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Fazenda mantém projeção para alta do PIB de 2026 em 2,3% e vê inflação levemente mais alta com conflito no Irã

Fazenda mantém projeção para alta do PIB de 2026 em 2,3% e vê inflação levemente mais alta com conflito no Irã

Reuters

13/03/2026

Placeholder - loading - Sede do Ministério da Fazenda em Brasília  14/02/2023 REUTERS/Adriano Machado
Sede do Ministério da Fazenda em Brasília 14/02/2023 REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  13/03/2026

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA, 13 Mar (Reuters) - A Secretaria de Política ​Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda manteve, nesta sexta-feira, sua projeção para o crescimento econômico em 2026 e previu uma inflação ligeiramente mais alta do que a projetada no mês passado, sob impacto de um conflito que espera ser temporário no Irã.

Relatório da SPE projetou a alta do PIB neste ano em 2,3%, mesmo nível estimado em fevereiro, mantendo previsão anterior de crescimento de 2,6% para a atividade em 2027.

A secretaria ainda estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará 2026 em 3,7%, contra 3,6% previstos antes.

“Destacam-se mudanças tanto na cotação do petróleo como na estimativa de câmbio médio para 2026... Essas mudanças ⁠alteraram as ⁠estimativas de inflação para 2026”, disse a ​SPE, ressaltando ‌que a variação no preço do petróleo tem efeitos relevantes sobre a economia brasileira.

Para 2027, a previsão para o IPCA acumulado está em 3%, centro da meta contínua.

As projeções não levaram em conta o pacote de medidas anunciado na quinta-feira para reduzir o impacto da alta do ⁠petróleo sobre os preços do diesel. De acordo com o secretário de Política ​Econômica, Guilherme Mello, as iniciativas tendem a gerar um aumento 'um pouco menor' da inflação, com efeito ​marginal sobre o PIB.

Na elaboração dos cálculos, a SPE disse ‌ter considerado um cenário ​no qual ⁠o recente choque nos preços do petróleo é apenas temporário, pressupondo um arrefecimento dos conflitos no Oriente Médio 'nos próximos dias'.

Nesse cenário base, a secretaria previu que a pressão inflacionária gerada pelo conflito será de 0,14 ponto ​percentual neste ano, com efeitos positivos de 0,1 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB) e de US$2,5 bilhões na balança comercial, além de ganho de R$21,4 bilhões na receita líquida do governo.

O documento avaliou que o choque nos preços de petróleo estimula a atividade extrativa no Brasil e gera renda ​que se propaga para outros segmentos, mas ponderou que o estímulo ao maior crescimento é parcialmente compensado por mudanças nos juros do país em reação à maior inflação.

A SPE acrescentou que o desempenho da indústria brasileira no ano passado veio abaixo do esperado pela Fazenda, reduzindo o carregamento estatístico para o crescimento projetado em 2026, o que contribuiu para que a estimativa para o PIB fosse mantida.

De acordo com a SPE, alta nos preços do petróleo beneficia a arrecadação do governo central por meio do recolhimento de ​royalties, participações de petróleo e outros tributos.

A secretaria ainda simulou cenários de choque persistente, a partir de uma ‌guerra mais duradoura e recuperação gradual da ⁠oferta de petróleo, e de choque disruptivo, com destruição estrutural de instalações produtivas e interrupções severas de logística.

Nesses cenários, quanto mais agudo o conflito, mais intensa seria a pressão inflacionária, com maiores ganhos ⁠para o PIB, a balança comercial e a arrecadação.

'A expectativa para ⁠2026, mesmo diante do conflito, é de que ⁠o crescimento siga resiliente, ⁠que ​a inflação continue em queda e que a meta para o resultado primário seja atingida', disse o documento.

Reuters

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