Ibovespa fecha em queda com bancos e Fed no radar
Ibovespa fecha em queda com bancos e Fed no radar
Reuters
29/07/2026
Atualizada em 29/07/2026
Por Igor Sodre
SÃO PAULO, 29 Jul (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira, pressionado pelo forte recuo em ações de bancos, movimento liderado pelos papéis do Santander Brasil, ao mesmo tempo em que agentes do mercado financeiro avaliaram a decisão de juros do Federal Reserve.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,52%, a 173.885,34 pontos, na mínima do dia, após atingir máxima de 176.563,85.
O setor financeiro foi o destaque negativo do dia na bolsa, após o Santander Brasil registrar perdas de mais 7% ao longo da sessão depois de reportar queda de 17,6% no lucro do segundo trimestre, ficando aquém das estimativas do mercado.
O recuo das ações bancárias aconteceu num ambiente global mais avesso ao risco nos mercados, já que os investidores aguardavam a decisão de juros do Fed.
A autoridade monetária manteve a taxa básica de juros dos Estados Unidos na faixa de 3,50% a 3,75%, como esperado pela maioria do mercado, mas teve dissidências de três dos 12 membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), responsável pela definição da política monetária, que “preferiram” um aumento de 0,25 ponto percentual nesta reunião.
Em entrevista coletiva após o anúncio, o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que o banco central dos EUA não tem uma “meta flexível” mais alta para a inflação e está determinado a cumprir a meta de longa data de 2%, apesar de manter as taxas inalteradas em meio a índices elevados de inflação.
'O tom do comunicado gerou apreensão, pois sugeriu que, devido à inflação persistente e a um mercado de trabalho ainda forte nos EUA, uma nova alta nos juros poderá ocorrer na próxima reunião de setembro. Juros altos nos EUA costumam afastar o capital de ativos de risco, como as ações de mercados emergentes, o que pesou diretamente sobre o Ibovespa', disse Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.
Em Nova York, o índice de referência S&P 500 atingiu seu nível mais baixo em um mês, fechando em queda de 1,55%.
O maior clima de cautela e aversão ao risco nos mercados globais também se deu após os EUA e a Arábia Saudita lançarem ataques contra grupos apoiados pelo Irã no Iraque nesta quarta-feira, culpando-os por ataques com drones contra instalações petrolíferas sauditas.
O movimento fez os contratos de petróleo dispararem, com o Brent fechando com alta de 7,91%, a US$90,74 por barril. Os ganhos do petróleo favoreceram os papéis de peso do setor na bolsa brasileira, como a Petrobras, impedindo perdas ainda maiores do índice.
DESTAQUES
• SANTANDER BRASIL UNIT despencou 7,8%. O banco reportou lucro líquido gerencial de R$3,01 bilhões para o segundo trimestre, recuo de 17,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Previsões compiladas pela LSEG apontavam lucro de R$3,90 bilhões para a unidade brasileira do banco espanhol Santander. Em relação ao trimestre anterior, o lucro caiu 20,4%.
• ITAÚ UNIBANCO PN caiu 2,43%, BRADESCO PN perdeu 2,24% e BANCO DO BRASIL ON fechou em queda de 0,24, refletindo o ambiente negativo para o setor.
• PETROBRAS PN subiu 1,92% e PETROBRAS ON ganhou 2,35%. A companhia elevou a produção de petróleo no Brasil em 15,2% no segundo trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado, impulsionando as exportações, com avanço na produção de novas plataformas, mais poços produtores e maior eficiência operacional.
• PRIO ON subiu 2,89%, liderando os ganhos do Ibovespa, impulsionada pelos ganhos do petróleo no exterior. PETRORECONCAVO ON ganhou 1,18%.
• VALE ON caiu 0,85%. O contrato de minério de ferro para setembro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou o pregão diurno com alta de 0,27%, a US$109,17 por tonelada.
• CSN ON caiu 7,8%, liderando as perdas do Ibovespa, com os investidores se preparando para a divulgação dos resultados da companhia na próxima semana.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
Reuters

