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    Guedes não vê crise política, espera reforço de R$280 bi este ano para diminuir dívida

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    CAMPOS DO JORDÃO (Reuters) - O ministro da Economia, Paulo Guedes, expressou confiança no andamento da reforma da Previdência e afastou o diagnóstico de uma 'crise política extraordinária', minimizando ruídos e desentendimentos após a conturbada audiência pública da qual participou na Câmara dos Deputados esta semana.

    Em outra frente, o ministro defendeu que o time econômico está empenhado na retomada do reequilíbrio fiscal, pontuando que, em relação à dívida pública, o governo federal espera receber 280 bilhões de reais em retornos neste ano que ajudarão na diminuição dos gastos nessa frente.

    O montante inclui 80 bilhões de reais em privatizações, 80 bilhões de reais com devoluções da Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil em instrumentos híbridos de capital e dívida e mais 120 bilhões de reais com pagamento antecipado do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao Tesouro, disse Guedes no Fórum Empresarial LIDE.

    O ministro também avaliou que as lideranças políticas estão a seu lado e querem a reforma da Previdência, incluindo o presidente Jair Bolsonaro e os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

    'Então eu vou ter medo do que? De tratar com algum desrespeito quem me tratou por mais de 6 horas com muito desrespeito?', disse ele, em referência ao episódio na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, quando foi chamado de 'tchutchuca' pelo deputado Zeca Dirceu (PT-PR).

    Bastante aplaudido pela plateia, composta majoritariamente de empresários, Guedes afirmou ter 'absoluta tranquilidade' com uma dinâmica maior dos eventos, afirmando que desentendimentos acontecem e são ruídos.

    'Minha experiência com a classe política tem sido a melhor possível, superconsciente, superconstrutiva', disse.

    Durante sua fala, ele também defendeu a introdução do regime de capitalização no sistema previdenciário com diminuição de encargos trabalhistas.

    O ministro também voltou a dizer que o regime de capitalização não implica o pagamento de um salário menor que o mínimo aos trabalhadores que não conseguirem poupar o suficiente, já que o Congresso pode optar pela instituição de uma camada nocional, que garantirá o mínimo a todos com a introdução de imposto de renda negativo.

    Sobre outras mudanças que virão adiante, Guedes afirmou que o choque de energia barata se dará pela quebra do monopólio da distribuição de gás. A expectativa, com isso, é que o preço do gás de cozinha caia pela metade daqui um ano e meio ou dois, disse.

    A respeito da reforma tributária, o ministro voltou a enfatizar a estratégia de unificação de tributos e disse que o presidente da Câmara já está dando os primeiros passos para a reforma no futuro.

    'Tem que começar a reduzir os impostos, eliminar impostos, simplificar e reduzir. Vamos pegar 3, 4, 5 impostos, vira só um imposto único federal em vez de ficar com 5, 6, 7 rubricas diferentes', disse.

    'Tem que mudar a base de incidência, estamos estudando isso também. Vamos fazer um IVA como ele for, um IVAzinho bem desenhado, para todo mundo bater palma. E vamos namorar outras bases de incidência para mais tarde', acrescentou.

    (Reportagem de Eduardo Simões)

    Escrito por Thomson Reuters

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