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    Governo promete plano sobre queimadas, mas apresenta medidas já conhecidas

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    10/09/2019 REUTERS/Bruno Kelly

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    BRASÍLIA (Reuters) - Um dia depois de ter sido fortemente criticado por entidades do agronegócio, o governo federal uniu três ministros no Palácio do Planalto para anunciar um 'novo plano de atuação contra queimadas', mas as medidas apresentadas foram as mesmas já em vigor desde o início deste ano.

    De acordo com o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, o governo vai 'atuar de forma contundente para zerar o desmatamento ilegal', acrescentando que dados apontam para uma redução de 30% em agosto, na comparação com o mesmo mês do ano passado.

    Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com o sistema Deter, mostram que entre agosto de 2020 e julho de 2021, 8.712 km² foram desmatados na Amazônia, cerca de 5% menos que no período anterior.

    De acordo com o ministro, o governo dobrou o orçamento dos órgãos de fiscalização --o que já havia sido anunciado no início do ano-- e irá contratar mais 700 fiscais para o Ibama e o ICMBio, além de 6 mil brigadistas temporários para o combate a queimadas.

    Apesar da presença de três ministros --além de Leite, estavam Ciro Nogueira, da Casa Civil, e Anderson Torres, da Justiça-- e da afirmação de que o tema é prioridade para o governo, nenhum deles se dispôs a responder perguntas.

    Coordenador do Conselho Nacional da Amazônia, o vice-presidente Hamilton Mourão não estava presente.

    Na segunda-feira, sete organizações do agronegócio divulgaram uma nota em que criticam fortemente a atuação no governo, destacando a preocupação com os 'atuais desafios à harmonia político-institucional', afirmando que tensões políticas estão custando caro ao país no cenário internacional e levarão tempo para serem revertidas.

    Apesar da nota se concentrar nas constantes ameaças de ruptura democrática, vozes do agronegócio têm criticado o governo também na atuação do combate ao desmatamento ilegal, que afeta a imagem do setor entre importadores.

    Em entrevista ao programa Roda Viva, na noite de segunda-feira, o presidente da Associação Brasileira de Agronegócio, Marcello Brito, fez críticas à atuação do governo na área.

    'O nosso desafio enquanto país, voltando à nossa querida Amazônia, é chegar na COP (Conferência das Partes sobre o Clima, que acontece em novembro) e apresentar um programa sólido, que tenha começo, meio e fim', afirmou. 'Mas o Brasil vai chegar na COP devendo, vamos chegar lá para dar respostas. E pela segunda vez, vamos chegar a uma COP sem estar entre os líderes, vamos chegar entre os liderados.'

    (Reportagem de Lisandra Paraguassu; Edição de Alexandre Caverni)

    Escrito por Reuters

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