IA JÁ INFLUENCIA AS ESCOLHAS DE VIAGEM DE QUEM BUSCA EXPERIÊNCIAS EXCLUSIVAS
Levantamento mostra que mais da metade desse público usa ferramentas de IA para pesquisar destinos, e quase um terço já fez uma reserva a partir de recomendações da tecnologia
Bruna Valle
28/10/2026
Planejar as próximas férias com a ajuda da inteligência artificial deixou de ser apenas uma experiência de curiosidade para se tornar parte do comportamento de viajantes com maior poder aquisitivo. Uma pesquisa divulgada pela consultoria PwC, em parceria com a publicação especializada em turismo TTG, aponta que 53% dos entrevistados desse grupo recorrem a ferramentas de inteligência artificial generativa para buscar inspiração ou informações sobre viagens.
O levantamento também mostra que 31% já reservaram algum serviço ou experiência indicado por essas plataformas. Outros 36% incluíram em suas opções destinos, hotéis, atividades ou outras sugestões encontradas com a ajuda da tecnologia.

Ferramentas de I.A ajudam viajantes a pesquisar destinos, comparar possibilidades e organizar experiências
Da inspiração à reserva
A inteligência artificial pode participar de diferentes etapas da organização de uma viagem. Em vez de pesquisar cada informação separadamente, o viajante pode pedir sugestões de destinos, montar roteiros, identificar atrações e comparar alternativas de hospedagem.
As ferramentas também permitem adaptar recomendações a preferências específicas, como o interesse por gastronomia, cultura, natureza ou experiências exclusivas. A partir dessas informações, o usuário pode explorar possibilidades que talvez não encontrasse em uma pesquisa convencional.
Os números indicam que essa utilização já ultrapassou a fase da consulta inicial. Quando uma recomendação se transforma em reserva ou passa a integrar a lista de opções consideradas, a tecnologia começa a influenciar decisões concretas de consumo.
A tecnologia não eliminou os canais tradicionais
Apesar do avanço da inteligência artificial, os viajantes continuam recorrendo a outras fontes para organizar as férias. Segundo a pesquisa, 84% dos entrevistados com maior poder aquisitivo utilizam mecanismos de busca, enquanto 76% consultam diretamente fornecedores, como hotéis e companhias aéreas, além de sites de avaliações.
As operadoras de turismo também mantêm relevância: 66% dos participantes afirmaram utilizar esses serviços.
Os dados sugerem que a IA está ampliando as possibilidades de pesquisa, e não necessariamente substituindo os meios já conhecidos. A decisão final pode envolver diferentes etapas, combinando sugestões automatizadas com informações fornecidas por empresas, avaliações de outros clientes e atendimento especializado.
Preço e duração das férias também entram na conta
O estudo identificou outro movimento importante: mesmo entre consumidores com maior poder aquisitivo, o custo das viagens influencia o planejamento. Cerca de 31% apontaram os preços elevados como um obstáculo para viajar ao exterior.
Entre os entrevistados que pretendem reduzir os gastos, 26% consideram fazer viagens mais curtas, enquanto 22% planejam tirar férias com menor frequência. Outros 17% pensam em trocar destinos de longa distância por opções mais próximas.
Isso não significa necessariamente desistir de viajar. Os resultados indicam que parte desse público procura ajustar o orçamento, a duração ou o destino para manter os planos de férias.
Nesse cenário, ferramentas de inteligência artificial podem ajudar a comparar alternativas e organizar itinerários de acordo com as preferências de cada pessoa. Ainda assim, os valores e as condições apresentados precisam ser conferidos nos canais oficiais antes de qualquer contratação.
O que muda para o mercado de turismo
A adoção da IA também cria novas oportunidades e desafios para hotéis, companhias aéreas, agências e empresas que oferecem experiências turísticas. Além de aparecer nos resultados dos mecanismos de busca tradicionais, esses negócios precisam considerar como seus serviços são apresentados e encontrados por ferramentas generativas.
Esse trabalho é conhecido como otimização para mecanismos generativos. Na prática, envolve facilitar a identificação de informações relevantes sobre serviços, destinos e produtos turísticos pelas plataformas de inteligência artificial.
Para as empresas, a mudança pode influenciar a maneira de apresentar seus diferenciais e responder às dúvidas dos viajantes. Para o consumidor, amplia as formas de descobrir possibilidades, embora a qualidade das recomendações dependa das informações disponíveis e da capacidade de cada ferramenta.


