ESTUDANTES BRASILEIROS DESENVOLVEM ÓCULOS QUE TRANSFORMAM IMAGENS EM INFORMAÇÕES POR ÁUDIO
Protótipo criado por alunos de Mato Grosso usa inteligência artificial para ajudar na leitura, identificação de objetos e reconhecimento de obstáculos
Bruna Valle
06/10/2026
Uma câmera para captar o que está à frente, um pequeno computador para processar as informações e um sistema de áudio para transformá-las em orientações. Essa é a base de um projeto desenvolvido por quatro estudantes do Instituto Federal de Mato Grosso, em Lucas do Rio Verde, que pode se tornar uma ferramenta de apoio para pessoas com deficiência visual.
Chamado de “Óculos com Inteligência Artificial para Acessibilidade de Deficientes Visuais”, o protótipo combina recursos de visão computacional e áudio para interpretar o ambiente e transmitir as informações ao usuário sem depender de uma tela. A iniciativa está entre as 30 semifinalistas do Solve for Tomorrow Brasil 2026, programa que incentiva estudantes da rede pública a desenvolver soluções para problemas reais.
A ideia nasceu de uma experiência próxima
O projeto começou a partir de uma situação observada pela estudante Bruna Stoinski, que tem uma pessoa com baixa visão na família. Ao acompanhar algumas das dificuldades enfrentadas no cotidiano, ela passou a pensar em como a tecnologia poderia ajudar a ampliar a autonomia de pessoas com deficiência visual.
A equipe então pesquisou soluções já disponíveis e percebeu que diferentes recursos poderiam ser reunidos em um único dispositivo.
A proposta não é criar uma tecnologia completamente inédita do zero, mas combinar ferramentas existentes e adaptá-las para uma necessidade específica. Entre as funções estudadas estão a leitura de palavras e textos, a identificação de objetos e o reconhecimento de obstáculos.

Estudantes trabalham no desenvolvimento do protótipo que combina visão computacional e áudio
Como os óculos funcionam
O protótipo reúne uma câmera, um mini computador com conectividade, alto-falante e fones de ouvido. A câmera capta as imagens e o sistema processa essas informações para identificar aquilo que está diante do usuário.
Em vez de apresentar o resultado em uma tela, a tecnologia transforma os dados em informações sonoras. Assim, a pessoa pode receber orientações enquanto se movimenta ou realiza uma tarefa, mantendo as mãos livres.
A equipe ainda está trabalhando no desenvolvimento e aprimoramento do sistema. Por isso, o projeto não deve ser entendido como um produto pronto ou como substituto de outras tecnologias assistivas, mas como uma solução em fase de construção.
Quem vai usar também participa da criação
Um dos pontos mais interessantes do projeto está na maneira como os estudantes estão buscando desenvolver a solução.
A equipe criou um formulário destinado a pessoas com deficiência visual para entender quais dificuldades enfrentam e quais recursos seriam realmente úteis em um dispositivo desse tipo. Os alunos também procuram contato com escolas e profissionais que trabalham com esse público para receber sugestões e, futuramente, testar o protótipo.
A ideia é evitar que a tecnologia seja desenvolvida apenas a partir da visão de quem não vai utilizá-la. As experiências e necessidades dos futuros usuários devem ajudar a definir as próximas etapas do projeto.
Um projeto que chegou à semifinal
O trabalho dos estudantes avançou para a semifinal da 13ª edição do Solve for Tomorrow Brasil, que selecionou 30 projetos de escolas públicas de diferentes regiões do país.
Nesta fase, as equipes recebem mentorias para aprimorar suas propostas antes da escolha dos finalistas. Os projetos participantes abordam temas variados, como sustentabilidade, saúde, segurança e acessibilidade.


