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Indústria do Brasil cresce em abril com demanda externa a despeito de pressão da guerra sobre os preços, mostra PMI

Indústria do Brasil cresce em abril com demanda externa a despeito de pressão da guerra sobre os preços, mostra PMI

Reuters

04/05/2026

Placeholder - loading - Produção de ônibus na fábrica da Marcopolo em Caxias do Sul, RS  25 de março de 2026. REUTERS/Diego Vara
Produção de ônibus na fábrica da Marcopolo em Caxias do Sul, RS 25 de março de 2026. REUTERS/Diego Vara

Por Camila Moreira

SÃO PAULO, 4 Mai (Reuters) - A indústria brasileira ​se recuperou em abril e aumentou a produção pela primeira vez em um ano graças às novas encomendas de exportação, embora a guerra no Oriente Médio tenha pressionado os preços de insumos e de venda, de acordo com pesquisa divulgada nesta segunda-feira.

O Índice de Gerentes de Compras (PMI) da indústria brasileira, compilado pela S&P Global, subiu a 52,6 em abril, de 49,0 em março, atingindo o nível mais alto em 14 meses. A marca de 50 separa crescimento de contração.

'Abril mostrou-se um mês de desempenho misto para o setor industrial do Brasil. Embora tenha havido um impulso bem-vindo nos volumes de produção, decorrente do aumento da demanda externa, ⁠isso foi ⁠em grande parte compensado pela persistente fraqueza ​do mercado ‌doméstico, e o total de novos pedidos voltou a cair', destacou Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence.

Os volumes de produção aumentaram em abril pela primeira vez em um ano e no ritmo mais forte desde março de 2025, em meio a uma ⁠demanda maior por determinados produtos -- especialmente nos casos em que os clientes temiam novos ​aumentos de preços devido à guerra no Oriente Médio -- e tentativas de reforçar estoques de contingência, ​segundo os dados qualitativos.

A melhora da demanda em abril se ‌concentrou nos mercados externos, com ​a ⁠taxa de crescimento dos novos negócios de exportação chegando ao nível mais alto em um ano e meio.

As tarifas dos Estados Unidos ajudaram algumas empresas a acessar novos mercados, segundo reportado por entrevistados, com citações de ganhos ​na Argentina, Itália, México e Polônia, segundo a pesquisa.

No entanto, o total de novas encomendas registrou declínio em abril pelo 13º mês seguido, com os participantes do levantamento citando desafios econômicos no mercado doméstico, pressões competitivas e fraqueza da demanda.

Os produtores brasileiros aumentaram o número de empregados pelo terceiro mês consecutivo, no ​ritmo mais forte desde fevereiro de 2025, com evidências de clara preferência por contratações em tempo integral, em vez de temporárias, para atender às necessidades do negócio.

Um dos fatores que sustentaram as contratações foi a recuperação das expectativas positivas em relação às perspectivas de crescimento, em meio à esperança de um fim para a guerra no Oriente Médio.

Em relação aos preços, a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã elevou as taxas de inflação de insumos e de preços cobrados.

Os produtores de bens buscaram se proteger ​contra a escassez de materiais comprando itens adicionais em abril, mas enfrentaram pressões de custos que não eram vistas ‌desde a pandemia de Covid-19. Com exceção ⁠desse período, a taxa de inflação foi a mais alta já registrada na pesquisa em meio à elevação dos preços de frete, combustível e petróleo e, subsequentemente, de vários outros materiais, devido ao conflito ⁠no Oriente Médio.

O mesmo aconteceu com os preços cobrados, mas ainda ⁠assim a taxa de aumento dos preços de ⁠venda ficou consideravelmente abaixo ⁠da ​dos custos de insumos, indicando que os fabricantes absorveram uma parcela significativa de seus custos adicionais.

(Edição de Isabel Versiani)

Reuters

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