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Gangues intensificam o controle no Haiti apesar do policiamento mais agressivo, diz ONU

Gangues intensificam o controle no Haiti apesar do policiamento mais agressivo, diz ONU

Reuters

24/03/2026

Placeholder - loading - Forças de segurança haitianas patrulham gabinete do primeiro-ministro e a sede do Conselho Presidencial de Transição (CPT) em Porto Príncipe, Haiti  6 de fevereiro de 2026  REUTERS/Egeder Pq Fildor
Forças de segurança haitianas patrulham gabinete do primeiro-ministro e a sede do Conselho Presidencial de Transição (CPT) em Porto Príncipe, Haiti 6 de fevereiro de 2026 REUTERS/Egeder Pq Fildor

Por Aida Pelaez-Fernandez e Sarah Morland

24 ​Mar (Reuters) - Um em cada quatro haitianos vive em áreas controladas por gangues criminosas, de acordo com um relatório do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos nesta terça-feira, que constatou que os grupos armados continuaram a consolidar seu controle sobre extensas áreas da ilha caribenha, apesar do policiamento mais agressivo.

Pelo menos 5.519 pessoas foram mortas e 2.608 ficaram feridas entre janeiro de 2025 e março de 2026, quando o governo e a empresa militar ⁠privada ⁠Vectus Global lançaram operações de drones ​contra ‌gangues.

Dessas pessoas, mais de 60% foram vítimas de operações de segurança contra gangues, 27% foram mortas ou feridas por gangues, 8% por grupos de autodefesa, 3% pela polícia e 1% por execuções sumárias pelas ⁠autoridades locais.

Cinquenta e uma crianças foram mortas e 38 ficaram ​feridas durante as operações de segurança, segundo o relatório, enquanto balas perdidas e ​explosivos atingiram pessoas em suas casas ou ‌nas ruas.

Nenhuma investigação ​sobre a ⁠legalidade das operações de segurança parece ter sido aberta nesse período, assim como nenhum mecanismo de responsabilização e reparação para as vítimas foi implementado.

Cerca de 90% ​dos assassinatos cometidos por gangues resultaram do uso de armas de fogo traficadas ilegalmente de países vizinhos.

O relatório documentou 1.578 vítimas de estupro -- incluindo 165 crianças -- a maioria durante estupros coletivos.

Até o final de 2025, a ​força de segurança apoiada pela ONU contava com 981 soldados, bem abaixo da metade da meta de 2.500. Em setembro, o Conselho de Segurança votou a favor da expansão de seu mandato, mas novos destacamentos ainda não chegaram.

'As gangues continuam a usar a violência, incluindo assassinatos, ferimentos, sequestros, tráfico de pessoas, estupro e exploração sexual, para exercer seu domínio sobre uma população que está ​sangrando até secar', disse o relatório.

Com relação às operações de segurança com a ‌Vectus, o relatório afirma: 'Alguns, ou mesmo ⁠a maioria, desses ataques de drones e operações de helicópteros podem ser descritos como assassinatos seletivos... enquanto o único objetivo das operações policiais seletivas ⁠contra indivíduos deveria ser sua prisão e detenção'.

O ⁠relatório pediu maior responsabilização e mais ⁠mecanismos para garantir ⁠a ​segurança de civis, especialmente menores de idade.

(Reportagem de Aida Pelaez-Fernandez e Sarah Morland)

Reuters

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