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Homem de 80 anos é 1º na França a se desculpar formalmente por ligações de família com escravidão

Homem de 80 anos é 1º na França a se desculpar formalmente por ligações de família com escravidão

Reuters

18/04/2026

Placeholder - loading - Pierre Guillon de Prince, descendente de uma famosa família de Nantes, cujos ancestrais eram proprietários de navios que transportavam pessoas escravizadas, e Dieudonne Boutrin, descendente de african
Pierre Guillon de Prince, descendente de uma famosa família de Nantes, cujos ancestrais eram proprietários de navios que transportavam pessoas escravizadas, e Dieudonne Boutrin, descendente de african

Por Catarina Demony

18 Abr (Reuters) - Um homem de 80 ​anos emitiu neste sábado o que se acredita ser o primeiro pedido formal de desculpas de alguém na França pelo papel de sua família na escravidão transatlântica, dizendo que esperava que outros - inclusive o governo - o sigam.

Os ancestrais de Pierre Guillon de Prince, baseados em Nantes, o maior porto da França para a escravidão transatlântica, eram armadores que transportaram cerca de 4.500 africanos escravizados e possuíam plantações no Caribe.

Guillon de Prince disse que outras famílias francesas devem confrontar seus laços históricos com a escravidão e que o Estado deve ir além de gestos simbólicos ⁠para ⁠lidar com o passado, inclusive por meio ​de reparações.

'Diante ‌do aumento do racismo em nossa sociedade, senti a responsabilidade de não deixar que esse passado fosse apagado', disse o homem de 86 anos, acrescentando que quer passar a história da família para seus netos.

Ele fez o pedido de desculpas em ⁠uma reunião em Nantes antes da inauguração de uma réplica de 18 metros ​do mastro de um navio, ao lado de Dieudonné Boutrin, um descendente de escravos ​da ilha caribenha da Martinica.

Os dois trabalham juntos na ‌Coque Nomade-Fraternité, uma associação ​dedicada a 'quebrar ⁠o silêncio' sobre a escravidão, e disseram que o mastro servirã como um 'farol de humanidade'.

'Muitas famílias de descendentes de traficantes de escravos não ousam se manifestar por medo de reabrirem velhas feridas ​e raiva', disse Boutrin, 61 anos. 'O pedido de desculpas de Pierre é um ato de coragem.'

Do século XV ao século XIX, pelo menos 12,5 milhões de africanos foram sequestrados e transportados à força, a maioria em navios europeus. Estima-se que a França tenha traficado 1,3 ​milhão de pessoas.

A iniciativa de Guillon de Prince segue desculpas formais semelhantes - que incluem compromissos para ajudar a reparar os danos causados pelos antepassados - por algumas famílias do Reino Unido e em outros lugares.

CRESCEM OS PEDIDOS DE REPARAÇÃO

A França reconheceu a escravidão transatlântica como um crime contra a humanidade em 2001, mas, como a maioria dos países europeus, nunca se desculpou formalmente por seu papel.

Durante seu mandato, o presidente francës, Emmanuel Macron, ampliou o acesso aos arquivos sobre ​o passado colonial da França. No ano passado, ele disse que criaria uma comissão para examinar ‌a história da França com o Haiti, ⁠sem mencionar reparações.

Os pedidos de reparação - que vão de desculpas oficiais a compensações financeiras - estão crescendo em todo o mundo, mesmo quando os críticos argumentam que os Estados e ⁠as instituições não devem ser responsabilizados por crimes históricos.

No mês ⁠passado, a França se absteve nas Nações ⁠Unidas de uma resolução ⁠liderada ​pela África que declarava a escravidão como o 'mais grave crime contra a humanidade' e pedia reparações.

Reuters

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