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Ibovespa fecha na mínima desde janeiro com receio sobre efeito de juro alto na atividade econômica

Ibovespa fecha na mínima desde janeiro com receio sobre efeito de juro alto na atividade econômica

Reuters

11/08/2026

Placeholder - loading - Pessoas passam por um painel eletrônico que exibe o gráfico das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da BM&F Bovespa, no centro de São Paulo, Brasil, em 9 de maio de 2016 REUTERS/Paulo
Pessoas passam por um painel eletrônico que exibe o gráfico das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da BM&F Bovespa, no centro de São Paulo, Brasil, em 9 de maio de 2016 REUTERS/Paulo

Atualizada em  12/08/2026

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 11 Ago (Reuters) - O Ibovespa fechou em forte queda nesta ​terça-feira, refletindo preocupações com o ritmo da atividade econômica do país em meio a perspectivas de manutenção das taxas de juros em níveis elevados, enquanto permanecem incertezas eleitorais e geopolíticas com potenciais reflexos inflacionários.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 2,5%, a 167.874,64 pontos, mínima de fechamento desde 20 de janeiro. No pior momento, chegou a 167.568,94 pontos. Na máxima do dia, marcou 172.385,51 pontos.

O Banco Central alertou nesta terça-feira sobre eventual disseminação de efeitos indiretos de choques relacionados aos preços do petróleo e a efeitos climáticos, o que demandaria 'reação firme' da política monetária.

Na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana passada, quando a taxa Selic foi reduzida de 14,25% para 14% ao ano, o BC também demonstrou preocupação com uma inflação pressionada pela demanda em meio a medidas de estímulo adotadas pelo governo.

O documento foi publicado pouco antes da divulgação do IPCA de julho, que teve variação positiva de 0,07% em julho, desacelerando ante a alta de 0,16% no mês anterior, mas ainda ficando acima de expectativas no mercado (+0,03%).

Estrategistas do JPMorgan cortaram ⁠a classificação do Brasil no seu ⁠portfólio de ações da América Latina para 'neutra' citando entre os argumentos ​o prognóstico de ‌que o ciclo de afrouxamento monetário no país deve terminar -- mais um corte em setembro e depois 'uma longa pausa'.

A equipe do banco norte-americano também destacou que o crescimento econômico está desacelerando e que o crédito está piorando, 'um cenário pouco favorável para os resultados corporativos daqui para frente'.

Na decisão sobre o 'downgrade', o JPMorgan também chamou a atenção para as eleições de outubro, que provavelmente aumentarão a volatilidade. 'Preferimos ficar à margem a pagar para assumir incerteza', afirmou a equipe do banco.

Uma pesquisa CNT/MDA ⁠divulgada também nesta terça mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 48% das intenções de voto em um ​eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que soma 39,1%.

Na visão do sócio e advisor da Blue3 Investimentos, Willian Queiroz, as fortes perdas na bolsa nesta ​sessão refletiram saída de investidores estrangeiros, em meio a uma visão mais cautelosa, somando o quadro ‌doméstico a perspectivas de juro resiliente nos Estados ​Unidos ⁠e aos confrontos no Oriente Médio.

'Tudo isso fez preço e nós reverberamos através da bolsa', afirmou Queiroz.

No exterior, o barril do petróleo sob o contrato Brent voltou a subir, fechando com elevação de 1,36%, a US$88,91, com dúvidas sobre um possível acordo de paz entre os EUA e o Irã alimentando preocupações de continuidade das interrupções no abastecimento do Oriente Médio.

(Por Paula Arend LaierEdição de Pedro Fonseca)

Reuters

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