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    ENTREVISTA–Chefe da ONU diz que 'estamos condenados' sem ações climáticas mais ousadas

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    Guterres, durante entrevista à Reuters, na COP25, em Madri 11/12/2019 REUTERS/Susana Vera

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    Por Matthew Green

    MADRI (Reuters) - O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, exortou grandes economias mundiais nesta quarta-feira a firmarem compromissos mais ambiciosos para cortar as emissões de gases de efeito estufa no momento em que as conversas climáticas em Madri entraram em uma fase intensa.

    'Precisamos que os grandes emissores entendam que seu papel é essencial, porque se os grandes emissores fracassarem, tudo fracassará', disse Guterres em uma entrevista à Reuters.

    'Se só continuarmos como estamos, estamos condenados.'

    Guterres falava em um centro de conferências semelhante a um hangar, onde ministros de todo o mundo estão reunidos nos últimos dias das conversas de duas semanas, que visam fortalecer o Acordo de Paris de 2015 para evitar um aquecimento global catastrófico.

    Não se esperam grandes anúncios novos de grandes poluidores como China, Índia e Estados Unidos – estes últimos deixando o pacto – na cúpula, onde os delegados estão concentrados em negociações técnicas sobre as regras dos mercados de carbono.

    Mas Guterres torce para que as conversas terminem na sexta-feira com um sinal forte de que os governos estão dispostos a apresentar planos climáticos mais ousados em 2020, ano visto como um 'tudo ou nada' para o processo de Paris.

    Segundo o acordo, os países deveriam submeter metas mais rigorosas para reduzir as emissões de carbono antes da próxima rodada anual de conversas em Glasgow.

    Cientistas dizem que os compromissos atuais não estão nem perto de ser suficientes para estabilizar o clima da Terra a tempo de evitar uma elevação desastrosa do nível dos mares, danos graves à agricultura e secas e inundações que provocariam ondas de migração forçada em massa.

    Guterres exortou os grandes emissores a enviarem um sinal claro de que estão prontos para ser mais ambiciosos no ano que vem e, 'assim espera', se comprometer a zerar as emissões de carbono até 2050 – meta tida como vital para manter as temperaturas globais dentro de níveis administráveis.

    'A história não pode aceitar que minha geração traia nossos filhos e netos', disse Guterres, ex-primeiro-ministro português que fez do clima uma questão central desde que assumiu o comando da ONU no início de 2017.

    Ele saudou a iniciativa da União Europeia de adotar um novo 'Acordo Verde Europeu' para fazer a transição para uma economia de baixo carbono. Detalhes do acordo estavam sendo revelados em Bruxelas nesta quarta-feira para coincidirem com a cúpula climáticas da ONU.

    Escrito por Reuters

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