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    Fiocruz adia entrega de doses de vacina da AstraZeneca para março após atraso de insumos

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    11/01/2021 REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa

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    Atualizada em  

    Por Pedro Fonseca

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) adiou de fevereiro para março a entrega das primeiras doses da vacina da AstraZeneca a serem produzidas no Brasil devido ao atraso na chegada do insumo farmacêutico ativo (IFA) da China, o que limitará a quantidade de doses para a imunização dos grupos de risco e diminuirá o ritmo da campanha de vacinação iniciada nesta semana no país.

    A informação sobre o atraso consta de ofício enviado pela Fiocruz ao Ministério Público Federal (MPF) no âmbito de apuração dos procuradores sobre o andamento dos trabalhos para a vacinação no país contra a Covid-19, informaram a Fiocruz e o MPF.

    Inicialmente, a Fiocruz esperava entregar o primeiro 1 milhão de doses da vacina desenvolvida pela AstraZeneca e a Universidade de Oxford produzidas pela fundação entre 8 a 12 de fevereiro, mas esse calendário contava com a chegada em 9 dejaneiro do insumo a ser importado da China.

    O princípio ativo, no entanto, ainda não foi liberado para exportação pelo governo chinês, em meio a uma soma de questões burocráticas e necessidade da China de suprir seu próprio mercado com vacinas, de acordo com fontes ouvidas pela Reuters.

    Além disso, as relações entre Brasil e China passam por um mau momento durante o governo do presidente Jair Bolsonaro, que criticou diversas vezes a vacina chinesa CoronaVac --atualmente a única disponível no Brasil-- e também irritou a China por sua intenção de bloquear a chinesa Huawei de participar no fornecimento de equipamentos 5G no Brasil.

    No ofício ao MPF, a Fiocruz informa que a chegada do IFA está prevista para 23 de janeiro e que estima que as primeiras doses serão disponibilizadas ao Ministério da Saúde no início de março.

    'Estima-se que as primeiras doses da vacina sejam disponibilizadas ao Ministério da Saúde em início de março de 2021, partindo da premissa de que o produto final e o IFA apresentarão resultados de controle de qualidade satisfatórios', disse a Fiocruz no ofício.

    Em nota, a fundação disse que, apesar do atraso, segue com o compromisso de entregar 50 milhões de doses até abril, de um total de 210,4 milhões este ano.

    De acordo com a Fiocruz, serão necessárias de três a quatro semanas para a entrega do primeiro lote de vacinas após a chegada do IFA: uma semana para a produção e as demais para controle de qualidade e documentação.

    'Importa mencionar que o período de testes, relativos ao controle de qualidade, está estimado em 17 dias, contados da finalização da respectiva etapa produtiva, acrescidos de mais 2 dias de análise pelo INCQS', acrescentou o ofício, referindo-se ao Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde.

    A Fiocruz já havia adiado a apresentação do pedido final de registro da vacina junto à Anvisa, que estava previsto para 15 de janeiro. A fundação disse que espera agendar reunião nesta semana com a agência para fazer o pedido de registro definitivo.

    Diante dos atrasos, a Fiocruz e o Ministério da Saúde tentam viabilizar a importação de 2 milhões de doses prontas da vacina da AstraZeneca produzidas pelo Instituto Serum, da Índia, mas também têm enfrentando atrasos.

    O avião que deveria ter decolado na semana passada para buscar os imunizantes no país asiático ainda não decolou, uma vez que a Índia tem priorizado a vacinação de sua própria população. Nesta terça, a Índia anunciou que começará a exportar a vacina quarta-feira, mas os primeiros lotes irão para países vizinhos.

    De acordo com o Ministério da Saúde, o acordo indiano com os vizinhos trata-se de “fornecimento assistencial', enquanto o acordo do Brasil é comercial e passa atualmente por fase de licenciamento aduaneiro.

    A vacina produzida na Índia recebeu autorização para uso emergencial da Anvisa no domingo, assim como a CoronaVac, da chinesa Sinovac, que já começou a ser aplicada no país.

    POUCAS DOSES

    O Brasil depende da produção de vacinas da Fiocruz para conseguir vacinar em massa a população.

    Apenas para vacinar os três grupos prioritários --trabalhadores de saúde, idosos, indígenas e pessoas com morbidades-- são necessárias 104,2 milhões de doses de vacina, para um total de 49,6 milhões de pessoas, de acordo com o plano de vacinação do governo federal.

    Atualmente o Brasil dispõe de 10,8 milhões de doses da vacina da Sinovac.

    A previsão da Fiocruz é produzir 100,4 milhões de doses com os insumos importados no primeiro semestre, e outros 110 milhões na segunda metade do ano já com insumo próprio, mediante acordo de transferência de tecnologia.

    No domingo, após a Anvisa aprovar o uso emergencial das vacinas, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que a responsabilidade de entregar o IFA era, por contrato, da AstraZeneca, e que o governo estava auxiliando nas tratativas.

    Segundo a AstraZeneca, o compromisso da empresa era entregar insumos para 15 milhões de doses entre janeiro e fevereiro, em um total de 100 milhões no primeiro semestre. A empresa acrescentou, em nota, que 'continua trabalhando para liberar os lotes planejados de IFA para a vacina o mais rápido possível'.

    Sem a vacina da Fiocruz, o Brasil iniciou a imunização esta semana com a vacina da chinesa Sinovac, que é parceira do Instituto Butantan.

    Diferente da Fiocruz, que é ligada ao governo federal, o Butantan --vinculado ao governo de São Paulo, comandado por João Doria, desafeto e rival político de Bolsonaro-- recebeu insumos da China para produção de 4,8 milhões de doses, além de ter importado 6 milhões de doses prontas.

    Os insumos do Butantan, no entanto, se esgotaram e o instituto agora também depende da exportação pela China. O presidente do Butantan, Dimas Covas, cobrou nesta terça-feira de Bolsonaro que atue para agilizar a liberação do produto pelo governo chinês.

    Escrito por Reuters

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