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Negociações entre EUA e Irã continuam, mas ataques à Arábia Saudita podem inviabilizar esforço, dizem fontes

Negociações entre EUA e Irã continuam, mas ataques à Arábia Saudita podem inviabilizar esforço, dizem fontes

Reuters

07/04/2026

Placeholder - loading - Pessoas observam escombros de um prédio da Universidade de Tecnologia Sharif, em Teerã, danificado por um ataque durante o conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã 7 de abril de 2026 Majid
Pessoas observam escombros de um prédio da Universidade de Tecnologia Sharif, em Teerã, danificado por um ataque durante o conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã 7 de abril de 2026 Majid

Atualizada em  07/04/2026

Por Asif Shahzad e Ariba Shahid

ISLAMABAD, 7 Abr (Reuters) - As negociações entre ​Estados Unidos e Irã correm o risco de descarrilar após os ataques de Teerã a instalações industriais da Arábia Saudita, disseram duas fontes paquistanesas com conhecimento das discussões à Reuters nesta terça-feira, conforme se esgotavam as horas que antecedem a ameaça do presidente Donald Trump de desencadear “o inferno” contra o país.

As próximas horas de conversações são críticas, disse uma das fontes. Trump deu ao Irã até às 20h em Washington (22h em Brasília e 3h30 em Teerã) para acabar com o bloqueio ao petróleo do Golfo Pérsico ou ver os EUA destruírem todas as pontes e usinas de energia no Irã.

O Irã prometeu retaliar os aliados dos EUA no Golfo, cujas cidades no deserto ficariam inabitáveis sem energia ou água. O Irã intensificou seus ataques durante a noite, atingindo um complexo petroquímico saudita, na mais recente ⁠evidência da capacidade ⁠do país de revidar os ataques israelenses e norte-americanos.

A ​guerra, que já ‌dura cinco semanas, matou milhares de pessoas em toda a região, principalmente no Irã e no Líbano, e resultou na pior interrupção do fornecimento de energia da história, devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, a principal artéria usada para o trânsito de um quinto do petróleo e do gás do mundo.

O Paquistão tem sido o principal intermediário para as ⁠propostas compartilhadas por ambos os lados, mas não há sinal de um compromisso.

No entanto, uma das fontes, ​uma autoridade graduada de segurança, disse que os ataques noturnos do Irã às instalações industriais da Arábia Saudita ligadas a ​empresas norte-americanas ameaçaram inviabilizar as negociações.

Se a Arábia Saudita retaliar, as negociações estariam ‌encerradas, disse a fonte, acrescentando que ​isso ⁠poderia atrair o Paquistão para o conflito, de acordo com seu pacto de defesa com Riad, que vincula as duas nações a lutar uma pela outra em caso de guerra.

Em uma ligação telefônica com o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, ​condenou os ataques às instalações sauditas, dizendo que o Paquistão estaria ao lado de seus irmãos e irmãs sauditas.

MENSAGENS SENDO TROCADAS

'Estamos em contato com os iranianos. Ultimamente, eles têm demonstrado flexibilidade para participar das conversações, mas, ao mesmo tempo, estão adotando linhas duras como pré-requisito para qualquer negociação', disse a fonte de segurança paquistanesa.

Ele acrescentou que Islamabad está tentando persuadir Teerã a entrar em negociações sem ​condições prévias.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã disse na segunda-feira que as mensagens ainda estão sendo trocadas entre o Irã e os EUA por meio de mediadores.

Uma fonte iraniana graduada disse que Teerã havia rejeitado uma proposta de cessar-fogo temporário com negociações dependentes do fim dos ataques israelenses e norte-americanos e da compensação por danos.

O Ministério das Relações Exteriores do Paquistão disse nesta terça-feira que os ataques à Arábia Saudita constituem uma escalada perigosa.

'Essas agressões injustificadas têm sérias repercussões, estragando as opções pacíficas em andamento e o ambiente propício', acrescentou uma declaração do Exército paquistanês após os principais comandantes se reunirem com o chefe do Exército Asim Munir.

O ​Paquistão quer evitar ser arrastado para a guerra, o que poderia causar estragos ao longo de sua fronteira ocidental compartilhada com o Irã e ‌provocar descontentamento entre sua grande população xiita, a segunda ⁠maior do mundo depois do Irã.

Os analistas dizem que o acordo de defesa pode não desencadear uma ação militar imediata, mas pode ser ativado se o conflito se agravar.

A disposição do Irã de correr o risco de constranger o Paquistão em um momento ⁠em que 'é crucial para a intermediação de um cessar-fogo revela o quanto Teerã está ⁠comprometido com uma estratégia de retaliação que pune o Golfo Pérsico ⁠pelos ataques dos EUA e ⁠de ​Israel', disse Adam Weinstein, especialista em Paquistão, Afeganistão e política dos EUA no Quincy Institute.

(Reportagem de Asif Shahzad, Ariba Shahid e Parisa Hafezi)

Reuters

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