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    EXCLUSIVO-Brasil muda tradição diplomática e deve votar contra condenação de embargo a Cuba na ONU

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    Presidente Jair Bolsonaro discursa na Assembleia-Geral da ONU em Nova York 24/09/2019 REUTERS/Lucas Jackson

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    Por Lisandra Paraguassu e Anthony Boadle

    BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil deve votar contra a resolução da Organização das Nações Unidas que condena e pede o fim do embargo norte-americano a Cuba, alterando uma posição diplomática adotada desde 1992, quando a ONU votou pela primeira vez pela condenação ao embargo, disseram à Reuters fontes que acompanham o tema de perto.

    A resolução será votada na quinta-feira na plenária da Assembleia-Geral da ONU. De acordo com duas das fontes ouvidas pela Reuters, às vésperas de ter que apresentar seu voto, o embaixador Mauro Vieira, chefe da missão permanente do Brasil na ONU, ainda tenta convencer Brasília a pelo menos optar pela abstenção.

    'Essa mudança é muito provável, embora não tenha sido anunciada ainda', disse uma das fontes ouvidas pela Reuters sobre o assunto.

    A mudança se deve mais à tentativa do governo de Jair Bolsonaro em reforçar o alinhamento ideológico com o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, do que uma revisão fundamentada da posição diplomática brasileira.

    Uma alta fonte diplomática ouvida pela Reuters explica que a posição brasileira sempre se baseou no que considera uma defesa dos interesses brasileiros na questão, e não em tomar partido entre um e outro lado.

    'Se o governo dos Estados Unidos quer fazer um embargo unilateral, o problema é deles. O problema é quando eles usam a legislação interna contra agentes econômicos de terceiros países que comerciam com Cuba. Isso violaria nossa soberania ao punir nossas empresas pela legislação interna americana', explicou a fonte.

    A fabricante brasileira de cigarros Souza Cruz, pertencente à British American Tobacco PLC, tem uma joint-venture em Havana que produz a maioria dos cigarros em Cuba.

    A resolução condenando o embargo é apresenta pela Assembleia-Geral desde 1992. Em 2018, foi aprovada por 189 países, com votos contrários apenas dos Estados Unidos e de Israel, e sem os votos de Moldávia e Ucrânia.

    Bolsonaro, que costuma elogiar a ditadura militar brasileira, tem criticado a política anterior em relação a Cuba e disse que iria investigar empréstimos do Brasil à ilha.

    Em seu discurso na Assembleia-Geral da ONU em setembro, Bolsonaro afirmou que um plano de Castro, Hugo Chávez e Lula para estabelecer o socialismo na América Latina ainda está vivo e precisa ser combatido.

    Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores disse que o Brasil não comentaria a respeito da resolução sobre o embargo a Cuba antes de sua votação.

    Escrito por Reuters

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