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    Dólar vai às mínimas desde janeiro após Copom; mercado questiona espaço para mais quedas

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    Notas do dólar e do real são dispostas em corretora de câmbio. 10/09/2015. REUTERS/Ricardo Moraes.

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    Por José de Castro

    SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda e abaixo de 5,30 reais nesta quinta-feira, no menor valor desde meados de janeiro, com a moeda brasileira liderando com folga os ganhos no mundo em dia de visível apetite global por risco e de reação a sinais mais firmes na política monetária doméstica.

    O dólar à vista caiu 1,61%, a 5,2787 reais, menor patamar desde 14 de janeiro (5,212 reais). A cotação variou nesta quinta entre 5,3759 reais (+0,20%) e 5,2581 reais (-2,00%).

    O real esteve no topo na lista de moedas relevantes, num dia de expressiva demanda por ativos arriscados, em meio ao contínuo otimismo quanto à recuperação econômica global. O dólar caía até 1,2% ante os principais pares da moeda brasileira, enquanto no mercado de ações norte-americano o índice Dow Jones voltou a fechar em máxima histórica. [.NPT]

    Mas a repercussão de investidores à sinalização mais dura do Banco Central na política monetária fez preço ao longo de todo o pregão, com analistas vendo chances de juros ainda mais altos --o que proveria um colchão à taxa de câmbio.

    'Acreditamos que a lenta restauração do 'carry' e a potencial descompressão de risco são pontos positivos para o real e esperaríamos um viés de alta para a moeda', disseram Roberto Secemski e Juan Prada em relatório do Barclays. O banco privado segue com estratégia de long put spreads no par dólar/real, indicando aposta de queda da moeda dos EUA, mas ainda em meio a um ambiente de alta volatilidade.

    O Banco Central elevou a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, para 3,50%, na quarta-feira e disse não haver compromisso com um processo parcial de aperto monetário, mas, sim, com a meta de inflação de 2022.

    O tombo na taxa de juros local --que saiu de 14,25% em outubro de 2016 para 2% em agosto de 2020 (patamar mantido até março passado)-- transformou a moeda brasileira em alvo fácil de operações de 'hedge' para aplicações em outros mercados --estratégia que, por representar venda de reais (compra de dólar), intensificou a pressão sobre a taxa de câmbio.

    A Selic em alta aumenta a diferença entre os retornos oferecidos no Brasil ante os dos Estados Unidos e de outros mercados emergentes, o que eleva a atratividade do real, potencialmente valorizando a moeda.

    A mudança de trajetória na política monetária é um dos elementos que explica a queda de 10,4% do dólar futuro desde as máximas acima de 5,88 reais alcançadas em março --os demais foram exterior positivo e acordo orçamentário. Mas após um ajuste nessa magnitude alguns analistas começam a questionar alívio adicional.

    'Não me parece haver mais o mesmo espaço para apreciação do real visto no último mês. Uma parte relevante do choque de commodities e alguma medida da sinalização de política monetária parecem já estar no preço', disse Paulo Clini, chefe de investimentos da Western Asset.

    João Leal, economista da Rio Bravo, mantém estimativa de dólar a 5,40 reais ao fim de 2021 e 2022. 'O fiscal ainda pesa muito, e chegando ao fim do ano teremos mais ruído político.'

    Mesmo bancos estrangeiros, que veem o BC mais 'hawkish' (duro com a inflação), ainda mostram hesitação sobre um caminho mais suave para o câmbio.

    'O atual ciclo de alta de juro deve oferecer algum suporte ao real, mas menos do que o esperado por alguns participantes do mercado, conforme os principais drivers do câmbio devem manter o prêmio de risco idiossincrático ainda elevado', disseram profissionais do Morgan Stanley em relatório.

    'Por isso, mantemos uma visão mais cautelosa sobre o real', finalizaram.

    Com as fortes quedas recentes do dólar, o índice de força relativa de 14 dias da moeda norte-americana caiu para 33,76, bem próximo da linha de 30, abaixo da qual um ativo (o dólar) é considerado subvalorizado, leitura que pode levar a correções de alta no curto prazo.

    Escrito por Reuters

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