro e afirmou estar confiante em uma vitória pelo que tem visto nas ruas, enquanto Haddad apontou para uma retomada nas intenções de voto em sua candidatura nos últimos dias e disse esperar por um 'grande resultado'.

    Apesar de uma redução na diferença das intenções de votos entre os dois candidatos na disputa do segundo turno, de acordo com as últimas pesquisas, uma virada de Haddad deve ser difícil. Desde a primeira eleição direta para presidente após a redemocratização, o candidato que terminou o primeiro turno com a primeira posição jamais sofreu uma derrota na votação decisiva.

    Fernando Collor, em 1989, Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002 e 2006, e Dilma Rousseff, em 2010 e 2014, terminaram a primeira rodada na frente e confirmaram o favoritismo no segundo turno. Em 1994 e 1998 Fernando Henrique Cardoso elegeu-se no primeiro turno.

    Bolsonaro foi o mais votado no último dia 7, com 46 por cento dos votos válidos, enquanto Haddad somou 29 por cento. De acordo com pesquisas Ibope e Datafolha, divulgadas no sábado, o capitão da reserva do Exército deverá confirmar neste domingo a liderança mostrada nas urnas três semanas atrás.

    Segundo o Ibope, Bolsonaro chega ao dia da eleição com 54 por cento dos votos válidos, enquanto Haddad soma 46 por cento. Já pelo Datafolha divulgado na véspera do pleito, Bolsonaro tem 55 por cento dos votos válidos, contra 45 por cento de Haddad

    “A expectativa de hoje é a mesma que vi nas ruas, vitória“, disse Bolsonaro em breve declaração a jornalistas após registrar seu voto em uma escola da vila militar de Deodoro, na zona oeste do Rio.

    Haddad, por sua vez, participou de café da manhã com a coordenação da campanha e dirigentes do PT em um hotel de São Paulo antes de votar e disse estar confiante no resultado devido à melhora vista nas últimas pesquisas.

    'Estou muito confiante de que nós vamos ter um grande resultado hoje. Vamos lutar até o último minuto. As pesquisas indicam uma retomada importante da intenção de voto no nosso projeto. Eu confio na democracia, confio no povo brasileiro', afirmou.

    Logo após a abertura das urnas o presidente Michel Temer registrou seu voto em um colégio da capital paulista, e disse que a transição para o presidente eleito já está organizada em todos os setores do governo, e será realizada de forma 'muita sossegada'.

    Em entrevista concedida com a Constituição nas mãos após votar em Brasília, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, afirmou que o ganhador da eleição presidencial deve respeitar as instituições e a democracia, aceitando a oposição que se formará, em um apelo pelo respeito aos valores constitucionais.

    A chefe da missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA), a ex-presidente da Costa Rica Laura Chinchilla, disse que a votação transcorre em clima de normalidade pelo país, enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que apenas 0,38 por cento do total de 454.493 urnas de votação foram substituídas até o fim da manhã.

    CORRIDA ATÍPICA

    'No Brasil não se consegue afirmar que as coisas serão como elas parecem que serão... (Mas) aparentemente, sim, o Bolsonaro deve ser eleito presidente da República no domingo', disse o cientista político Carlos Melo, do Insper.

    Além do futuro presidente da República, este domingo também definirá os governadores de 14 Estados que terão segundo turno e colocará fim a uma campanha atípica, seja pela mudança nas regras eleitorais, seja pelos vários percalços que a marcaram e pela retórica extremamente dura, incluindo troca de ofensas pessoais, entre os dois postulantes ao Planalto no segundo turno.

    Não foram poucas as vezes que Bolsonaro se referiu a Haddad como 'canalha', 'fantoche', 'poste' e 'marmita de corrupto preso', batendo principalmente na influência que Lula, preso desde abril por corrupção e lavagem de dinheiro, exerce sobre o afilhado político.

    O petista, por sua vez, classificou o capitão da reserva de 'soldadinho de araque' e também o chamou de 'covarde', 'fujão', 'frouxo' e 'arregão', por conta da recusa do presidenciável do PSL em enfrentá-lo cara a cara em debates.

    Alvo de uma facada no dia 6 de setembro durante evento de campanha em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro passou por duas cirurgias de urgência, ficou 23 dias hospitalizado e ainda carrega consigo uma bolsa de colostomia, que deverá ser retirada em nova cirurgia até o final deste ano.

    Haddad foi oficializado candidato do PT ao Palácio do Planalto no dia 11 de setembro. Assim, não participou dos dois debates em que o capitão da reserva compareceu antes da facada. Mesmo após receber alta, Bolsonaro não foi ao debate da TV Globo, o último do primeiro turno, alegando recomendações médicas.

    Embora tenha feito eventos de campanha, como visitas à Polícia Federal e ao Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro, no segundo turno, Bolsonaro voltou a alegar restrições de saúde para não ir a debates no segundo turno. Antes do duelo que aconteceria na Globo na sexta, aliados argumentaram questões de segurança para que ele não comparecesse.

    Com isso, esta campanha terá um fato inédito: será a primeira vez que um segundo turno na eleição presidencial não terá um debate sequer entre os dois candidatos.

    DESAFIOS FUTUROS

    Diante de uma campanha tão acirrada e de elevado patamar de polarização, apontada por analistas como um plebiscito entre o antipetismo, encarnado por Bolsonaro, e o petismo, que teve Haddad escalado para representá-lo por ordem de Lula, o maior desafio do vencedor deverá ser buscar um discurso de união.

    “Decidi meu voto por eliminação, por falta de escolha. Espero que o próximo presidente olhe menos para si e mais para o país, menos para os amigos, e que pense maior do que na própria pessoa', disse a bancária Myrna Haiat, de 42 anos, que votou em São Paulo.

    A estudante de psicologia Juliani di Castro, de 24 anos, manifestou preocupação com a forte divisão política. 'O que eu gostaria que o próximo presidente fizesse nenhum dos dois vai fazer, mas acho que os movimentos que se levantaram com a divisão política de agora vão permanecer independente de quem for eleito', afirmou.

    Com a vitória de Bolsonaro desenhada pelas pesquisas de opinião, fica a dúvida se o capitão da reserva, conhecido por sua retórica dura e por suas declarações polêmicas, terá capacidade e disposição de fazer esses gestos e de unir forças em torno de si para governar.

    'Do que vem pela frente o que eu mais destacaria são os sinais do Bolsonaro e da turma de aproximação com a velha política e também com a administração Temer. Estão dando sinais de que a transição para um novo governo não será tão abrupta como se anunciava há algum tempo', disse o analista político da MCM Consultores Associados Ricardo Ribeiro, que acredita que Bolsonaro deverá, mesmo sentado na cadeira presidencial, gerar antagonismos.

    'Esse clima mais acirrado de antagonismo vai durar toda a administração Bolsonaro. O Bolsonaro vai ser um presidente que vai gerar muita rejeição, não digo da maioria da população, mas de uma parte expressiva da população', previu.

    Para Melo, do Insper, o discurso que Bolsonaro fará após sua provável vitória na noite de domingo deverá ser analisado de perto, até mesmo para aplacar temores dos que veem num eventual governo do capitão da reserva uma ameaça à democracia, por conta de declarações passadas e recentes dele e de aliados próximos.

    'O discurso da vitória do Bolsonaro tem que ser um discurso agregador. Não pode ser um discurso com o tom que ele vem exercendo durante a campanha', disse Melo.

    'A nenhum presidente da República interessa governar um país dividido. Impor a unidade na porrada não é possível. Espero que ele nem pense nisso. Você tem que construir a unidade por meio da persuasão.'

    (Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier e Maria Clara Pestre, no Rio de Janeiro; Isabel Marchenta, Tais Haupt e Lisandra Paraguassu, em São Paulo; e Maria Carolina Marcello, em Brasília)

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    Dólar cai e ronda R$3,70 com busca por risco no exterior e vantagem de Bolsonaro

    Por Claudia Violante

    SÃO PAULO (Reuters) - O dólar operava em queda nesta terça-feira, em torno de 3,70 reais, influenciado pelo ambiente de maior busca pelo risco no exterior e após nova pesquisa eleitoral consolidar o cenário de ampla vantagem de Jair Bolsonaro (PSL) na disputa à Presidência da República.

    Às 11:59, o dólar recuava 0,83 por cento, a 3,7031 reais na venda, depois de ter alcançado na mínima 3,6922 reais. O dólar futuro tinha queda de cerca de 0,9 por cento.

    Na véspera, a moeda norte-americana fechou em baixa de 1,18 por cento, a 3,7342 reais.

    'O Ibope deu praticamente como certa a eleição de Bolsonaro e agora o dólar testa o suporte de 3,70 reais', afirmou o sócio da assessoria de investimentos Criteria Investimentos, Vitor Miziara.

    'Passada a eleição, poderemos ver um fluxo de venda no dólar, mas com menor volume, já que os investidores começam a colocar nos preços a expectativa pelo plano do novo governo, principalmente reforma da Previdência', acrescentou.

    Na noite de segunda-feira, o levantamento do Ibope mostrou que Bolsonaro tem 59 por cento dos votos válidos, contra 41 por cento de Fernando Haddad (PT), repetindo o quadro apontado na véspera em pesquisa encomendada pelo BTG Pactual.

    A preferência do mercado financeiro por Bolsonaro é apoiada no seu coordenador econômico, o economista liberal Paulo Guedes, e a expectativa é de que eles imponham uma agenda de reformas, corte de gastos e ajuste fiscal.

    'Outra medição que vem chamando a atenção é a rejeição de Haddad, a qual tem superado a do candidato do PSL em praticamente todos os estudos para o segundo turno....(e) ajuda a alavancar apostas de que dificilmente o PT 'virará o jogo' até o dia 28', escreveu o operador da corretora H.Commcor Cleber Alessie Machado, em relatório.

    'Com esse estudo consolidando – mas não fortalecendo – a leitura otimista de investidores, o mercado tende a manter a resiliência de ativos locais, mas sem deixar de observar o clima no exterior', acrescentou.

    No exterior, a terça-feira é marcada pela busca por ativos de maior risco, o que faz o dólar perder força ante as divisas de países emergentes, como os pesos chileno e mexicano.

    A moeda tinha ainda leve baixa ante a cesta de moedas, permanecendo perto das mínimas de 3 semanas, após dados fracos dos Estados Unidos aliviarem a pressão sobre um banco central norte-americano mais hawkish na política de aumento dos juros.

    O Banco Central ofertou e vendeu integralmente nesta sessão 7,7 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares. Desta forma, rolou 4,235 bilhões de dólares do total de 8,027 bilhões de dólares que vence em novembro.

    Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

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    Dólar sobe ante real com correção por noticiário eleitoral e à espera de Datafolha

    Por Claudia Violante

    SÃO PAULO (Reuters) - O dólar operava em alta ante o real nesta quarta-feira, em um movimento de correção após as quedas recentes alimentado pela inquietação com declarações do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) sobre a Previdência e à espera da pesquisa Datafolha de intenção de votos para o segundo turno da eleição.

    Às 12:03, o dólar avançava 0,98 por cento, a 3,7472 reais na venda, depois de terminar a véspera em queda de 1,47 por cento, a 3,7107 reais, acumulando em outubro baixa de 8,09 por cento. O dólar futuro tinha alta de cerca de 1 por cento.

    Na véspera, Bolsonaro falou a jornalistas sobre a reforma da Previdência, afirmando que a atual proposta do presidente Michel Temer dificilmente será aprovada.

    'Eu, chegando lá, vou procurar o governo para aprovar uma reforma da Previdência que tenha aceitação do Parlamento e a população entenda como sendo justa e necessária', disse Bolsonaro, aventando a possibilidade de aumentar o tempo de serviço do serviço público.

    Na avaliação do mercado, as declarações do candidato do PSL vão na contramão da visão de seu coordenador econômico, o economista liberal Paulo Guedes. A preferência do mercado por Bolsonaro é justamente apoiada em Guedes, com a expectativa de que eles imponham uma agenda de reformas, corte de gastos e ajuste fiscal.

    'Desta forma, ele se coloca numa posição de antagonismo à de seu assessor econômico, que é mais agressivo (no que se refere à reforma da Previdência)', explicou o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva.

    O deputado reeleito Onyx Lorenzoni (DEM-RS), cotado para assumir o Ministério da Casa Civil em um futuro governo Bolsonaro, já havia dito que, se eleito, Bolsonaro tratará da Previdência a partir de 1º de janeiro de 2019.

    Desta forma, também pesava nos negócios a notícia da Folha de S.Paulo de que Guedes está sendo investigado pelo Ministério Público Federal em Brasília por suspeita de associar-se a executivos ligados a PT e MDB para praticar fraudes em negócios com fundos de pensão de estatais.

    'Tudo ainda é muito incipiente. Se o mercado estivesse mais estressado, o dólar estaria muito mais pressionado', completou Gomes da Silva, para quem 'o viés segue sendo de baixa para o dólar porque o mercado ainda crê na vitória de Bolsonaro no segundo turno'.

    Bolsonaro não vai participar do debate nesta semana contra Fernando Haddad. A junta médica que o atende após uma facada durante campanha em primeiro turno não o liberou para atividades de campanha eleitoral. Ele será reavaliado novamente na próxima quinta-feira e deve ser liberado, segundo a junta médica.

    Sob a influência do noticiário eleitoral, o mercado aguarda ainda a divulgação, às 19h, de pesquisa Datafolha, a primeira após o primeiro turno da eleição presidencial.

    No exterior, o dólar também subia ante as divisas de países emergentes, como o rand sul-africano e o peso mexicano. Ante a cesta de moedas, o dólar caía.

    O Banco Central ofertou e vendeu integralmente nesta sessão 7,7 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares. Desta forma, rolou 3,080 bilhões de dólares do total de 8,027 bilhões de dólares que vence em novembro.

    Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

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    Dólar recua e vai abaixo de R$3,75 ainda com otimismo eleitoral

    Por Claudia Violante

    SÃO PAULO (Reuters) - O dólar recuava nesta terça-feira e operava abaixo de 3,75 reais, com os investidores ainda ecoando os resultados do primeiro turno das eleições, no domingo, que deram força às apostas de um presidente mais comprometido com as reformas.

    Às 11:53, o dólar recuava 0,64 por cento, a 3,7420 reais na venda, depois de chegar a abrir em alta. O dólar futuro tinha baixa de cerca de 1 por cento.

    Na véspera, a moeda terminou em baixa de 2,35 por cento, a 3,7662 reais, acumulando no mês até a segunda-feira queda de 6,71 por cento.

    'O otimismo doméstico está se sobrepondo ao exterior. É muito recente o resultado de domingo', disse o operador da H.Commcor Corretora Cleber Alessie Machado, acrescentando que o fato de o dólar ter fechado longe das mínimas na véspera favorece o movimento nesta sessão.

    No domingo, o primeiro turno das eleições terminou com Jair Bolsonaro (PSL) com cerca de 46 por cento dos votos e Fernando Haddad (PT), que vai disputar com ele o segundo turno, com pouco mais de 29 por cento. Além disso, o partido de Bolsonaro terminou com a segunda maior bancada na Câmara dos Deputados.

    A preferência do mercado financeiro por Bolsonaro é apoiada no seu coordenador econômico, o economista liberal Paulo Guedes, e a expectativa é de que eles imponham uma agenda de reformas, entre elas a da Previdência, corte de gastos e ajuste fiscal.

    'Embora Bolsonaro tenha uma realidade que o coloca muito próximo de ser o vitorioso no próximo dia 28, o mercado deve reagir a quaisquer sinalizações de um segundo turno 'dividido', o que acaba por alimentar expectativas com o Datafolha de amanhã', acrescentou Alessie Machado, citando a primeira pesquisa após o primeiro turno.

    No exterior, o dólar sobe ante a cesta de moedas e também ante divisas de países emergentes, como o peso chileno.

    Os investidores estão preocupados com o orçamento italiano e ainda repercutem o corte das previsões de crescimento global feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), inclusive para o Brasil, em 2018 e 2019.

    O Banco Central ofertou e vendeu integralmente nesta sessão 7,7 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares. Desta forma, rolou 2,695 bilhões de dólares do total de 8,027 bilhões de dólares que vence em novembro.

    Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

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    Dólar tem forte queda e vai a R$3,75 com investidores animados por desempenho de Bolsonaro no 1º turno

    Por Claudia Violante

    SÃO PAULO (Reuters) - O dólar tinha forte queda e chegou a encostar em 3,70 reais nesta segunda-feira, com os investidores animados diante da votação expressiva de Jair Bolsonaro (PSL) no primeiro turno da eleição presidencial, já que enxergam nele um perfil mais reformista.

    Às 11:57, o dólar recuava 2,67 por cento, a 3,7541 reais na venda, depois de ter batido na mínima da sessão 3,7094 reais. O dólar futuro tinha baixa de cerca de 2,2 por cento.

    Na sexta-feira, a moeda terminou com recuo de 1 por cento, a 3,8570 reais, tendo encerrado a semana com queda acumulada de 4,46 por cento, o maior recuo semanal desde março de 2016.

    'O desempenho de Bolsonaro no primeiro turno o mantém como favorito na disputa, seja pela votação recebida --muito próxima dos 50 por cento-- seja pelo quadro das disputas nos Estados ou ainda pela equiparação de armas na campanha de segundo turno', escreveu a corretora XP investimentos.

    Com 99,99 por cento das seções eleitorais apuradas, Bolsonaro recebeu 46,03 por cento dos votos válidos enquanto o petista Fernando Haddad, que vai disputar com ele o segundo turno, ficou com 29,28 por cento do total.

    Bolsonaro conseguiu transformar seu partido, o até então nanico PSL, em uma potência parlamentar, provocando uma mudança sísmica. O PSL deve ficar com 51 cadeiras na Câmara dos Deputados, de 513 assentos, de acordo com projeção da XP Investimentos, ficando atrás apenas do PT, de Haddad, que deve ter 57 vagas.

    'Parte da animação do mercado advém na renovação do Congresso. Essa renovação, independentemente da sigla partidária, dá esperança ao povo', disse o diretor de operações da Mirae, Pablo Syper, para quem, no entanto, a volatilidade deve continuar alta até o desfecho das eleições, com as pesquisas ainda ditando o humor do mercado.

    A preferência no mercado financeiro por Bolsonaro é apoiada no seu coordenador econômico, o economista liberal Paulo Guedes. Em entrevista à rádio Jovem Pan nesta manhã, o candidato disse que a ideia é que ambos andem juntos.

    O mercado doméstico, assim, operava na contramão do exterior, onde o dólar subia ante a cesta de moedas e ante as divisas de países emergentes.

    O Banco Central ofertou e vendeu integralmente nesta sessão 7,7 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares. Desta forma, rolou 2,310 bilhões de dólares do total de 8,027 bilhões de dólares que vence em novembro.

    Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

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    Urnas fecham na maior parte do país, resultados começam a sair às 19h

    Por Eduardo Simões

    SÃO PAULO (Reuters) - O primeiro turno terminou na maior parte do país às 17h (horário de Brasília), e os primeiros números da apuração começarão a ser divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 19h, quando termina a votação no Acre, Estado que tem fuso-horário diferente do restante do país.

    Desde a manhã deste domingo, eleitores foram às urnas de todo o país em um pleito que transcorreu sem grandes tumultos, em contraste com a campanha para presidente da República, que foi marcada por turbulências.

    A disputa teve incidentes que variaram das incertezas em torno da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ataque a faca contra o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, sob a expectativa de saber se o pleito terá ou não um segundo turno marcado por um duelo entre petismo e antipetismo.

    Líder das pesquisas, Bolsonaro disse confiar em uma vitória ainda no primeiro turno ao votar logo cedo em uma vila militar do Rio de Janeiro, enquanto os adversários Fernando Haddad (PT) e Ciro Gomes (PDT) afirmaram ter confiança de que vão enfrentar o capitão reformado do Exército na votação definitiva.

    'Se Deus quiser a gente liquida hoje', disse o candidato do PSL ao chegar à sua seção eleitoral cercado por apoiadores que gritavam seu nome. 'Estamos numa crescente e confiante que pessoas de bem do Brasil querem se afastar do socialismo... querem economia liberal e defender valores familiares. Não queremos amanhã ser o que a Venezuela é hoje.'

    Levantamento do Datafolha divulgado no sábado mostrou Bolsonaro com 40 por cento dos votos válidos, seguido por Haddad com 25 por cento. Sondagem do Ibope, também divulgada na véspera do pleito, colocou o candidato do PSL com 41 por cento dos votos válidos, enquanto o petista somou os mesmos 25 por cento apontados pelo Datafolha.

    Mais atrás, Ciro Gomes, do PDT, teve 15 por cento no Datafolha e 13 por cento no Ibope, enquanto o tucano Geraldo Alckmin somou 8 por cento dos votos válidos em ambos institutos.

    O Ibope deve divulgar uma pesquisa boca de urna às 19h, quando as seções de votação tiverem fechado em todo o país.

    Após votar em São Paulo, Haddad afirmou ter 'muita fé' de que o pleito terá uma segunda rodada, e defendeu que a continuidade da campanha eleitoral dará mais tempo aos brasileiros para comparar projetos e analisar propostas.

    'São projetos tão diferentes que vai ficar mais fácil para o cidadão optar no segundo turno', disse o candidato do PT. 'Tem gente que não quer que tenha segundo turno para que não haja comparação, é mais fácil ganhar eleição sem se expor.'

    Em terceiro lugar e tentando se consolidar como opção ao centro, Ciro Gomes (PDT) pediu uma chance para unir o Brasil, dizendo ainda acreditar num embate no segundo turno contra Bolsonaro, a quem criticou pela crença em faturar o pleito já neste domingo.

    'Os arrogantes e despreparados sempre se revelam nas horas de maior emoção. E quando uma pessoa no dia da eleição já se afirma vitorioso é porque dispensa o voto das pessoas', disse o presidenciável em Fortaleza, no Ceará.

    Mais de 147 milhões de eleitores estavam aptos a votar nos 5.570 municípios do país e devem dar a Bolsonaro a maior votação entre os postulantes ao Palácio do Planalto, seguido por Haddad, que substituiu Lula após o ex-presidente ter a candidatura barrada pela Lei da Ficha Limpa, de acordo com as pesquisas de intenção de voto.

    PLEBISCITO

    'A gente está em um mato sem cachorro. Eu tenho 42 anos, nunca passei por uma eleição que tivesse tanta dificuldade de escolher um candidato. E isso demonstra nossa realidade, em que a gente espera que exista um super-herói e eles só estão nos quadrinhos', afirmou a contadora Veronica Mazzaro, de 42 anos, no Rio de Janeiro, sem revelar seu voto.

    Confirmado o cenário apontado pelos institutos de pesquisa, Bolsonaro e Haddad deverão fazer um segundo turno plebiscitário, na avaliação de analistas. De um lado o petismo manifesto na figura de Lula e representado pelo ex-prefeito de São Paulo Haddad. De outro, o antipetismo, até 2014 encarnado pelo PSDB, mas que agora tem no ex-capitão do Exército Bolsonaro seu maior expoente.

    'A principal mudança de 2018 é a alteração no antipetismo. O antipetismo que se chamou PSDB de 1994 a 2014 passou a se chamar Jair Bolsonaro', disse o analista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria.

    O antagonismo ao PT, partido que venceu as quatro últimas eleições presidenciais, tem sido um dos eixos centrais do discurso de Bolsonaro.

    Mas não só de antipetismo vive o caldo de cultura que ajuda a explicar a ascensão de Bolsonaro. Na visão de analistas, o 'divórcio' entre a classe política e a esmagadora maioria da sociedade e um governo mal avaliado também colaboraram para o crescimento do candidato do PSL, que tem incentivado o voto útil dos contrários ao PT para tentar conseguir eleger-se já neste domingo.

    Haddad, por sua vez, entrou tardiamente na campanha, somente em 11 de setembro, após Lula ter sua candidatura barrada. Desde então, viu sua intenção de voto dar um salto nas pesquisas, movimento que foi acompanhado pela alta da sua rejeição. As duas altas são explicadas pela transferência do capital político de Lula, figura amada e odiada em intensidades similares na política brasileira.

    BATALHA DE REJEIÇÕES

    De acordo com as pesquisas, e confirmado um segundo turno entre Haddad e Bolsonaro, o ex-capitão e o petista deverão protagonizar uma eleição entre dois nomes com elevada rejeição entre o eleitorado --Bolsonaro é rejeitado por 44 por cento no Datafolha e 43 por cento no Ibope, e Haddad por 41 por cento no Datafolha e 36 por cento no Ibope.

    'Muito provavelmente nós vamos ter uma eleição de segundo turno que vai estar muito mais marcada por elementos negativos --quer dizer, Haddad tentando desconstruir Bolsonaro e Bolsonaro tentando desconstruir Haddad-- do que de fato por uma lógica de valores positivos', disse o cientista político Creomar de Souza, da Universidade Católica de Brasília.

    Esfaqueado em 6 de setembro e hospitalizado por 23 dias, período em que passou por duas cirurgias de emergência, Bolsonaro participou de apenas dois debates televisivos, ambos realizados antes de Haddad subir à cabeça de chapa petista.

    Os dois prováveis adversários no segundo turno ainda não duelaram frente a frente, já que o candidato do PSL não compareceu aos dois encontros realizados após receber alta, alegando recomendação médica.

    (Reportagem adicional de Marcela Ayres e Maria Carolina Marcello, em Brasília; Marta Nogueira e Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro; e Isabel Marchenta, em São Paulo)

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