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    Estudo relaciona desmate na Amazônia a menores produtividades do milho no Brasil

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    Queimada em área desmatada da Floresta Amazônica na região de Porto Velho (RO) 24/08/2019 REUTERS/Ueslei Marcelino

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    Por Jake Spring

    BRASÍLIA (Reuters) - O desmatamento na Amazônia brasileira e no bioma vizinho, o Cerrado, pode estar prejudicando as produtividades regionais de milho, de acordo com um novo estudo divulgado nesta segunda-feira.

    Aproximadamente um quinto da Amazônia brasileira foi derrubada nos últimos 50 anos, quando o país passou de importador de alimentos a potência agrícola global. Em termos de milho, o Brasil é hoje o segundo maior exportador do mundo, só atrás dos Estados Unidos.

    Mas a devastação da floresta, que inclui mais de metade da vegetação natural do Cerrado, tornou a região mais quente --e este calor está associado a menores produtividades de milho, relataram cientistas no periódico científico Nature Sustainability.

    'A paisagem está ficando muito mais quente do que deveria', disse Stephanie Spera, coautora do estudo e cientista ambiental da Universidade de Richmond.

    'Estamos mexendo tanto com o sistema que podemos acabar não conseguindo mais fazer agricultura, especificamente o milho.'

    Os pesquisadores ligaram o desmatamento a uma redução de 5-10% das produtividades de milho na maior parte do Mato Grosso, o Estado brasileiro que mais produz grãos.

    As plantações de soja mostraram-se menos sensíveis que o milho às mudanças climáticas.

    Em Mato Grosso, também o maior produtor de soja do país, produtores geralmente plantam a oleaginosa na primeira e maior safra, para a colheita no verão, e depois semeiam o milho, na segunda safra, a partir de janeiro e fevereiro.

    Pelo calendário de cultivo, a soja tradicionalmente obtém melhores condições climáticas para se desenvolver, enquanto o milho é considerado uma cultura de maior risco, porque seu período de desenvolvimento avança para uma época em que chove menos no Estado.

    Spera e seus colegas usaram simulações de computador para ver como várias projeções de desmatamento impactariam as condições climáticas locais e o rendimento das colheitas, e compararam estes casos com a maneira como as colheitas poderiam ter sido sem o corte de árvores.

    O estudo apontou que, em 2016, as condições incluíram oito 'noites quentes' a mais por ano, com temperaturas acima dos 24 graus Celsius, do que se a floresta tivesse permanecido intacta.

    Estas temperaturas noturnas mais elevadas podem prejudicar o crescimento do milho.

    Os pesquisadores também analisaram possíveis situações futuras, entre elas todo o Cerrado ou o sudeste da Amazônia desflorestado e convertido em terras de cultivo.

    Nestes casos, previu-se que a produção de milho cairia até 20% em alguma áreas do Mato Grosso.

    O mesmo desmatamento que prejudica as lavouras também pode danificar a floresta remanescente. A perda de cobertura vegetal pode diminuir a quantidade de umidade disponível para o ciclo de chuvas.

    Alguns cientistas estimam que, se entre 20 e 25% do total da floresta tropical original é destruída, a Amazônia poderia entrar em uma espiral de morte, ficando sem chuvas e umidade suficientes, transformando-se em um cerrado.

    'O desmatamento interfere nas chuvas e reduz a produtividade agropecuária', disse Raoni Rajão, professor de gestão ambiental da Universidade Federal de Minas Gerais.

    O desmatamento na floresta amazônica brasileira acelerou para uma máxima de 11 anos em 2019, com mais de 10 mil quilômetros quadrados (2,5 milhões de acres) em 2019.

    O desflorestamento aumentou mais 34% nos primeiros cinco meses do ano, em comparação com o mesmo período do ano anterior, mostram dados preliminares do governo.

    Pesquisadores e especialistas acusam o presidente Jair Bolsonaro, que assumiu o cargo em 2019, de incentivar a derrubada de florestas revertendo as proteções ambientais.

    Bolsonaro pediu mais agricultura e mineração em áreas protegidas da floresta tropical, argumentando que as atividades comerciais ajudarão a tirar a região amazônica do Brasil da pobreza e que a maior parte da floresta tropical permanece intacta.

    'O futuro das mudanças climáticas já chegou, e a situação deve ficar pior', acrescentou o professor da UFMG.

    Escrito por Reuters

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