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Incêndios atingem recorde e extremos de calor 'sem precedentes' se aproximam, dizem cientistas

Incêndios atingem recorde e extremos de calor 'sem precedentes' se aproximam, dizem cientistas

Reuters

12/05/2026

Placeholder - loading - Incêndios florestais em áreas montanhosas de Otsuchi, no Japão  26 de abril de 2026    REUTERS/Kim Kyung-Hoon
Incêndios florestais em áreas montanhosas de Otsuchi, no Japão 26 de abril de 2026 REUTERS/Kim Kyung-Hoon

Por David Stanway

CINGAPURA, 12 Mai (Reuters) - A mudança climática ​provocou incêndios recordes na África, na Ásia e em outros lugares este ano, com a expectativa de que as condições piorem com a aproximação do verão no hemisfério norte e o início dos padrões climáticos do El Niño, alertaram os cientistas nesta terça-feira.

Os incêndios de janeiro a abril já causaram níveis de danos sem precedentes, queimando mais de 150 milhões de hectares de terra, 20% a mais do que o recorde anterior, de acordo com dados compilados pela World Weather Attribution, um grupo de pesquisa que estuda o papel desempenhado pelo aquecimento global em eventos climáticos extremos.

Os pesquisadores disseram que os recordes ⁠de temperatura ⁠podem ser quebrados este ano, causando secas generalizadas ​e incêndios, ‌com o impacto da mudança climática induzida pelo homem agravado por um efeito 'El Niño' especialmente forte.

'Embora em muitas partes do mundo a temporada global de incêndios ainda não tenha esquentado, esse início rápido, em combinação com a previsão do El Niño, significa que estamos diante ⁠da materialização de um ano particularmente severo', disse Theodore Keeping, especialista em incêndios ​florestais do Imperial College de Londres e parte do grupo WWA.

Até agora, 85 milhões de hectares ​de terra foram queimados na África este ano, 23% ‌a mais do que o ​recorde ⁠anterior de 69 milhões de hectares, afirmou ele.

A atividade de incêndio excepcionalmente alta na África está sendo impulsionada por mudanças rápidas de condições extremamente úmidas para condições extremamente secas, segundo Keeping.

O alto índice pluviométrico produziu ​mais grama durante a estação de crescimento anterior, criando uma abundância de combustível para alimentar os incêndios em savanas induzidos pela seca e pelo calor nos últimos meses.

CONDIÇÕES DE EL NIÑO PREVISTAS PARA ESTE MÊS

Os incêndios asiáticos queimaram 44 milhões de hectares de terra até agora neste ano, quase 40% ​a mais do que o recorde anterior de 2014, com Índia, Mianmar, Tailândia, Laos e China entre os mais atingidos, disse Keeping.

Ele alertou que os riscos de incêndios florestais podem piorar ainda este ano, com o El Niño aumentando a probabilidade de calor e seca severos na Austrália, no Canadá, nos Estados Unidos e na floresta amazônica.

'A probabilidade de incêndios extremos prejudiciais pode ser a mais alta que já vimos na história recente se ocorrer um El Niño forte', declarou ele.

As condições climáticas do ​El Niño, causadas pelo aquecimento das temperaturas da superfície do mar no Oceano Pacífico, devem começar em maio, ‌informou a Organização Meteorológica Mundial no mês ⁠passado.

Ele pode causar secas na Austrália, Indonésia e partes do sul da Ásia, bem como inundações em outras regiões, e pode elevar as temperaturas, alertou a agência da ONU.

'Se houver um El ⁠Niño forte este ano, há um sério risco de que ⁠o efeito da mudança climática e do El ⁠Niño ... resulte em extremos ⁠climáticos ​sem precedentes', disse Friederike Otto, cientista climática do Imperial College de Londres e cofundadora da World Weather Attribution.

Reuters

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