Dólar segue perto da estabilidade com mercado atento ao Oriente Médio
Dólar segue perto da estabilidade com mercado atento ao Oriente Médio
Reuters
04/08/2026
Atualizada em 04/08/2026
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 4 Ago (Reuters) - O dólar ganhou um pouco de força ante o real nesta manhã de terça-feira, mas se mantinha perto da estabilidade, enquanto no exterior a moeda norte-americana cedia ante outras divisas de países emergentes, com a guerra no Oriente Médio novamente no foco.
O petróleo Brent, que mais cedo avançou em Londres, registrava queda nesta manhã pelo horário de Brasília, na faixa de US$81 o barril, e os rendimentos dos Treasuries também cediam.
Às 10h21, o dólar à vista subia 0,17%, aos R$5,0966 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para setembro -- o mais líquido no mercado brasileiro -- avançava 0,06%, aos R$5,1280.
O secretário de Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que um acordo com o Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz pode ser alcançado até quarta-feira. Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar Majed Al Ansari afirmou que esforços estão em andamento para buscar uma solução diplomática para o conflito. O Catar é um dos países mediadores entre EUA e Irã.
Em meio à esperança de um acordo entre os países, o dólar cedia ante moedas emergentes como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano, mas no Brasil a divisa norte-americana mantinha-se perto da estabilidade.
'No curtíssimo prazo, alguns fundamentos sustentam a moeda em torno de R$5,10: a balança comercial voltou a melhorar, com exportações em recuperação; o investimento direto segue robusto; e o diferencial de juros, ainda elevado, mantém o carry-trade atrativo', comentou Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.
O carry-trade é uma estratégia em que investidores tomam empréstimos no exterior, a juros baixos, e aplicam os recursos no Brasil, onde as taxas são elevadas.
'Porém, um vetor até aqui secundário deve virar gatilho de volatilidade: o calendário eleitoral. A partir de setembro, o tema deve ganhar peso e passa a cobrar prêmio de risco adicional sobre a moeda', acrescentou Sung.
Mais cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a produção industrial caiu 1,8% em junho ante maio, mais que a retração de 0,8% projetada por economistas ouvidos pela Reuters. Na comparação com junho de 2025, houve alta de 1,7%, também abaixo da projeção de 3,0%.
O resultado da produção industrial é o mais recente sugerindo desaceleração da atividade econômica no Brasil -- um fator que reforça a percepção de que o Banco Central tende a cortar a taxa básica Selic em 25 pontos-base na quarta-feira, podendo promover novo corte também em setembro.
Atualmente a Selic está em 14,25% ao ano, bem acima das taxas praticadas em países como EUA e Japão, e esse diferencial de juros vinha sendo apontado nos últimos meses como um fator favorável à atração de dólares para o Brasil. Hoje o cenário é um pouco diferente diante da perspectiva de alta de juros nos EUA e de novas baixas no Brasil.
O dólar à vista encerrou a sessão de segunda-feira com alta de 0,38%, aos R$5,0877.
(Reportagem adicional de Gabriel BurinEdição de Camila Moreira)
Reuters

