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    Em caso de segunda onda da pandemia, gasto público pode ser contracionista, diz Campos Neto

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    Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto 09/01/2020 REUTERS/Adriano Machado

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    BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, defendeu nesta terça-feira que, no caso de uma segunda onda da pandemia de Covid-19, o país não deve adotar medidas que envolvam gastos públicos adicionais, sob o risco de acabar gerando um efeito contracionista na economia.

    Em entrevista à Globonews, Campos Neto também frisou a importância de uma organização entre os Poderes no país para assegurar a aprovação de reformas necessárias à recuperação da economia.

    'A gente precisa, entendendo que o Legislativo é soberano e que tem o 'timing' dele, a gente precisa entrar em um processo de organização entre os diversos Poderes para criar uma conscientização de que é importante aprovar as reformas', afirmou Campos Neto na entrevista.

    'Isso vai nos trazer credibilidade, que vai nos trazer investimentos, que vai nos ajudar com o crescimento futuro', acrescentou.

    O presidente do BC voltou a destacar a importância de o país retomar a trajetória de controle fiscal após ter sido um dos que mais gastaram com medidas de enfrentamento à pandemia da Covid-19.

    Questionado sobre medidas adicionais a serem tomadas no caso de uma eventual segunda onda da pandemia, Campos Neto afirmou que, considerando a situação de fragilidade fiscal do país, iniciativas que envolvam gastos públicos podem ser contraproducentes.

    'É como se você colocasse dinheiro na economia entendendo que vai ter um efeito expansionista, e na verdade você tem o efeito contrário, contracionista', disse Campos Neto, ao ressaltar a importância da credibilidade fiscal para atrair investimentos estrangeiros.

    'O elemento credibilidade é mais importante e inibe o crescimento futuro de uma forma maior do que o dinheiro que está sendo colocado para circular na economia', disse.

    'Qualquer solução que for apresentada, que for pensada onde a gente consiga impulsionar a economia, colocar dinheiro na economia, sem gerar gasto fiscal, são medidas bem-vindas', acrescentou.

    (Por Isabel Versiani; Edição de José de Castro)

    Escrito por Reuters

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