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FMI diz que flexibilidade na política monetária do Brasil é justificável diante de incertezas

FMI diz que flexibilidade na política monetária do Brasil é justificável diante de incertezas

Reuters

01/06/2026

Placeholder - loading - Logo do FMI na sede, em Washington 24 de novembro de 2024 REUTERS/Benoit Tessier
Logo do FMI na sede, em Washington 24 de novembro de 2024 REUTERS/Benoit Tessier

Atualizada em  01/06/2026

SÃO PAULO, 1 Jun (Reuters) - O Fundo ​Monetário Internacional (FMI) avaliou que manter a flexibilidade nas próximas etapas da política monetária no Brasil é justificável dada a elevada incerteza e as novas pressões inflacionárias decorrentes dos altos preços globais da energia, calculando que a economia crescerá 2,5% no médio prazo.

Em relatório divulgado nesta segunda-feira após visita de equipe da instituição ao país, o FMI disse que a economia do Brasil tem permanecido resiliente diante de múltiplos choques e que o crescimento vai se recuperar em 2026, ⁠após ⁠desacelerar em 2025.

'O Brasil está relativamente ​protegido dos ‌aumentos globais dos preços do petróleo decorrentes da guerra no Oriente Médio, devido à sua condição de exportador líquido de petróleo e à alta participação de fontes de energia renováveis na geração de eletricidade', ⁠disse o FMI.

O Produto Interno Bruto do Brasil cresceu 1,1% no ​primeiro trimestre diante do impulso da agropecuária e da indústria e com ​o consumo ganhando força, mas a expectativa ‌é de desaceleração ​nos próximos ⁠trimestres.

O Banco Central iniciou o afrouxamento da política monetária, já tendo reduzido a taxa básica de juros Selic duas vezes neste ano em 0,25 ponto percentual cada, ​a 14,50%, mas vem pregando cautela diante dos impactos da guerra no Oriente Médio, que já afetaram a inflação nacional.

'O Banco Central cortou apropriadamente a taxa de juros em março e abril, em linha com o regime ​de metas de inflação do Brasil', disse o FMI.

O Fundo destacou, contudo, que a inflação recuou até o início de 2026, mas recentemente voltou a subir, refletindo os altos preços globais de energia. 'Esperamos que a inflação aumente no curto prazo antes de convergir para a meta de 3% até meados de 2028'.

O FMI ainda alertou que os esforços das autoridades para fortalecer a situação ​fiscal devem continuar.

'Economizar as receitas extraordinárias relacionadas ao petróleo, ao mesmo tempo em ‌que se oferece apoio direcionado e ⁠temporário, mobilizar receitas e enfrentar a rigidez de gastos, fortaleceria a sustentabilidade da dívida pública, reduziria os custos de financiamento e criaria espaço para ⁠investimentos prioritários', completou.

Em abril, o Fundo elevou a ⁠perspectiva de crescimento do Brasil a 1,9%, ⁠mas reduziu a ⁠conta ​para 2027 a 2,0%.

(Por Camila Moreira; edição de Fabrício de Castro e Paula Laier)

Reuters

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