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    Em meio a divergências, líderes da UE reivindicam vitória em cúpula sobre imigração

    Por Thomson Reuters

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    Por Gabriela Baczynska

    BRUXELAS (Reuters) - Líderes da União Europeia reivindicaram sucesso nesta sexta-feira em chegar a um batalhado acordo para controlar a imigração, mas o pacto enfrentou críticas instantâneas de ser vago, difícil de ser implementado e uma possível ameaça aos direitos humanos.

    A imigração irregular tem caído fortemente desde 2015, quando mais de um milhão de pessoas entrou na União Europeia, mas pesquisas de opinião mostram que isto ainda é uma grande preocupação para os 500 milhões de cidadãos da UE.

        A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o novo primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, estão sob grande pressão em seus países para garantir que menos pessoas do outro lado do Mediterrâneo cheguem em seus territórios, e líderes do leste europeu são radicalmente contra aceitá-las.

        A cúpula de todos os 28 líderes da UE quase esteve perto de ser encerrada sem se chegar a lugar algum, conforme os líderes seguiam em direções diferentes, concordavam e discordavam repetidamente durante a noite de quinta-feira, incapazes de alcançar um acordo até a manhã desta sexta-feira.

        Eles concordaram em reforçar as fronteiras externas da UE e gastar mais dinheiro em projetos na África com objetivo de impedir a imigração. Mas a redação do comunicado conjunto foi altamente confusa --um resultado de suas prioridades divergentes.

        “A Europa decidiu, mesmo que tenha levado um tempo. A Europa quer proteger seus cidadãos, mas também quer cumprir suas leis e sua história e a proteção aos mais vulneráveis”, disse o presidente da França, Emmanuel Macron, que ajudou a selar o acordo após nove horas de conversas

        Merkel tem buscado espaço em uma disputa com seu parceiro de coalizão, a União Social Cristã, que exige controles mais rígidos de imigração. Ela chamou o acordo da cúpula de um “passo certo na direção certa”.

        “O que nós alcançamos aqui juntos é talvez mais do que eu havia esperado”, disse a jornalistas Merkel, a líder da UE há mais tempo no cargo.

        Conte, que exige que os outros Estados da UE façam mais para ajudar a Itália com imigrantes, paralisou a cúpula por diversas horas. Ele disse mais tarde que não havia prometido a Merkel que a Itália irá receber de volta pessoas que chegaram à Alemanha após passarem pela Itália.

        Tal “imigração secundária” não deveria acontecer sob regras da UE, mas se mostrou imparável dentro da zona europeia de viagens sem controle.

        Conte iniciou sua primeira cúpula da UE com uma ameaça inicial de bloquear quaisquer e todos os acordos do encontro --que também envolviam comércio, segurança, Brexit e reforma da zona do euro.

        Isto forçou as negociações por toda a noite e gerou elogios de seu ministro do Interior em Roma, o linha-dura Matteo Salvini.

        No final, Conte disse que o que quis dizer é que a Itália não será a única responsável por todas as pessoas resgatadas no mar, enquanto Merkel recebeu garantias de combate à imigração secundária, que precisava em Berlim.

        O presidente das cúpulas da UE desde 2014, Donald Tusk, disse que esta foi uma das rodadas mais difíceis de conversas em sua carreira.

        “É muito cedo para falar sobre sucesso , disse Tusk em entrevista coletiva. Nós conseguimos chegar a um acordo, mas esta é, na verdade, a parte mais fácil da tarefa, comparada ao que nos aguarda quando começarmos a implementá-la.”

        (Reportagem de Gabriela Baczynska, Jan Strupczewski, Elizabeth Piper, Alissa de Carbonnel, Richard Lough, Robert-Jan Bartunek, Philip Blenkinsop, Jean-Baptiste Vey, Andreas Rinke, Peter Maushagen, Noah Barkin, Robin Emmott e Francesco Guarascio)

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