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    ENTREVISTA-Serviços e emprego vão determinar recuperação da economia, diz pesquisadora do Ibre/FGV

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    Trabalhador de cooperativa do município de Piedade prepara distribuição de itens vendidos por meio de aplicativo em meio ao surto de Covid-19, São Paulo 08/04/2020 REUTERS/Rahel Patrasso

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    Atualizada em  

    Por Isabel Versiani

    BRASÍLIA (Reuters) - O desempenho do setor de serviços e do emprego é o que vai determinar uma recuperação efetiva da economia brasileira no pós-pandemia, afirma Silvia Matos, pesquisadora sênior da área de economia aplicada do Ibre/FGV, para quem dados recentes que apontam retomada da indústria e do comércio podem criar uma falsa sensação de que o país está 'voando'.

    A economista argumenta que, enquanto a melhora desses setores já era em boa medida esperada diante da abertura gradual de fábricas e lojas e do pagamento do auxílio emergencial, o setor de serviços é muito mais dependente da interação social, que tende a seguir limitada e envolta em incertezas por mais tempo em meio à pandemia de Covid-19.

    'A velocidade na margem engana um pouco, porque parece que a gente já está voando', disse Matos, em referência a indicadores com o da produção industrial, que mostrou alta expressiva em junho frente a maio (+8,9%), ainda que siga em forte retração sobre 2019 (-9%). 'A grande variável para mim, sendo muito sincera, é o setor de serviços e também o emprego', disse.

    'Se você não observar melhora no mercado de trabalho, de volta de emprego, mês a mês, e ao mesmo tempo essa volta do setor de serviços, é muito risco de ter muita gente sem ter o que fazer mesmo, e não vai ter rede de proteção suficiente para isso', acrescentou.

    Em maio, o volume do setor de serviços caiu 0,9% frente a abril e 19,5% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados do IBGE. Enquanto isso, indústria e vendas no varejo já mostraram recuperação sobre o mês anterior, com altas de 7% e 13,9%, respectivamente, ainda que na comparação anual tenham caído 21,9% e 7,2%.

    A economista afirma que os dados na margem são importantes para mostrar que 'há luz no fim do túnel', mas não devem ser superdimensionados, e pondera que as retrações anuais se dão já sobre uma base baixa, uma vez que a economia caminhava em ritmo lento no ano passado, ainda antes do coronavírus.

    O Ibre calcula que o Produto Interno Bruto fechará o segundo trimestre com retração de 9,0% sobre janeiro-março, e crescerá 5,6% no terceiro trimestre. Para o ano fechado, a estimativa é de queda de 5,5% da economia, seguida de uma alta de cerca de 2,5% em 2021.

    Para Matos, serviços, principalmente aqueles prestados às famílias, na ponta, são o 'freio' para o PIB no ano. O setor como um todo responde por mais de 70% do valor adicionado da economia.

    'Nossa grande preocupação é em relação ao quarto trimestre em diante, à medida que os estímulos, principalmente a renda direta às pessoas, cessem. Aí começam as dúvidas e dificuldades de olhar mais para frente', afirmou Matos, que é coordenadora do Boletim Macro Ibre.

    EMPREGO

    Com o fim do auxílio, a expectativa é que um grande número de pessoas que hoje não está procurando emprego passem a fazê-lo, o que levará a um aumento da taxa de desemprego e a um achatamento da renda, afirma a economista. O país encerrou o segundo trimestre com a maior taxa de desemprego em três anos, de 13,3%, e redução recorde no número de pessoas ocupadas.

    Ela nota que, a depender do desenvolvimento do vírus no país, o setor informal, que tradicionalmente absorve trabalhadores em áreas como comércio de rua e corridas de aplicativos, seguirá restrito. Por outro lado, as empresas tenderão a aprofundar processos de automação e enxugamento de mão de obra que foram acelerados durante a pandemia.

    'Tem questões estruturais importantes, minha visão é que a gente vai ter dificuldade de ter emprego para todas essas pessoas', disse Matos.

    Nesse cenário, as pressões para que o governo estenda estímulos fiscais e promova outros gastos tende a aumentar, o que poderá ampliar desconfianças em relação à sustentabilidade fiscal e desestimular ainda mais os investimentos. A pressão por gastos pode encontrar terreno fértil com a aproximação das eleições em um governo que se mostra pouco afeito a 'comprar brigas', diz Matos.

    'Não acho que (o cenário à frente) é um desastre, a gente nunca pula no abismo... A sociedade brasileira tem essa capacidade de reagir, mas a gente perde tempo e a gente perde crescimento.'

    Escrito por Reuters

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