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Enel vai propor ao governo corte e replantio de árvores em SP para evitar apagões

Enel vai propor ao governo corte e replantio de árvores em SP para evitar apagões

Reuters

23/02/2026

Placeholder - loading - Logo da Enel em uma subestação em São Paulo, Brasil 26 de março de 2025 REUTERS/Amanda Perobelli
Logo da Enel em uma subestação em São Paulo, Brasil 26 de março de 2025 REUTERS/Amanda Perobelli

Atualizada em  23/02/2026

Por Leticia Fucuchima

SÃO PAULO, 23 Fev (Reuters) - A Enel quer ​propor em carta ao governo brasileiro um plano de corte e replantio de árvores na região metropolitana de São Paulo para diminuir a ocorrência de apagões por problemas com cabos da rede elétrica aérea, disse nesta segunda-feira o CEO global da companhia, Flavio Cattaneo.

Em coletiva de imprensa, o executivo afirmou que, nesse plano, seriam criados 'corredores de energia elétrica' que evitariam apagões como os que têm acontecido em fortes ventanias na região, que levam à queda de árvores e danificam os cabos aéreos da distribuidora.

'Ou instalamos rede subterrânea, o que significa investir nisso, ou cortamos as árvores, o ⁠que, obviamente, ⁠tem implicações ambientais. Esta é a nossa ​proposta, esta ‌é a nossa sugestão, tem uma carta que queremos enviar ao presidente Lula e ao ministro, em que direi: vejam, podemos cortar as árvores e plantar, em vez disso, árvores menores', explicou Cattaneo.

'E ainda teremos o mesmo número de árvores que tínhamos antes, ⁠apenas árvores menores', acrescentou.

Cattaneo já havia comentado mais cedo nesta segunda-feira sobre os ​problemas da Enel São Paulo, para a qual se discute a possibilidade de caducidade ​da concessão após recorrentes problemas com fornecimento de energia ‌diante de eventos climáticos extremos.

Segundo ​ele, ⁠o fato de a rede elétrica na região ser aérea torna praticamente impossível evitar apagões durante ventanias, algo que, em suas palavras, apenas 'Jesus Cristo' poderia resolver.

O executivo voltou a reforçar ainda que, na visão ​da companhia, a Enel tem cumprido com os requisitos que constam no contrato de distribuição de energia em São Paulo, de modo que não haveria base legal para a concessão ser encerrada antecipadamente.

'Então, essencialmente e legalmente, acho que estamos certos. Não temos medo algum. Agora, se ​as decisões não forem tomadas com base no mérito, mas sim por motivações políticas, bem, o que posso dizer?'.

A Enel tem defendido que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não pode incluir em sua análise sobre eventual caducidade da concessão o apagão de dezembro do ano passado, quando a atuação da empresa foi novamente classificada como insatisfatória pela fiscalização do órgão regulador. Segundo pareceres contratados pela Enel, isso seria ilegal e inconstitucional.

O CEO global da Enel disse ainda acreditar que o ​Brasil não irá tomar uma decisão 'sem racionalidade' e que confia em uma solução que permitirá a ‌continuidade dos investimentos da elétrica no país.

'Mas ⁠o Brasil não vai insistir em algo que não tenha racionalidade, nenhuma lógica. Seria um péssimo exemplo, depois de ter assinado o Mercosul', disse o executivo, citando o recente acordo firmado ⁠entre o bloco sul-americano e a União Europeia.

Cattaneo ressaltou ainda ⁠que a Enel não está interessada em ⁠vender a distribuidora paulista, ⁠uma ​especulação que surgiu no mercado diante da possibilidade de perda do contrato pela companhia italiana.

(Por Letícia Fucuchima)

Reuters

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