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    Ibovespa descola de NY e fecha acima de 83 mil pontos com trégua na cena política

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    Pessoas observam painel eletrônico da B3. 9/5/2016. REUTERS/Paulo Whitaker

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    Por Paula Arend Laier

    SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa subiu mais de 2% nesta quinta-feira, acima dos 83 mil pontos pela primeira vez desde o fim de abril, com o desfecho de reunião entre o presidente Jair Bolsonaro e governadores agradando, em meio a um ambiente ainda volátil nos mercados por causa da pandemia de Covid-19.

    Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou em alta de 2,1%, a 83.027,09 pontos. Na máxima da sessão, chegou a 83.308,96 pontos. O volume financeiro somou 27,7 bilhões de reais.

    Em reunião com Bolsonaro, a maioria dos 27 governadores pediu o veto à possibilidade de reajuste salarial a categorias de servidores públicos, corroborando a intenção do governo federal de não manter a autorização aprovada pelo Congresso, enquanto o presidente disse que pretende sancionar a ajuda a Estados e municípios o mais breve possível.

    O reajuste encontrava resistência na equipe econômica liderada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, em meio a preocupações de mais um fator de pressão nas contas públicas.

    O tom mais amistoso do encontro também repercutiu positivamente, com os governadores e os presidentes da Câmara e do Senado fazendo questão de ressaltar a necessidade de uma atuação conjunta de todos.

    'Não é possível dizer que a partir daí teremos calmaria nas relações entre o presidente e o Congresso, ou mesmo entre o presidente e governadores. Porque os interesses divergentes entre eles permanecem. Mas se trata de ter aberto canais de diálogo, que se forem usados podem controlar melhor os problemas futuros', ressaltou a equipe da XP Política a clientes.

    O pregão também teve como pano de fundo relatório do Goldman Sachs apontando que a América Latina oferece o maior valor entre ações de mercados emergentes, com a bolsa paulista sendo provavelmente a melhor candidata a recuperação.

    'As ações brasileiras em dólares têm sido o ativo com o pior desempenho em meio ao 'sell-off' de mercados emergentes, e recomendamos a investidores que comprem Bovespa', afirmaram os estrategistas, citando entre os fatores espaço de recuperação no mercado brasileiro com a melhora do risco global e relacionamento historicamente próximo com preços de commodities.

    No exterior, Wall Street fechou no vermelho, conforme tensões comerciais entre Estados Unidos e China e resultados divergentes de varejistas, além de dados econômicos, trouxeram receios sobre o ritmo de recuperação das economias afetadas pelo coronavírus. O S&P 500 caiu 0,78%.

    DESTAQUES

    - ITAÚ UNIBANCO PN e BRADESCO PN avançaram 5,74% e 5,55%, respectivamente, em meio ao sentimento mais positivo na bolsa brasileira. BANCO DO BRASIL ON subiu 7,06%.

    - B3 ON teve acréscimo de 7,33%, conforme persiste favorável o cenário para a única empresa de infraestrutura de mercado financeiro do país, tanto pela volatilidade nos mercados em razão do Covid-19, como pela perspectiva de migração de recursos para o mercado de capitais dado o cenário de juros em níveis recordes de baixa.

    - CCR ON e ECORODOVIAS ON dispararam 11,65% e 9,83%, respectivamente, dado que tendem a se beneficiar de um cenário de juros menores, uma vez que tal movimento amplia a diferença entre a taxa de retorno e o custo da dívida. No mesmo contexto estão construtoras e incorporadoras, com CYRELA ON subindo 11%, e empresas de shopping centers, como BRMALLS ON, que fechou em alta de 7,81%.

    - BR DISTRIBUIDORA ON e ULTRAPAR ON valorizaram-se 7,52% e 6,4%, respectivamente. O UBS afirmou reconhecer o cenário difícil para o setor, mas destacou que, no longo prazo, não acredita que as perspectivas de crescimento dos volumes sofrerão significativamente, calculando recuperação da demanda quando o confinamento acabar. COSAN ON subiu 3,39%

    - IRB BRASIL RE ON perdeu 7,36%, após comunicado da Lazard Asset Management de que alienou ações da companhia em nome de seus clientes, reduzindo a participação para cerca de 3,78% da ações do IRB. A ação tocou mínima da sessão pouco após a Reuters noticiar que a resseguradora negocia comprar carteiras de rivais no Brasil e no exterior, segundo fontes.

    - PETROBRAS PN cedeu 0,57%, perdendo fôlego apesar da alta dos preços do petróleo no exterior. O BTG Pactual também afirmou que os ADRs da petrolífera ainda oferecem um bom ponto de entrada e reiteraram recomendação 'compra', com preço-alvo de 10 dólares para os ADRs e de 28 reais para as preferenciais negociadas na bolsa paulista. PETROBRAS ON avançou 0,35%.

    - VALE ON caiu 2,61%, mesmo com os futuros do minério de ferro fechando acima dos 100 dólares por tonelada, com preocupações sobre um aperto na oferta do Brasil, onde a epidemia de coronavírus se agrava, compensando perspectivas fracas para a demanda global por aço.

    - LOJAS RENNER ON encerrou com acréscimo de 6,50% antes da divulgação do balanço do primeiro trimestre após o fechamento da bolsa. COGNA ON, que também reporta seu resultado trimestral, subiu 2,84%.

    - SUZANO ON fechou em baixa de 4,4%, com papéis de exportadoras entre os destaques negativos na esteira da queda do dólar. No setor de papel e celulose, KLABIN caiu 3,93%. Entre as companhias de proteínas, MARFRIG ON cedeu 4,21%, MINERVA ON caiu 3,65% e JBS ON teve declínio de 3,09%.

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    Escrito por Reuters

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