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Fed deve manter juros conforme guerra no Oriente Médio abala debate sobre política monetária

Fed deve manter juros conforme guerra no Oriente Médio abala debate sobre política monetária

Reuters

18/03/2026

Placeholder - loading - Sede do Federal Reserve em Washington 14/11/2025. REUTERS/Elizabeth Frantz/File Photo
Sede do Federal Reserve em Washington 14/11/2025. REUTERS/Elizabeth Frantz/File Photo

Por Howard Schneider

WASHINGTON, 18 Mar (Reuters) - As autoridades do Federal Reserve, reunidas em um ​cenário de guerra que começou há menos de três semanas, devem manter a taxa de juros nesta quarta-feira, mas, mais significativamente, devem detalhar em um novo comunicado de política monetária e em novas projeções como sentem que a decisão do presidente Donald Trump de lançar um conflito aberto e sem prazo definido contra o Irã redefine as perspectivas para a economia dos Estados Unidos, a inflação e a política monetária.

Não há apostas seguras e, sem um ponto de parada claro para a campanha de bombardeio dos Estados Unidos e Israel, economistas dizem que os impactos domésticos e globais dependem de quanto tempo a guerra vai durar, da estrutura de qualquer governo iraniano que surja ao final dela e se os preços do petróleo subirão ainda mais além de US$100 por barril ou se recuarão logo para os níveis anteriores à guerra, abaixo de US$80.

O preço médio da gasolina nos EUA era de US$3,79 ⁠por galão na terça-feira, ⁠mais de 25% mais alto do que antes da guerra, ​de acordo com ‌dados do grupo de defesa dos motoristas AAA. Por sua vez, vários outros preços podem aumentar: as companhias aéreas começaram a alertar sobre a alta dos custos de viagem com o aumento do preço do combustível de aviação, e uma autoridade da Casa Branca disse que os EUA estavam buscando outras fontes de fertilizantes agrícolas.

À medida que os consumidores lidam com os preços mais altos relacionados ao petróleo, eles ⁠podem cancelar compras ou tentar reduzir totalmente os gastos, enquanto os parceiros comerciais dos EUA na Europa enfrentam um ​choque inflacionário ainda mais acentuado.

Para o Fed, a perspectiva deixou de ser a confiança no crescimento econômico estável e na desaceleração da inflação ​e passou a ser um cabo de guerra entre pressões de preços potencialmente crescentes ‌e novos riscos para o crescimento ​e o ⁠mercado de trabalho. As autoridades do banco central dos EUA apresentarão suas melhores estimativas sobre o que vem pela frente por meio de sua decisão de juros, do comunicado de política monetária e das projeções trimestrais atualizadas às 15h (horário de Brasília). O chair do Fed, Jerome Powell, dará uma coletiva à imprensa cerca ​de meia hora depois.

Diane Swonk, economista-chefe da KPMG, disse em uma análise feita na semana passada que o momento parece propício para que as projeções atualizadas do Fed se movam em uma direção estagflacionária. Ela disse que espera que uma inflação e desemprego mais altos sejam previstos para o final deste ano, e que a perspectiva para a taxa de juros seja ainda mais dividida entre as autoridades do banco central que defendem cortes para manter o ​mercado de trabalho nos trilhos e aquelas que defendem a manutenção de uma política monetária apertada - ou até mesmo a sugestão de aumentos com uma perspectiva de juros mais altos no final do ano.

'As previsões estão sendo feitas em meio a uma nuvem de incerteza. Eu esperaria que os participantes da reunião reduzam suas avaliações de crescimento, enquanto aumentam suas estimativas de inflação e desemprego', disse Swonk.

'O 'gráfico de pontos', que inclui as expectativas dos participantes quanto a aumentos ou cortes nos juros, provavelmente mostrará um pouco de ambos', com prováveis dissidências a favor de cortes por parte daqueles que acham que o Fed não deve ficar parado, mantendo os custos dos empréstimos estáveis em meio a um crescimento do emprego fraco e talvez em queda, e ​as projeções dos membros mais 'hawkish', contemplando um aumento nos juros antes do final do ano.

A guerra do Irã marca o segundo choque potencialmente estagflacionário que Trump provocou nas ‌perspectivas do Fed, já que, há um ano, os banqueiros ⁠centrais também consideraram as propostas tarifárias do novo governo como um golpe tanto para o crescimento quanto para os preços.

Embora o impacto inicial das tarifas de importação não tenha sido tão severo quanto o esperado, as empresas disseram que ainda estão no processo de repassar os custos mais altos, ⁠fato que já fez com que as autoridades, na reunião de 27 e 28 de janeiro ⁠do Fed, discutissem a possível necessidade de aumentos nos juros em vez ⁠de cortes.

O novo comunicado de ⁠política ​monetária será lido com atenção em busca de sugestões de que a política do Fed agora é 'bilateral', com o próximo movimento nos juros sendo potencialmente um aumento.

Reuters

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