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Forte dependência de tarifas prejudica impulso industrial de nações em desenvolvimento, diz Banco Mundial

Forte dependência de tarifas prejudica impulso industrial de nações em desenvolvimento, diz Banco Mundial

Reuters

17/03/2026

Placeholder - loading - Caminhões de contêiner estacionados no porto de Jawaharlal Nehru, na Índia 27/08/2025 REUTERS/Francis Mascarenhas
Caminhões de contêiner estacionados no porto de Jawaharlal Nehru, na Índia 27/08/2025 REUTERS/Francis Mascarenhas

Por Colleen Goko

JOHANESBURGO, 17 Mar (Reuters) - Os países em ​desenvolvimento estão buscando a política industrial de forma mais agressiva do que as nações ricas, mas muitos deles dependem excessivamente de ferramentas contundentes, como tarifas e subsídios, que provavelmente não funcionarão, alertou o Banco Mundial em um relatório nesta terça-feira.

Há muito tempo os governos têm apoiado a política industrial, usando ferramentas estatais para moldar a produção em vez de depender exclusivamente dos mercados, disse o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill, em um prefácio.

'No ano passado, 80% dos economistas do Banco ⁠Mundial voltados ⁠a países específicos relataram que os ​governos de ‌seus clientes buscaram sua orientação sobre como usar a política industrial de forma mais eficaz', escreveu Gill no relatório sobre estratégias em 183 nações.

O relatório constatou que as economias em desenvolvimento aplicam políticas industriais mais ⁠intensamente do que os países de alta renda, com as nações de ​baixa renda, em média, visando 13 setores para o crescimento, mais do ​que o dobro dos Estados mais ricos, de ‌acordo com os ​autores Ana ⁠Margarida Fernandes e Tristan Reed.

O relatório surge em um momento em que as tensões comerciais globais aumentam, com governos dos Estados Unidos à China usando cada vez mais ​medidas protecionistas para proteger setores estratégicos, alimentando debates sobre a melhor forma de promover empregos, exportações e desenvolvimento econômico.

Isso também marca uma reviravolta na posição do Banco Mundial, formulada há cerca de 30 anos, que dizia aos governos que ​a política industrial geralmente era um 'fracasso dispendioso', disse Gill.

'Esse conselho não envelheceu bem -- hoje em dia, ele tem o valor prático de um disquete', disse Gill.

No entanto, ele ressaltou que, embora a política industrial possa ser uma ferramenta viável, a implementação geralmente falha.

'Os governos geralmente recorrem a instrumentos pouco precisos, optando por tarifas contundentes e subsídios abrangentes em vez da precisão de parques industriais e programas de ​desenvolvimento de competências', disse ele.

As economias de baixa renda impõem as taxas tarifárias médias ‌mais altas sobre as importações, 12%, ⁠em comparação com 5% nos países de alta renda, segundo o relatório. Embora as tarifas possam proteger os novos setores em mercados com forte capacidade estatal ⁠e flexibilidade fiscal, muitos Estados mais pobres não ⁠têm recursos para absorver os custos associados.

'Todos ⁠os países estariam ⁠em ​melhor situação com uma abordagem mais pragmática e precisa', disse Gill.

(Reportagem de Colleen Goko)

Reuters

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