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Governo afegão diz que ataque aéreo paquistanês matou mais de 400 em hospital de Cabul; Paquistão nega

Governo afegão diz que ataque aéreo paquistanês matou mais de 400 em hospital de Cabul; Paquistão nega

Reuters

17/03/2026

Placeholder - loading - Voluntários da Cruz Vermelha carregam corpo de vítima de ataque em Cabul  17/3/2026   REUTERS/Sayed Hassib
Voluntários da Cruz Vermelha carregam corpo de vítima de ataque em Cabul 17/3/2026 REUTERS/Sayed Hassib

CABUL, 17 Mar (Reuters) - Mais de 400 pessoas foram ​mortas e 250 ficaram feridas em um ataque aéreo do Paquistão a um hospital de reabilitação de drogas em Cabul, disse um porta-voz do governo afegão do Taliban na terça-feira, em uma escalada acentuada no conflito entre os vizinhos.

O Paquistão rejeitou a alegação como falsa e enganosa e disse que 'visou precisamente instalações militares e infraestrutura de apoio ao terrorismo' na noite de segunda-feira.

'As detonações secundárias visíveis após os ataques indicam claramente a presença de grandes depósitos de munição', disse o ministro da Informação paquistanês, Attaullah Tarar, em um post no X.

O ataque ⁠aéreo ocorreu ⁠horas depois que a China disse que ​continuava disposta ‌a seguir os esforços para aliviar as tensões entre as nações islâmicas do sul da Ásia e pediu que ambas evitassem expandir a guerra e voltassem à mesa de negociações.

O conflito que começou no mês passado é o pior já ⁠ocorrido entre os vizinhos que compartilham uma fronteira de 2.600 km. O conflito ​havia diminuído em meio a tentativas de países amigos, incluindo a China, de mediar ​e acabar com os combates, antes de recrudescer ‌novamente, desta vez poucos ​dias antes ⁠do festival Eid al-Fitr, que marca o fim do mês sagrado do Ramadã.

A escalada ocorre em meio a uma instabilidade mais ampla na vizinhança, onde os ataques dos EUA e de ​Israel ao Irã e a retaliação de Teerã mergulharam o Oriente Médio em uma crise.

JUÍZO FINAL

No local, uma estrutura de um andar enegrecida exibia as marcas das chamas. Em outros lugares, os edifícios foram reduzidos a montes de madeira e metal, com apenas alguns ​beliches ainda intactos em alguns deles, enquanto cobertores, pertences pessoais e roupas de cama estavam espalhados.

O porta-voz do Ministério do Interior, Abdul Mateen Qanie, disse que 408 pessoas foram mortas e 265 ficaram feridas. As autoridades afegãs disseram que os mortos e os feridos foram levados para hospitais nos arredores de Cabul, mas não forneceram detalhes sobre quantos corpos foram recuperados e como as vítimas foram contadas.

Segundo moradores, hospital funcionava em um local onde antes havia ​uma base militar.

Testemunhas disseram que ouviram a explosão de três bombas no momento em que as ‌pessoas no hospital estavam terminando as orações ⁠da noite e que duas delas atingiram quartos e áreas de pacientes.

'O lugar inteiro pegou fogo. Foi como o dia do juízo final', declarou Ahmad, 50 anos, afirmando estar ⁠em tratamento na instituição e deu apenas seu primeiro ⁠nome. 'Meus amigos estavam se queimando no fogo ⁠e não conseguimos salvar ⁠todos ​eles.'

(Reportagem de Mohammad Yunus Yawar em Cabul, Asif Shahzad em Islamabad e Ariba Shahid em Karachi)

Reuters

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