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DOLLY PARTON, UMA DAS MAIORES VOZES DA MÚSICA COUNTRY, MORRE AOS 80 ANOS

Cantora, compositora, atriz e empresária deixou uma trajetória marcada por grandes sucessos, reconhecimento internacional e trabalhos sociais

Bruna Valle

25/08/2026

Placeholder - loading - Dolly Parton morreu aos 80 anos e deixa uma obra que marcou a música e a cultura americana (Crédito da Imagem: Getty Images)
Dolly Parton morreu aos 80 anos e deixa uma obra que marcou a música e a cultura americana (Crédito da Imagem: Getty Images)

Dolly Parton, um dos nomes mais importantes da história da música country, morreu nesta terça-feira (25), aos 80 anos. A notícia foi comunicada pela família da artista nas redes sociais, em uma mensagem publicada por seu sobrinho, Bryan Seaver, que durante mais de duas décadas também atuou como chefe de segurança da cantora. A causa da morte não foi divulgada.

A despedida foi anunciada de uma maneira planejada pela própria Dolly. Segundo o sobrinho, ela havia pedido anos atrás que ele fizesse a comunicação quando esse momento chegasse. Em tom emocionado, ele lembrou a personalidade generosa da cantora e afirmou que ela viveu cercada de luz.

Dolly Parton deixa uma carreira que atravessou quase seis décadas e ultrapassou os limites do country. Compositora de músicas que se transformaram em clássicos, ela também construiu uma trajetória no cinema, na televisão, nos negócios e na filantropia.

Entre suas canções mais conhecidas estão “Jolene”, “I Will Always Love You”, “9 to 5” e “Coat of Many Colors”. Ao longo da carreira, escreveu cerca de três mil músicas e vendeu mais de 100 milhões de discos.

Dolly Parton se tornou uma das artistas mais reconhecidas da música country

Da pobreza no Tennessee ao estrelato

Dolly Rebecca Parton nasceu em uma família numerosa e humilde no Tennessee, nos Estados Unidos. Era uma das 12 crianças de Robert e Avie Lee Parton e cresceu em uma região rural, em uma casa sem eletricidade e encanamento.

A música fazia parte da rotina familiar. As canções religiosas ouvidas na igreja e os instrumentos tocados por parentes ajudaram a formar a identidade musical que acompanharia Dolly por toda a vida.

Ainda criança, ela começou a cantar em programas de rádio e televisão locais. Na adolescência, já demonstrava que queria transformar a música em profissão. O caminho a levou para Nashville, cidade considerada um dos grandes centros da música country americana.

Foi ali que Dolly começou a trabalhar como compositora e, pouco depois, passou também a construir seu espaço como cantora.

Uma compositora que transformava histórias em músicas

Dolly nunca foi apenas uma intérprete. Sua principal marca estava na capacidade de transformar experiências, sentimentos e histórias simples em canções que alcançavam milhões de pessoas.

Foi assim com “Coat of Many Colors”, inspirada na infância pobre e na roupa feita pela mãe com pedaços de tecido. E também com “Jolene”, uma história de ciúme e insegurança que se transformou em uma das músicas mais conhecidas de sua carreira.

Mas talvez nenhuma composição represente tanto sua trajetória quanto “I Will Always Love You”.

A música foi escrita por Dolly quando decidiu encerrar sua parceria profissional com o cantor e apresentador Porter Wagoner.

A canção se tornou um grande sucesso na voz da própria Dolly e ganhou uma dimensão ainda maior quando Whitney Houston gravou uma nova versão para o filme “O Guarda-Costas”.

O sucesso fez da composição uma das baladas mais conhecidas da música popular em todo o mundo.

Do country para o cinema e para o grande público

Dolly também conseguiu algo que poucos artistas do gênero alcançaram: levou sua música para além do público tradicional do country.

A cantora passou a investir cada vez mais em uma sonoridade acessível a diferentes públicos e encontrou outro espaço de destaque no cinema.

Sua estreia nas telas aconteceu em “Como Eliminar Seu Chefe”, ao lado de Jane Fonda e Lily Tomlin. Além de atuar, Dolly compôs a música-tema do filme, “9 to 5”, que se tornou outro de seus grandes sucessos.

O trabalho lhe rendeu uma indicação ao Oscar e abriu caminho para outros filmes, entre eles “A Melhor Casa Suspeita do Texas”, “Rhinestone – Um Brilho na Noite” e “Flores de Aço”.

Com isso, Dolly deixou de ser apenas uma estrela da música e passou a ocupar um espaço muito maior na cultura popular americana.

Dolly Parton também construiu uma carreira de sucesso no cinema e na televisão

Uma carreira reconhecida por gerações

Ao longo dos anos, Dolly acumulou alguns dos principais reconhecimentos da música americana.

Ela entrou para o Hall da Fama da Música Country, para o Hall da Fama dos Compositores e, em 2022, foi incluída no Hall da Fama do Rock and Roll - uma homenagem que inicialmente chegou a deixá-la desconfortável por considerar que sua trajetória estava ligada principalmente ao country.

A artista também recebeu 11 prêmios Grammy, além de outras importantes homenagens por sua contribuição à música e à cultura.

Sua influência também pode ser percebida nas gerações seguintes. Artistas de diferentes estilos gravaram suas músicas, entre eles Whitney Houston, Beyoncé e Miley Cyrus, sua afilhada.

Muito além da música

O legado de Dolly Parton também foi construído longe dos palcos.

Uma das iniciativas mais conhecidas da cantora é a Biblioteca da Imaginação, projeto criado para incentivar a leitura entre crianças. A iniciativa começou em homenagem ao pai de Dolly e, com o passar dos anos, se expandiu para diferentes regiões e países, distribuindo centenas de milhões de livros gratuitamente.

Dolly também investiu em educação, ajudou comunidades atingidas por desastres e destinou recursos para diferentes causas sociais.

Seu nome ainda está ligado ao Dollywood, parque temático localizado no Tennessee, estado onde nasceu e cresceu. O empreendimento ajudou a transformar a região em um importante destino turístico.

Essa combinação entre música, negócios e ações sociais ajudou a construir uma imagem rara: a de uma artista extremamente famosa que conseguiu manter uma relação próxima com o público.

Além da música, Dolly Parton dedicou parte da vida a projetos voltados para educação e incentivo à leitura

Os últimos anos e os problemas de saúde

A morte de Dolly acontece depois de um período em que a cantora vinha enfrentando problemas de saúde.

No ano passado, ela começou a reduzir algumas atividades e chegou a adiar apresentações que faria em Las Vegas. Posteriormente, os shows foram cancelados de forma definitiva.

Nos últimos meses, Dolly falou publicamente sobre dificuldades relacionadas à saúde e afirmou que estava se recuperando. Também reconheceu que os últimos anos haviam sido especialmente difíceis depois da morte do marido, Carl Dean, em 2025.

Poucos dias antes de sua morte, a cantora ainda havia conversado com a revista People sobre sua condição e sobre os planos que continuava mantendo para o futuro. Mesmo enfrentando limitações, dizia que ainda tinha projetos que gostaria de realizar.

A causa da morte não foi informada pela família.

Uma despedida reservada

De acordo com a família, o funeral de Dolly será realizado em uma cerimônia pequena e privada, apenas para parentes próximos. A decisão segue um desejo da própria cantora.

Fãs e admiradores foram convidados a homenageá-la por meio das redes sociais. A família também pediu que, em vez de flores, sejam feitas doações para a Biblioteca da Imaginação.

Dolly Parton deixa uma obra que atravessa gerações e estilos: foi cantora, compositora, atriz, empresária e filantropa. Mas, acima de tudo, construiu uma identidade artística impossível de separar de sua própria história: a menina pobre do Tennessee que transformou suas experiências em músicas e acabou se tornando uma das maiores estrelas da música americana.

A voz de Dolly Parton se cala, mas suas canções permanecem, e, como ela própria dizia ao falar sobre seu trabalho, são elas que formam o seu verdadeiro legado.

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