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    Coronavírus impacta demanda e economia do Brasil encolhe 1,5% no 1º tri, maior perda desde 2015

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    Linha de produção em fábrica da Ford em São Bernardo do Campo (SP). 13/08/2013. REUTERS/Nacho Doce

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    Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

    SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A economia do Brasil iniciou 2020 com a mais forte retração desde 2015, ainda nos primeiros sinais dos impactos das restrições principalmente sobre os gastos das famílias, devido às medidas para conter a disseminação do coronavírus, com o cenário apontando uma recessão histórica.

    O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro contraiu 1,5% no primeiro trimestre deste ano sobre os três meses anteriores, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    É a primeira vez que a economia apresenta queda na base trimestral desde o recuo de 0,1% do quarto trimestre de 2018. O declínio do primeiro trimestre de 2020 é o mais forte desde o segundo trimestre de 2015 (-2,1%).

    O resultado mostra a forte deterioração da atividade depois de um aumento de 0,4% no quarto trimestre de 2019, em dado revisado pelo IBGE de alta de 0,5% informada anteriormente, quebrando sequência de quatro trimestres positivos e ampliando a pressão sobre o governo Jair Bolsonaro.

    Depois de um ritmo fraco no ano passado, com crescimento de 1,1%, qualquer expectativa positiva que existisse no início de 2020 caiu por terra com o início da pandemia de coronavírus, que deve pesar ainda mais no segundo trimestre.

    A epidemia, cujos efeitos não foram sentidos totalmente no primeiro trimestre, obrigou o fechamento de empresas e negócios e levou pessoas a ficarem confinadas em casa, e já causou quase 27 mil mortes no Brasil.

    As consequências do vírus também prejudicam as cadeias de suprimento, já que abalam o mundo todo, e tem sido um dos motivos, entre outros, da expressiva alta de 35,5% do dólar ante o real neste ano.

    GASTOS

    Os dados do IBGE mostram que, do lado das despesas, as Despesas das Famílias recuaram 2,0%, maior perda desde a crise de energia elétrica em 2001, exercendo grande influência sobre o resultado do trimestre já que têm peso de 65% no PIB. As Despesas do governo tiveram avanço de apenas 0,2%.

    'Sem renda e emprego, o poder de consumo na mão das pessoas diminui e isso tem peso no PIB', explicou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

    Por outro lado, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), uma medida de investimento, teve desempenho destacado com alta de 3,1% sobre os três meses anteriores, puxado por importação líquida de máquinas e equipamentos pelo setor de petróleo e gás.

    Isso ajuda a explicar também o aumento de 2,8% das Importações no período, enquanto as Exportações caíram 0,9%.

    Do lado da produção, a Agropecuária foi o único setor com sinal positivo, ao expandir 0,6% no primeiro trimestre. Já as atividades de Indústria e Serviços contraíram respectivamente 1,4% e 1,6%.

    A retração da economia no primeiro trimestre teve como principal influências as perdas no setor de serviços, que, segundo o IBGE, representa 74% do PIB, em meio às medidas de isolamento social.

    Nesse setor, a categoria outros serviços recuou 4,6%, enquanto Transporte, armazenagem e correio teve queda de 2,4%, Informação e comunicação recuou 1,9% e Comércio perdeu 0,8%.

    'Serviços são os mais afetados, e é como na China e outros países do mundo. No distanciamento essas são as atividades paralisadas mais rapidamente, e isso afeta a despesa de consumo das famílias', disse Palis.

    'As famílias gastam quase metade (da renda) com serviços, e as despesas como entretenimento como hotel, bar, restaurante, cinema, teatro têm peso grande', completou.

    Já nas atividades industriais, a queda foi liderada pelo setor extrativo, cuja produção recuou 3,2%, enquanto a categoria Construção teve perdas de 2,4%.

    IMPACTO EM CHEIO

    Enquanto o mês de março foi o mais afetado pelo coronavírus no primeiro trimestre, o segundo trimestre será impactado em cheio pela pandemia, já que as restrições e paralisações em todo o país ainda podem se estender até junho.

    Apenas cerca de um sexto do trimestre foi afetado --última quinzena do mês de março--, segundo estimativa da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia em nota nesta sexta-feira.

    'Agora teremos praticamente o trimestre inteiro dentro de uma quarentena. Como ela vai entrar para junho, as condições econômicas estarão piores no segundo trimestre', destacou Carlos Pedroso, economista sênior do Banco MUFG Brasil.

    As restrições continuarão pesando sobre o setor de serviços, bem como o consumo das famílias, e especialistas já anteveem retração histórica.

    'É certeza absoluta que o pior está por vir. O segundo trimestre vai com certeza ser o pior resultado da série histórica do IBGE que começou em 1996. Acho bastante factível uma queda de 13,6% no segundo trimestre sobre o primeiro', afirmou o analista da gestora de recursos Rio Bravo Luis Bento.

    O Ministério da Economia já passou a projetar contração do PIB em 2020 de 4,7%, contra expectativa em março de alta de 0,02%. Esse seria o pior resultado da série história que começou em 1900.

    Já o Banco Central vê queda forte do PIB na primeira metade deste ano, seguida de uma recuperação gradual a partir do terceiro trimestre.

    A mais recente pesquisa Focus do BC mostra que a expectativa do mercado é retração de quase 6% da economia neste ano, antes de crescimento de 3,50% em 2021.

    Escrito por Reuters

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