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Governo dará garantia para renegociação de dívidas e deve restringir apostas em bets

Governo dará garantia para renegociação de dívidas e deve restringir apostas em bets

Reuters

07/04/2026

Placeholder - loading - Moedas de real em  foto tirada no Rio de Janeiro em 15 de outubro de 2010. REUTERS/Bruno Domingos
Moedas de real em foto tirada no Rio de Janeiro em 15 de outubro de 2010. REUTERS/Bruno Domingos

Atualizada em  07/04/2026

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA, 7 Abr (Reuters) - O plano em preparação pelo governo do presidente ​Luiz Inácio Lula da Silva com foco na redução do endividamento das famílias prevê a concessão de garantia da União para renegociação de débitos, e deve criar restrições para apostas em bets por pessoas que aderirem ao programa, disseram duas fontes com conhecimento do assunto.

Ministros fizeram nesta terça-feira reunião com Lula sobre as linhas gerais do programa, que deve atender pessoas inadimplentes, especialmente as de baixa renda, e indivíduos com as contas em dia, mas que têm alto nível de comprometimento de renda, disse uma das fontes.

O programa, que, segundo ela, deve ser anunciado nesta semana, terá também um eixo específico para resolução de débitos de micro, pequenas e médias empresas.

Para viabilizar uma redução dos juros cobrados pelas instituições financeiras, o governo deve fazer um aporte no Fundo Garantidor de Operações (FGO), criado na pandemia e que hoje não tem recursos suficientes para sustentar o programa. Esse repasse para o fundo teria impacto sobre o resultado fiscal da União.

Entre as ideias em avaliação está ⁠o uso de dinheiro esquecido ⁠por correntistas no sistema financeiro, atualmente em R$10,5 bilhões, segundo ​dados do Sistema ‌Valores a Receber do Banco Central. Uma das fontes ponderou que ainda não há decisão final tomada sobre esse ou outro tipo de aporte ao fundo.

O governo Lula já havia implementado outro programa de renegociação de dívidas entre 2023 e 2024, o Desenrola, que renegociou R$53 bilhões em dívidas de aproximadamente 15 milhões de pessoas e envolveu o desembolso de R$1,7 bilhão da União em garantias. No entanto, dados de endividamento da população seguiram ⁠em alta em meio a iniciativas de estímulo ao crédito e taxas de juros elevadas.

Dados do BC mostram que o ​comprometimento de renda das famílias com dívidas atingiu 29,3% em janeiro. A marca, também alcançada em outubro de 2025, é a mais elevada da ​série histórica iniciada em 2011 pela autoridade monetária.

O plano que busca reverter esse quadro será ‌apresentado meses antes das eleições de outubro, ​quando Lula ⁠deve tentar a reeleição. O presidente enfrenta dificuldades em pesquisas de popularidade apesar de um cenário com inflação e desemprego em níveis historicamente baixos, e tem colocado o endividamento como problema central a ser combatido.

BETS

Uma das fontes destacou que uma das preocupações do governo diz respeito às bets como fonte de aumento do endividamento das famílias. ​Por isso, a ideia é propor uma restrição aos jogos para quem entrar na renegociação promovida pelo governo.

Ela afirmou que também entrou em avaliação a possibilidade de liberação de recursos do FGTS a trabalhadores que queiram usar o dinheiro para abater dívidas, mas não há definição sobre a medida, até o momento.

Após a reunião com Lula, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou na tarde desta terça que o plano deve incluir mais de uma frente de renegociação com desconto para ​atender pessoas físicas e empresas e que deve haver uma contrapartida para quem aderir ao programa, citando especificamente a possível restrição a bets.

'A gente tem discutido muito ter uma contrapartida em que a gente limite o posterior endividamento dessas pessoas como, por exemplo, com bets, com apostas digitais, para que a gente não desafogue, não desenrole as pessoas e, no ato seguinte, as pessoas voltem a se endividar', disse.

Durigan acrescentou que o diagnóstico apresentado a Lula apontou como mais problemáticos o cartão de crédito, o cheque especial e o crédito pessoal sem garantia, que têm taxas de juros elevadas.

O ministro também confirmou que o uso do FGTS para abater dívidas está em debate no governo, mas ressaltou que o tema ainda passa por análise conjunta com o Ministério do Trabalho e Emprego.

A Reuters mostrou ​em março que o governo também estuda alternativas para conter os juros praticados pelas instituições financeiras na concessão de empréstimos com desconto em folha de trabalhadores do setor privado, ‌e avalia regulamentar o uso do FGTS como garantia dessas operações.

A ⁠equipe econômica tem preocupação com o custo do programa de crédito, em meio a um cenário de restrições orçamentárias e após a adoção de uma série de medidas com impacto fiscal nas últimas semanas para mitigar efeitos da guerra no Irã, disse essa fonte.

Durigan se reuniu na segunda-feira com o presidente da ⁠Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para apresentar as linhas gerais do plano de crédito, segundo a fonte.

No ⁠encontro, o ministro fez um apelo para que não sejam votadas propostas de ⁠custo elevado, como o estabelecimento, na ⁠Constituição, ​de um nível mínimo de gastos com assistência social e a ampliação do escopo de empresas que podem aderir ao Simples Nacional.

(Por Bernardo Caram, edição de Isabel Versiani)

Reuters

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