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Governo eleva em US$6,5 bi registro de exportações desde setembro após falha humana

Placeholder - loading - Prédio do Ministério da Economia em Brasília 03/01/2019 REUTERS/Adriano Machado
Prédio do Ministério da Economia em Brasília 03/01/2019 REUTERS/Adriano Machado

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Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O governo anunciou nesta segunda-feira uma correção para cima no registro das exportações de setembro a novembro, atribuindo a uma falha humana uma subnotificação de 6,488 bilhões de dólares que ajudou a piorar o resultado da balança comercial brasileira divulgado originalmente.

O Ministério da Economia informou que, por um erro na transmissão de dados, as exportações não vinham sendo devidamente apuradas desde setembro, o que foi corrigido na semana passada.

Com a atualização, as exportações aumentaram em 1,368 bilhão de dólares em setembro e 1,345 bilhão de dólares em outubro, divulgou o Ministério da Economia nesta tarde.

Na quinta-feira passada, a pasta já havia informado que, para o acumulado das quatro primeiras semanas de novembro, havia sido constatada uma subnotificação de 3,775 bilhões de dólares nas exportações.

A balança comercial é uma variável de peso na apuração das transações correntes, que consideram o resultado das transações de bens e serviços realizados pelos brasileiros com o exterior. Com a piora no saldo comercial, o déficit nas transações correntes, divulgado mensalmente pelo Banco Central, tem ficado mais alto nos últimos meses.

Nesta segunda, O BC afirmou que as estatísticas de balanço de pagamentos serão revisadas na sua próxima publicação.

Segundo o diretor de Desenvolvimento do Serpro, Ricardo Jucá, o erro foi humano e causado pelo fato de um funcionário não ter acionado um comando adicional para a leitura de todos os dados, conforme mandava o protocolo. O Serpro é responsável pelo sistema que reúne e compila as informações comerciais.

'Sistema não tem erro, sistema está íntegro', disse Jucá.

Questionado se haveria alguma revisão de contrato ou punição ao Serpro, o subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Herlon Brandão, afirmou que isso ainda está sendo avaliado.

Após dados parciais de novembro terem inicialmente apontado que a balança comercial estava no vermelho e de isso ter contribuído para o avanço do dólar frente ao real, Brandão disse não poder precisar as consequências das falhas na transmissão de dados.

'Tem muita especulação em volta disso, não temos avaliação mais firme para sabermos quais foram as consequências da subnotificação', afirmou.

Já considerando os dados corrigidos, a balança comercial teve um superávit de 3,428 bilhões de dólares em novembro, pior desempenho para o mês desde 2015 (+1,177 bilhão de dólares).

No acumulado dos onze meses do ano, o superávit foi de 41,079 bilhões de dólares, queda de 21,1% sobre igual etapa do ano passado. Este também foi o desempenho mais fraco para o período desde 2015 (+13,3 bilhões de dólares).

Como a projeção do Ministério da Economia era de um superávit de 41,8 bilhões de dólares para 2019, Brandão reconheceu ser possível que o consolidado do ano fique um pouco superior a esse valor.

CARNE MAIS CARA

Em coletiva de imprensa, Brandão também chamou atenção para o fato de a carne bovina, cujo preço tem subido no país, ter sido o produto com maior crescimento entre os exportados pelo Brasil em novembro.

Houve alta de 45% em valor na comparação com igual mês do ano passado, a 756 milhões de dólares, com crescimento de 19,3% do volume e 21,6% por cento dos preços.

A maior parte das vendas foi para a China, apontou Brandão, avaliando ainda que há demanda externa aquecida pelo produto, o que tem reflexo para os preços praticados no país.

Escrito por Reuters

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