Capa do Álbum: Antena 1
A Rádio Online mais ouvida do Brasil
Antena 1

Fazenda espera inflação no teto da meta em 2026 sob efeito do conflito no Irã

Fazenda espera inflação no teto da meta em 2026 sob efeito do conflito no Irã

Reuters

18/05/2026

Placeholder - loading - Sede do Ministério da Fazenda em Brasília, 14 de fevereiro de 2023. REUTERS/Adriano Machado
Sede do Ministério da Fazenda em Brasília, 14 de fevereiro de 2023. REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  18/05/2026

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA, 18 Mai (Reuters) - A Secretaria de Política ​Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda elevou nesta segunda-feira suas projeções de inflação para 2026 e 2027, prevendo que o IPCA atingirá o teto da meta neste ano sob impacto do conflito no Irã.

A SPE também projetou um crescimento de 2,3% do PIB neste ano, mesmo nível estimado em março, apontando uma estimativa de alta de 2,6% para a atividade em 2027.

A secretaria estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará 2026 em 4,5%, contra 3,7% previstos antes. Em 2027, a previsão é de inflação de 3,5%, ante previsão de 3,0% feita em março.

“A perspectiva de maior inflação no ano reflete, principalmente, desdobramentos do conflito no Oriente Médio sobre ⁠os preços ⁠do petróleo e seus derivados”, disse a SPE.

O ​país tem ‌uma meta contínua de inflação de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos -- de 1,5% a 4,5%.

Apesar da elevação da estimativa para o comportamento dos preços, a Fazenda está mais otimista do que agentes de mercado, que esperam uma inflação de 4,92% neste ano, acima ⁠do teto da meta, segundo o mais recente boletim Focus do Banco Central.

De acordo ​com a SPE, parte da pressão de alta da inflação tende a ser atenuada pela taxa de ​câmbio mais apreciada e uma previsão de mercado de Selic ‌mais alta no fim deste ​ano, ⁠além das medidas adotadas pelo governo para amortecer elevações de preços de combustíveis.

A SPE destacou uma deterioração “relevante” no cenário internacional desde o início do conflito no Oriente Médio, com piora nas perspectivas de crescimento da atividade econômica dos países ​e maior pressão inflacionária global.

A pasta observou que indicadores do primeiro trimestre deste ano sugerem aceleração da atividade no Brasil após crescimento praticamente nulo no fim de 2025, apesar de destacar números elevados de endividamento e inadimplência.

A expectativa, segundo a SPE, é de uma desaceleração econômica no segundo e terceiro trimestres, com ligeira retomada ​no final do ano.

MEDIDAS EMERGENCIAIS

A secretaria ainda afirmou no relatório que medidas adotadas pelo governo para mitigar efeitos econômicos da guerra no Irã, incluindo subvenções e cortes tributários para combustíveis, geram custo fiscal inferior ao aumento esperado da arrecadação derivada do choque de petróleo, já que o Brasil é exportador líquido do produto.

'As estimativas iniciais da SPE apontam que, combinando o crescimento esperado no pagamento de royalties, dividendos, IRPJ e CSLL, somados ao imposto de exportação, pode-se esperar um aumento da arrecadação da ordem de R$8,5 bilhões ao mês', apontou o ​documento.

De acordo com o subsecretário de Política Fiscal da Fazenda, Rodrigo Toneto, após o compartilhamento de receitas com Estados e ‌municípios, o governo federal ficará com uma ⁠receita extra mensal de aproximadamente R$6 bilhões, valor similar ao gasto do primeiro conjunto de medidas emergenciais para diesel, GLP e querosene de aviação.

O cálculo ainda não incluiu a subvenção anunciada na semana passada para ⁠a gasolina. Toneto afirmou, no entanto, que a conta não deve ficar ⁠deficitária após a inclusão dessa nova despesa porque os ⁠números apresentados são conservadores ⁠e, ​segundo ele, os modelos sugerem que o nível das receitas será ainda maior.

(Por Bernardo Caram, edição de Isabel Versiani)

Reuters

Compartilhar matéria

Mais lidas da semana

 

Carregando, aguarde...

Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência.