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Eletrificação de frota no Brasil dobrará desvio da demanda de combustíveis em 4 anos, prevê StoneX

Eletrificação de frota no Brasil dobrará desvio da demanda de combustíveis em 4 anos, prevê StoneX

Reuters

29/05/2026

Placeholder - loading - Fábrica de veículos elétricos da BYD no Polo Industrial de Camaçari, Bahia, Brasil, 3 de fevereiro de 2026. REUTERS/Rafael Martins TPX IMAGENS DO DIA
Fábrica de veículos elétricos da BYD no Polo Industrial de Camaçari, Bahia, Brasil, 3 de fevereiro de 2026. REUTERS/Rafael Martins TPX IMAGENS DO DIA

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 29 Mai (Reuters) - O ​volume dos combustíveis do Ciclo Otto desviados com o avanço da eletrificação da frota no Brasil vai praticamente dobrar entre 2026 e 2030, para 1,3 bilhão de litros, colaborando para uma desaceleração do crescimento da demanda de etanol e gasolina, avaliou a consultoria StoneX em estudo antecipado à Reuters.

O total desviado de combustíveis do Ciclo Otto (gasolina e etanol), contudo, ainda seria relativamente pequeno perto do consumo total no Brasil, estimado em 51 bilhões de litros (em gasolina equivalente) em 2026, segundo a consultoria.

O cálculo considera que ⁠a frota ⁠eletrificada deve chegar a 1,7 milhão ​de veículos ‌em 2030, representando até 4,7% da frota total naquele ano (excluindo-se aqueles a diesel). O estudo pondera a participação de veículos híbridos e a parcela de carros elétricos que efetivamente não consome combustíveis líquidos.

Projeta também que a frota ⁠eletrificada mais que triplicaria em relação aos cerca de 510 mil veículos ​de 2025, quando a participação dos elétricos foi de apenas 1,5%.

O salto na ​fatia dos elétricos na frota, mesmo assim, não ‌seria suficiente para gerar ​uma ⁠redução de demanda de etanol e gasolina, segundo a análise.

'Ainda que a trajetória de crescimento dos eletrificados se confirme, o peso desse segmento na frota circulante total permanecerá reduzindo ao ​longo de toda a década', afirmou a analista da StoneX Letícia Corrêa, uma das autoras do trabalho.

Conforme dados citados no trabalho, os emplacamentos de veículos de Ciclo Otto (gasolina e etanol) devem recuar de 85% em 2021 para 74% em 2026.

Ainda ​assim, ela lembrou ainda que a renovação da frota é lenta, com taxa de sucateamento anual de 2% a 4%, o que indica que os veículos do Ciclo Otto vendidos na última década tendem a estar ativos em 2030.

'O crescimento acelerado nos emplacamentos, portanto, não se traduz em substituição equivalente na frota em uso', comentou, destacando que o aumento dos eletrificados é bastante concentrado no Sudeste e no Sul.

Para a analista ​Isabela Garcia, que também assina o trabalho, o cenário indica que a demanda por ‌combustíveis leves deve seguir crescendo, 'com o padrão ⁠de eletrificação projetado não determinando um pico de consumo no médio prazo'.

Ela chamou a atenção também para as vendas de veículos híbridos, que ainda demandam combustíveis ⁠líquidos.

'Dessa forma, o impacto sobre a demanda do Ciclo ⁠Otto se comporta como uma compressão gradual, ⁠não como uma ⁠ruptura ​da tendência da demanda observada até então', disse Garcia.

(Por Roberto Samora; edição de Letícia Fucuchima)

Reuters

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