Ibovespa fecha em queda com Vale e bancos entre as maiores pressões
Ibovespa fecha em queda com Vale e bancos entre as maiores pressões
Reuters
04/05/2026
Atualizada em 04/05/2026
Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 4 Mai (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira, abaixo dos 186 mil pontos, com blue chips como Vale e Itaú Unibanco entre as maiores pressões de baixa, enquanto Embraer figurou entre os destaques positivos após receber encomenda do Oriente Médio.
A cena geopolítica continuou no radar dos investidores da bolsa paulista, que também analisaram o anúncio do Novo Desenrola, programa do governo federal para renegociação de dívidas para famílias, micro e pequenas empresas e agricultores familiares.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,92%, a 185.600,12 pontos, tendo marcado 185.537,58 pontos na mínima e 187.666,20 pontos na máxima. O volume financeiro somou R$26,38 bilhões na volta do fim de semana prolongado.
De acordo com analistas do Itaú BBA, o Ibovespa permanece acima da região de 184.300 pontos, que o mantém em tendência de alta no curto prazo, mas a perda desse nível pode abrir espaço para quedas até 179.700 e 174.900 pontos. Para retomar força e atrair fluxo comprador, o Ibovespa precisa romper a resistência em 189.100 pontos, afirmaram no relatório Diário do Grafista.
Estrategistas da XP veem a bolsa brasileira com um movimento de correção, que pode continuar no curto prazo, em função de fatores técnicos, posicionamento e fluxos.
'Ainda assim, continuamos vendo o Brasil como um vencedor relativo no cenário global e esperamos que os fluxos sigam positivos para emergentes e para o Brasil, especialmente quando os riscos geopolíticos diminuírem', afirmou a equipe chefiada por Fernando Ferreira.
'Além disso, embora o mercado tenha corrigido, as estimativas de lucro por ação continuam sendo revisadas para cima', afirmaram em relatório a clientes, elevando também o valor justo do Ibovespa para o final de 2026 para 205 mil pontos, de 196 mil anteriormente.
No exterior, o barril do petróleo sob o contrato Brent chegou a ultrapassar US$115, em meio a noticiário envolvendo o Estreito de Ormuz, relevante rota de passagem da commodity, mas encerrou a US$114,44, alta de 5,8%.
O Irã atingiu vários navios no Estreito de Ormuz nesta segunda-feira e incendiou um porto de petróleo dos Emirados Árabes Unidos (EAU), enquanto a tentativa do presidente Donald Trump de usar a Marinha dos EUA para liberar a navegação provocou a maior escalada da guerra desde que um cessar-fogo foi declarado há quatro semanas.
Os militares dos EUA disseram que dois navios mercantes norte-americanos conseguiram atravessar o estreito, sem especificar quando. O Irã negou que tais travessias tivessem ocorrido.
No Brasil, o governo lançou o Novo Desenrola, prevendo utilizar até R$15 bilhões em garantias da União para viabilizar juros mais baixos aos devedores, em uma resposta aos altos níveis de endividamento da população. O anúncio incluiu regras mais duras para a concessão de empréstimos com desconto em folha por aposentados do INSS e servidores públicos.
(Por Paula Arend Laier; edição de Pedro Fonseca)
Reuters

