Capa do Álbum: Antena 1
A Rádio Online mais ouvida do Brasil
Antena 1

Eleitores do Peru votam em acirrada corrida presidencial e segundo turno se aproxima

Eleitores do Peru votam em acirrada corrida presidencial e segundo turno se aproxima

Reuters

12/04/2026

Placeholder - loading - Um funcionário eleitoral manuseia cédula de votação no dia da eleição geral do Peru, em Lima 12 de abril de 2026 REUTERS/Angela Ponce
Um funcionário eleitoral manuseia cédula de votação no dia da eleição geral do Peru, em Lima 12 de abril de 2026 REUTERS/Angela Ponce

Por Lucinda Elliott e Marco Aquino

LIMA, 12 Abr (Reuters) - Os eleitores ​do Peru foram às urnas neste domingo para eleger um novo presidente e membros do Congresso, votando em um primeiro turno com mais de 30 candidatos presidenciais após anos de turbulência política que corroeram a confiança nas instituições e deixaram a população profundamente desiludida.

Sem um líder claro e com todos os principais candidatos com pesquisas bem abaixo dos 50% necessários para vencer de primeira, parece provável que haja um segundo turno em 7 de junho. Isso poderia prolongar a incerteza no terceiro maior produtor de cobre do mundo, em um momento de aumento da criminalidade e intensificação da competição por influência entre os Estados Unidos e a China.

As seções de votação foram abertas às 7h, horário local, com cerca de 27 milhões de pessoas aptas a ⁠votar.

No início do ⁠dia, eleitores em áreas de Lima reclamaram que várias ​seções eleitorais ‌ainda não haviam sido abertas.

Margarita Sandoval, de 35 anos, disse que esperou na fila por duas horas sem conseguir entrar em sua seção eleitoral em Chorrillos, distrito ao sul da capital.

'Tenho que trabalhar e não posso votar', disse Sandoval. 'Essas eleições são um desastre.'

Outros disseram que a disputa concorrida dificultou a decisão. 'Só decidi em quem votar há cerca ⁠de uma semana', disse Benjamin Alcantara, de 33 anos, assistente de loja.

ESPECTRO IDEOLÓGICO

Desde 2018, o Peru ​passou por oito presidentes, alimentando o ceticismo de que qualquer nova administração dure um mandato completo de cinco anos, ​após uma vertiginosa rotatividade impulsionada por impugnações, escândalos de corrupção e ‌coalizões governamentais fracas que paralisaram a ​tomada ⁠de decisões.

'As pessoas realmente desprezam o atual Congresso', disse Martin Cassinelli, do Atlantic Council. 'Elas o reconhecem como responsável pelo caos político que tivemos nos últimos dez anos', acrescentou.

A desconfiança política alimentou um terreno fértil que abrange todo o espectro ideológico, incluindo políticos experientes, um ​empresário de extrema-direita e um comediante de televisão.

Entre os mais conhecidos está a conservadora Keiko Fujimori, em sua quarta candidatura presidencial depois de chegar ao segundo turno em todas as três anteriores.

Educada nos EUA e líder do poderoso partido Força Popular no Congresso, Fujimori se apresenta como garantidora da ordem e da estabilidade econômica, atraindo os eleitores alarmados com o aumento da ​criminalidade. Sua candidatura continua polarizada, no entanto, devido ao legado de sua família e aos problemas legais do passado.

Ricardo Belmont, ex-prefeito de Lima, concorre pelo Partido Obras Cívicas, de centro-esquerda, e subiu para o segundo lugar após um aumento tardio em seu apoio. Ele é seguido pelo popular comediante Carlos Alvarez, que faz campanha com uma dura plataforma contra o crime. Ambos são considerados outsiders que ganharam força ao entrar em um clima anti-establishment mais amplo, segundo analistas.

À direita, o ex-prefeito de Lima Rafael López Aliaga, um rico empresário, fez campanha com uma plataforma ultraconservadora, mas viu seu apoio oscilar.

A insegurança pública surgiu como o tema ​dominante da campanha. Os homicídios e a extorsão aumentaram nos últimos anos, impulsionados em parte pelo tráfico de drogas e pela mineração ‌ilegal. A maioria dos principais candidatos propôs a ⁠expansão do papel das Forças Armadas na segurança interna.

A eleição também traz implicações geopolíticas. O aprofundamento da relação econômica do Peru com a China -- agora seu maior parceiro comercial e um grande investidor em mineração e infraestrutura -- levantou preocupações em ⁠Washington, que intensificou o envolvimento diplomático e de segurança antes da votação.

Quem quer que ⁠avance para o segundo turno enfrentará um Congresso fragmentado ⁠e um Senado recém-reintegrado, o ⁠que ​pode complicar os esforços para aprovar propostas e aumentar o risco de novas batalhas de impeachment.

(Reportagem de Lucinda Elliott e Marco Aquino)

Reuters

Compartilhar matéria

Mais lidas da semana

 

Carregando, aguarde...

Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência.