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    Ibovespa fecha acima de 112 mil pontos com chance de acordo China-EUA

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    Homem fotografa painel eletrônico da B3 mostrando cotações de ações durante sessão. 21/3/2019. REUTERS/Nacho Doce

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    Por Paula Arend Laier

    SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em alta de mais de 1% nesta quinta-feira, superando os 112 mil pontos pela primeira vez, diante da possibilidade de um acordo comercial preliminar entre a China e os Estados Unidos, que catapultou uma sessão já positiva após novo corte da Selic e melhora da perspectiva do rating do país.

    Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,11%, a 112.199,74 pontos. O volume financeiro da sessão foi expressivo e alcançou 21,639 bilhões de reais.

    O Ibovespa renovou máximas à tarde, chegando a 112.444,74 pontos no melhor momento, após notícias de que China e EUA alcançaram um acordo em princípio sobre comércio e que o chamado 'acordo fase 1' estava esperando apenas assinatura do presidente norte-americano, Donald Trump.

    Pouco antes das 18h40 desta quinta, a Bloomberg reportou que o presidente dos EUA assinou um acordo comercial para evitar a imposição de tarifas em dezembro.

    De acordo com Pedro Menezes, membro do comitê de investimento de ações e sócio da Occam Brasil Gestão de Recursos, com o prazo para novas tarifas norte-americanas se aproximando e até então sem novidades efetivas sobre as negociações, havia receio de uma realização de lucros nas bolsas.

    'Com o acordo, essa possibilidade diminui bastante. E pelo noticiário, as tarifas norte-americanas voltam para patamares de abril, quase metade do que havia em novembro. Confirmado isso, seria muito favorável à economia mundial', afirmou.

    A trajetória de alta do Ibovespa já havia se firmado após declaração de Trump, mais cedo, de que os EUA estavam 'muito próximos' de fechar um acordo comercial com Pequim e reportagem do Wall Street Journal de que as negociações contemplavam corte de até 50% nas tarifas em vigor sobre 360 bilhões de dólares em importações da China, além do cancelamento de novas taxações planejadas para entrar em vigor em 15 de dezembro.

    Em nota a clientes, Jonathan Garner, do Morgan Stanley, reconheceu que os mercados sob cobertura da equipe do banco permaneciam amplamente precificados para um adiamento ou cancelamento das tarifas e que se os EUA avançassem com essas tarifas, seria uma surpresa negativa significativa.

    Antes de todo o noticiário sobre China-EUA, contudo, a B3 já mostrava um viés positivo desde a abertura, após corte da taxa básica de juros do país para nova mínima história e melhora na perspectiva do rating brasileiro pela Standard & Poor's, além de números fortes do setor de serviços.

    Estrategistas do Itaú BBA afirmaram em relatório nesta quinta-feira que continuam com recomendação 'overweight' para o mercado acionário brasileiro em 2020 no portfólio de América Latina, citando perspectivas de crescimento e 'momentum' de reformas, e reiteraram estimativa de que o Ibovespa alcance 132 mil pontos no final do próximo ano.

    DESTAQUES

    - MRV ON avançou 6,16%, após sanção presidencial de medida provisória que fixa novas regras do FGTS. Na visão de analistas, o veto a limites aos descontos concedidos no âmbito do programa Minha Casa Minha Vida é positivo para construtoras com foco em baixa renda.

    - LOJAS AMERICANAS PN subiu 6,03%, após relatório do Credit Suisse elevando recomendação para 'outperform' e preço-alvo para 30 reais. O CS também melhorou a recomendação de B2W para 'neutra' e o preço-alvo para 70 reais, ajudando na alta de 5,23% da ação.

    - VIA VAREJO ON fechou em queda de 3,10%, revertendo uma alta de mais de 8% no ajuste de fechamento, após a companhia divulgar que encontrou indícios de fraude contábil após investigação interna, estimando impacto de 1,2 bilhão de reais a 1,4 bilhão de reais nos resultados do quarto trimestre de 2019.

    - SABESP ON caiu 3,35%, mesmo após aprovação pela Câmara dos Deputados na noite da véspera do texto-base do projeto que atualiza o marco legal do saneamento básico no Brasil, proposta encarada pelo governo como chave para a entrada de investimentos no país.

    - PETROBRAS PN subiu 1,88%, alinhada à alta dos preços do petróleo. PETROBRAS ON ganhou 1,33%.

    - VALE ON fechou com elevação de 2,16%, favorecida pelas perspectivas sobre China-EUA. Um painel de especialistas contratado pela mineradora para avaliar causas técnicas do rompimento de uma barragem da companhia em Brumadinho (MG) em janeiro apontou em relatório que o incidente foi causado pela 'liquefação estática dos rejeitos' na estrutura.

    - BRADESCO PN avançou 1,34%, também contagiado pelo clima mais positivo no mercado, enquanto ITAÚ UNIBANCO PN perdeu força e encerrou com variação negativa de 0,03%.

    - BANCO INTER UNIT, que não está no Ibovespa, despencou 7,88%, entre os destaques negativos da sessão.

    Escrito por Reuters

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