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EUA reduzem ampla recomendação para quatro vacinas infantis, inclusive contra a gripe

EUA reduzem ampla recomendação para quatro vacinas infantis, inclusive contra a gripe

Reuters

05/01/2026

Placeholder - loading - Vacina MMR no Departamento de Saúde da cidade de Lubbock, em Lubbock, Texas, EUA  27 de fevereiro de 2025 REUTERS/Annie Rice
Vacina MMR no Departamento de Saúde da cidade de Lubbock, em Lubbock, Texas, EUA 27 de fevereiro de 2025 REUTERS/Annie Rice

Por Ahmed Aboulenein e Michael Erman

WASHINGTON, 5 Jan (Reuters) - Os Estados Unidos retiraram nesta ⁠segunda-feira sua recomendação de que todas as crianças sejam vacinadas contra a gripe e três outras doenças, medida que promove um dos objetivos de longo prazo do secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr.

A decisão de remover a recomendação das vacinas foi tomada um mês após o presidente Donald Trump pedir a redução do número de vacinas no calendário das crianças, dizendo que os EUA precisam se alinhar a outras nações desenvolvidas.

O diretor interino do CDC, Jim O'Neill, aprovou as diretrizes atualizadas, informou o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS, na sigla em inglês) nesta segunda-feira.

A medida foi tomada fora do processo típico de recomendações de vacinas, no qual um painel externo de consultores especializados dos Centros de Controle e ​Prevenção de Doenças considera os méritos de cada vacina com vistas ⁠à saúde ⁠pública.

Os EUA abandonaram sua recomendação para rotavírus, gripe, doença meningocócica e hepatite A, e afirmaram que os pais deveriam consultar os profissionais de saúde de acordo com o que eles chamam de tomada de decisão clínica compartilhada.

O Dr. Sean O'Leary, presidente da Academia norte-americana de Pediatria, disse que outros países desenvolvidos enfrentam riscos de doenças diferentes e têm sistemas de saúde diferentes dos Estados Unidos. Ao contrário dos EUA, ‌que dependem do sistema de saúde privado, a maioria dos países oferece um sistema de saúde universal básico ​pago pelo governo.

'Qualquer decisão sobre o calendário de vacinação infantil dos ‌EUA deve se basear em ​evidências, transparência ​e processos científicos estabelecidos, e não em comparações que ignoram as diferenças críticas entre países ou sistemas de saúde', disse.

Dois altos funcionários do HHS, Martin Kulldorf e Tracy Beth Hoeg, analisaram os protocolos de vacinação em 20 outros países desenvolvidos -- todos ​eles com sistema de saúde universal, ao contrário dos EUA -- e fizeram as recomendações para alterar o calendário dos EUA, informou a agência. Em um relatório, o HHS escreveu que o nível de risco varia de acordo com a doença e a criança.

Hoeg é diretora interina do Centro de Avaliação e Pesquisa de Medicamentos da Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) e membro ex officio da FDA no painel consultivo de vacinas do CDC.

Kulldorf é o diretor de ciência e dados do HHS e ex-membro do Comitê Consultivo de Práticas de Imunização. O relatório foi feito em consulta com especialistas do CDC, FDA, Institutos Nacionais de Saúde e Centros de Serviços Medicare e Medicaid, informou o HHS.

Os programas de vacinação dos 20 países analisados mostram que a vacina contra a gripe é recomendada universalmente em quatro deles e a vacina contra a hepatite A é universal apenas na Grécia. A vacina contra o rotavírus ⁠é recomendada para todas as crianças em 17 países e as vacinas contra a doença meningocócica são recomendadas em 16 países.

As ‌recomendações atualizadas mantêm as imunizações para 11 doenças, ⁠incluindo sarampo, caxumba e varicela, ao mesmo tempo em que categorizam outras como direcionadas a grupos de alto risco ou sujeitas à categoria de tomada de decisão compartilhada, informou o HHS.

Os provedores de seguro continuarão cobrindo os custos ‍de imunização, independentemente da categoria, disseram os altos funcionários do HHS a jornalistas em uma ligação telefônica. Entre as mudanças, o CDC agora recomenda uma única ​dose ‌da vacina contra o papilomavírus humano em vez de duas.

(Reportagem de Ahmed Aboulenein, em Washington, e Michael Erman, em Nova York)

Reuters

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