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Igreja Católica espanhola indenizará vítimas de abuso sexual sob acordo com governo

Igreja Católica espanhola indenizará vítimas de abuso sexual sob acordo com governo

Reuters

08/01/2026

Placeholder - loading - Bancos vazios são vistos dentro de uma igreja católica em Madri 27/10/2023 REUTERS/Susana Vera
Bancos vazios são vistos dentro de uma igreja católica em Madri 27/10/2023 REUTERS/Susana Vera

MADRI, 8 Jan (Reuters) - A Igreja Católica ⁠espanhola, abalada por um escândalo de abusos sexuais cometidos por membros do clero, concordou nesta quinta-feira com o governo em indenizar as vítimas de abuso cujos casos prescreveram ou nos quais o agressor faleceu.

'Hoje estamos saldando uma dívida e fazendo justiça às vítimas. Estamos passando de décadas de silêncio e esquecimento para uma reparação justa paga pela Igreja', disse o ​ministro da Justiça, Félix Bolaños, ⁠sobre ⁠o acordo assinado por seu ministério e a Igreja.

O escândalo de abuso veio à tona depois que uma investigação do jornal El País em 2021 revelou mais de 1.200 supostos casos, ecoando escândalos semelhantes na ‌Igreja Católica nos Estados Unidos, Irlanda e França.

Um relatório ​de 2023 do defensor de ‌direitos humanos da ​Espanha estimou ​centenas de milhares de vítimas ao longo de décadas, com base em uma pesquisa com 8.000 pessoas. Ele pediu a ​criação de um fundo estatal e acusou a Igreja de não cooperar e tentar 'minimizar o fenômeno'. Mais de 700 pessoas compartilharam seus casos com o defensor até 2024.

Uma investigação encomendada pela Igreja Católica espanhola identificou cerca de 2.000 vítimas até o final de 2023.

Segundo o acordo assinado nesta quinta-feira, o defensor analisará cada caso e proporá uma indenização -- financeira, moral, psicológica ou reparadora -- com base na solicitação da vítima, disse Bolaños.

Anteriormente, as vítimas podiam se dirigir ⁠diretamente à Igreja, mas muitas relutavam. A Igreja disse nesta quinta-feira ‌que já havia pago ⁠cerca de 2 milhões de euros às vítimas.

O novo processo é para as vítimas que não querem se ‍dirigir diretamente à Igreja. As reparações propostas pelo defensor devem ser acordadas tanto pela ​vítima ‌quanto pela Comissão de Avaliação da Igreja.

(Reportagem de Emma Pinedo)

Reuters

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