Capa do Álbum: Antena 1
A Rádio Online mais ouvida do Brasil
Antena 1
    Veja todas as Notícias.

    Dólar abandona queda e salta 1% com noticiário político-fiscal; volatilidade dispara

    Placeholder - loading - news single img
    01/06/2017 REUTERS/Thomas White

    Publicada em  

    Atualizada em  

    Por José de Castro

    SÃO PAULO (Reuters) - O alívio no mercado de câmbio no dia seguinte à decisão de juros durou pouco, e o dólar fechou em firme alta nesta quinta-feira, com o real indo do melhor desempenho global para o pior diante de uma nova onda de aversão a risco no Brasil, causada por renovadas preocupações fiscais.

    O dólar à vista subiu 1,00%, a 5,364 reais na venda. A moeda variou entre queda de 1,49% pela manhã, para 5,2318 reais, e ganho de 1,71%, a 5,4015 reais, à tarde.

    A volatilidade disparou. A volatilidade implícita nas opções de dólar/real para três meses --uma medida do grau de incerteza sobre a trajetória para a taxa de câmbio-- bateu 19,6% ao ano, de 18,8% do fechamento da véspera, rondando os maiores níveis desde outubro do ano passado. O real é a moeda mais volátil dentre as principais divisas emergentes.

    A reviravolta no câmbio vista a partir do fim da manhã refletiu forte reação do mercado a declarações do candidato à presidência do Senado Federal Rodrigo Pacheco (DEM-MG). O senador, apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro, disse que haverá discussão sobre nova ajuda a famílias na primeira semana do novo comando do Congresso e que será preciso sacrifício de premissas econômicas para manter o socorro às famílias.

    Pacheco tentou, sem sucesso, acalmar os ânimos de investidores em entrevistas posteriores. À Reuters, ele afirmou que em primeiro lugar é preciso ter responsabilidade fiscal e obediência ao teto de gastos e que apenas em último caso se pode rompê-lo para ajudar pessoas na pandemia.

    O agravamento da crise sanitária em meio à percepção de desorganização no governo tem tido efeitos sobre a popularidade do presidente Bolsonaro e, por sua vez, alimentado temores no mercado de criação de mais despesas --o que ameaçaria o teto de gastos, visto pelo mercado como âncora fiscal do país.

    'Claramente há uma falta de orientação e clareza na mensagem. Gravíssimo para a ancoragem fiscal e até política. Não tem como não ter efeitos', disse o profissional de um banco estrangeiro.

    À tarde, o deputado Arthur Lira (PP-AL) --que disputa a presidência da Câmara dos Deputados e, assim como Pacheco, é apoiado por Bolsonaro-- disse no Twitter que 'qualquer discussão sobre eventual auxílio emergencial adicional deve ser feita de forma responsável e acompanhada do aprofundamento de reformas que viabilizem a consistência fiscal de médio e longo prazos no Brasil'.

    Para Alfredo Menezes, sócio na Armor Capital, o mercado está envolto em muita insegurança com o cenário econômico e, nesse contexto, o momento é de aguardar, especialmente considerando a forte volatilidade.

    'Pessoalmente, acho que o dólar pode ficar no mínimo em 4,85 reais e, no máximo, em 5,95 reais. O cenário é binário. Virou preto ou vermelho', afirmou.

    O profissional do banco estrangeiro citado antes comentou que mesmo a interpretação do comunicado do Copom foi dispersa entre analistas. Segundo ele, há quem tenha entendido que o Bacen, por não aumentar o juro agora nem sinalizar alta na reunião de março, 'vai incorrer no risco de mais depreciação do real'.

    Para o Santander Brasil, o real corre risco de depreciar mesmo com a perspectiva de alta da Selic. 'O viés de Selic mais alta seria num contexto cauteloso, com maior dificuldade fiscal e maior dificuldade no processo de enfrentamento da pandemia via vacinas, com riscos em torno do acesso' ao imunizante', disse Mauricio Oreng, superintendente de pesquisas macroeconômicas do Santander.

    Enquanto isso, o investidor estrangeiro continua 'muito reticente' com o Brasil e não há no curto prazo perspectiva de retorno consistente de fluxos externos, disse Drausio Giacomelli, estrategista-chefe para mercados emergentes do Deutsche Bank, que vê o real em uma 'montanha-russa'.

    'Você supera a tensão no segundo trimestre, mas depois elas ressurgem no fim do ano com as discussões sobre o Orçamento e o teto de gastos. No fim, o dólar deve fechar o ano em 4,80 reais', afirmou.

    Escrito por Reuters

    1. Home
    2. noticias
    3. dolar reverte queda pos copom …

    Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência.