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    FMI corta estimativa de crescimento da América Latina em 2019; vê expansão de 0,8% do Brasil

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    REUTERS/Yuri Gripas

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    Por Rodrigo Campos e Dave Sherwood

    SANTIAGO (Reuters) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) realizou nesta terça-feira um forte corte nas estimativas de crescimento econômico da América Latina, dada uma desaceleração mais profunda no Brasil e no México, exacerbada por disputas comerciais globais e uma deterioração na confiança de investidores e analistas.

    Em seu relatório Perspectiva Econômica Global, o FMI disse que agora espera que a região como um todo registre expansão de 0,6% este ano, um corte de 0,8 ponto percentual em relação ao último cálculo de abril. Para 2020, a previsão também foi ajustada ligeiramente para baixo, para 2,3%.

    Globalmente, o FMI espera que o PIB cresça 3,2% este ano, cerca de 0,1% abaixo de sua estimativa anterior.

    No Brasil, onde a confiança está diminuindo após as reduções no rating de crédito e dúvidas sobre a viabilidade da reforma previdenciária, a estimativa do FMI é de que a economia tenha expansão de 0,8% neste ano, 1,3 ponto percentual a menos do que em abril.Para 2020, o crescimento seria de 2,4%, queda de 0,1 ponto em relação à projeção anterior.

    A estimativa ficou em linha com as projeções do governo brasileiro e do Banco Central.

    A redução expressiva da estimativa para o Brasil está relacionada, principalmente, às incertezas relacionadas ao futuro da reforma da Previdência.

    O primeiro turno da votação da reforma no plenário da Câmara dos Deputados, no entanto, ajudou a interromper as 20 semanas consecutivas de redução da previsão do crescimento por economistas na pesquisa Focus do banco central.

    'Claramente, a aprovação (da reforma previdenciária) no primeiro turno é um sinal positivo. Assumimos que a reforma vai passar e teremos um aumento considerável no crescimento em 2020 em comparação com este ano', afirmou Gian Maria Milesi-Ferretti. diretor do departamento de pesquisa do FMI, à Reuters.

    'Mas é principalmente nos próximos trimestres, enquanto a revisão reflete o que temos visto até agora.'

    O Fundo também apontou para uma desaceleração do PIB no México, que atualmente espera finalizar um novo acordo comercial com os Estados Unidos e o Canadá. A segunda maior economia regional crescerá 0,9% neste ano e aumentará para 1,9% no ano que vem, com uma redução de 0,7 ponto percentual na estimativa de 2019.

    A América Latina tem vivido uma desaceleração econômica nos últimos anos e em 2018 cresceu apenas 1%, segundo o FMI, prejudicada por fatores geopolíticos, declínio nos investimentos, dados mais moderados na China e, mais recentemente, por um cenário comercial mais tenso.

    Em seu relatório divulgado nesta terça-feira, o Fundo reduziu suas projeções de crescimento global para este ano e o próximo ano em 0,1 ponto percentual, para 3,2% e 3,5%, respectivamente, com riscos de queda em grande parte das estimativas.

    As ameaças incluem 'uma intensificação das questões sobre comércio e das tensões tecnológicas' que podem gerar um período prolongado de aversão ao risco, deixando as vulnerabilidades das economias emergentes ainda mais expostas.

    O FMI também ressaltou que a economia argentina contraiu no primeiro trimestre, mas em um ritmo mais lento do que em 2018, por isso reduziu ligeiramente sua estimativa para este ano para o país sul-americano.

    O relatório também chamou a atenção para a crise humanitária e o 'efeito devastador' da crise venezuelana, onde a economia irá contrair em torno de 35% este ano.

    Escrito por Reuters

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