Capa do Álbum: Antena 1
A Rádio Online mais ouvida do Brasil
Antena 1

EUA e Brasil negociam acordo sobre minerais críticos, diz diplomata americano

EUA e Brasil negociam acordo sobre minerais críticos, diz diplomata americano

Reuters

18/03/2026

Placeholder - loading - Ilustração mostra blocos com símbolos e números atômicos de elementos de terras raras 6/02/2026 REUTERS/Dado Ruvic
Ilustração mostra blocos com símbolos e números atômicos de elementos de terras raras 6/02/2026 REUTERS/Dado Ruvic

Atualizada em  18/03/2026

Por Lisandra Paraguassu e Oliver Griffin

SÃO PAULO, 18 Mar (Reuters) - Os Estados Unidos ​estão em negociações com o Brasil para chegar a um acordo sobre cadeias de suprimento de minerais críticos, disse o Encarregado de Negócios dos Estados Unidos Gabriel Escobar, nesta quarta-feira, em meio a tensões diplomáticas com o governo brasileiro, que se retirou na semana passada de fórum patrocinado pela embaixada norte-americana.

'Temos uma proposta para um acordo em nível federal. Estamos discutindo, tivemos algumas discussões preliminares, mas ainda estamos esperando', disse Escobar, após assinar um acordo separado com o Estado de Goiás, em uma cerimônia antes do fórum nesta quarta-feira.

Representantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não puderam comparecer ao Fórum Brasil-Estados Unidos sobre Minerais Críticos em São Paulo devido a um conflito com um compromisso anterior, informou um porta-voz.

O evento patrocinado pela embaixada dos EUA, realizado na Câmara Americana de Comércio Amcham Brasil, em São Paulo, teve como objetivo incentivar a ⁠criação de redes entre ⁠investidores norte-americanos e empresas brasileiras que buscam produzir minerais críticos. ​O Citi ‌e a Anglo American estavam entre as empresas presentes.

Os EUA têm se esforçado para obter acesso a reservas de minerais críticos, especialmente às cadeias de suprimento de terras raras, atualmente dominadas por empresas chinesas.

Washington vê o Brasil como um alvo potencial para bilhões de dólares em investimentos, disse um porta-voz da embaixada dos EUA, acrescentando que US$600 milhões já foram investidos pela Corporação Financeira dos ⁠Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, conhecida como DFC, e pelo banco EXIM.

ATRITO DIPLOMÁTICO

No entanto, as tensões diplomáticas ​entre Washington e Brasília lançaram uma sombra sobre o evento da embaixada.

Autoridades de Brasília cancelaram a participação no evento, depois que um ​funcionário dos EUA pediu, na semana passada, para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro ‌na prisão, o que foi visto ​por ⁠Brasília como uma tentativa de se intrometer em assuntos internos. O Brasil barrou a entrada do enviado, alegando 'falseamento' dos motivos da visita.

As autoridades brasileiras receberam uma proposta para um memorando de entendimento em fevereiro, disseram três fontes à Reuters. Mas a proposta parecia ser uma cópia de uma proposta enviada ​a outro país, incluindo o nome do país errado, disse uma fonte à Reuters. O erro foi corrigido posteriormente.

As negociações estão em andamento com o escritório do representante de Comércio dos EUA, disseram as fontes, e como parte de uma possível visita de Lula a Washington.

No entanto, uma reunião entre Lula e o presidente Donald Trump, que deveria ocorrer em Washington neste mês, foi adiada em meio ao conflito entre EUA ​e Israel com o Irã e ao atrito diplomático entre Brasil e EUA.

PROCESSAMENTO LOCAL

As autoridades federais brasileiras expressaram sua frustração em particular com a decisão dos EUA de assinar o acordo com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, adversário político de Lula. A medida foi vista como uma tentativa de contornar o governo federal, disse uma autoridade brasileira que acompanha o assunto.

O acordo estabelece a cooperação entre os EUA e Goiás em diversas áreas, como o mapeamento do potencial mineral, a conexão dos mineradores locais com a tecnologia norte-americana e o aprimoramento das regulamentações, informou o governo estadual em um comunicado.

Goiás tem reservas de lítio, nióbio e é a sede da única empresa que produz comercialmente terras raras no ​Brasil, a Serra Verde, apoiada pelos EUA.

O governo estadual disse que o acordo visa promover 'capacidades completas de processamento e fabricação de valor agregado, incluindo separação ‌de terras raras, metalização, produção de ligas e fabricação de ⁠ímãs permanentes de neodímio' em Goiás.

Fazer avanços no processamento doméstico é uma prioridade para Lula, de acordo com um funcionário do Ministério do Comércio Exterior brasileiro, que pediu anonimato para discutir as negociações em andamento.

As autoridades norte-americanas veem potencial para bilhões de dólares em investimentos ⁠e identificaram mais de 50 projetos de mineração no Brasil que poderiam reforçar os esforços internacionais ⁠para diversificar o fornecimento, diminuindo o domínio da China em minerais ⁠críticos.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu em ⁠Brasília ​e Oliver Griffin em São Paulo; Reportagem adicional de Marcela Ayres e Bernardo Caram em Brasília, Marta Nogueira e Fabio Teixeira no Rio de Janeiro)

Reuters

Compartilhar matéria

Mais lidas da semana

 

Carregando, aguarde...

Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência.