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Indústria do Brasil volta a crescer em junho mas vendas e produção recuam, mostra PMI

Indústria do Brasil volta a crescer em junho mas vendas e produção recuam, mostra PMI

Reuters

01/07/2026

Placeholder - loading - Produção de ônibus na fábrica da Marcopolo em Caxias do Sul  25 de março de 2026. REUTERS/Diego Vara
Produção de ônibus na fábrica da Marcopolo em Caxias do Sul 25 de março de 2026. REUTERS/Diego Vara

Por Camila Moreira

SÃO PAULO, 1 Jul (Reuters) - A atividade ​industrial no Brasil voltou a registrar leve expansão em junho, com pressões inflacionários menores, criação de vagas de trabalho e aumento de estoques compensando retrações nas vendas e nos volumes de produção, de acordo com a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgada nesta quarta-feira.

O PMI da indústria brasileira, compilado pela S&P Global, subiu a 50,8 em junho, de 49,1 em maio, ficando pouco acima da marca de 50 que separa contração de crescimento.

No entanto, o crescimento refletiu principalmente a criação de empregos pelo quinto mês seguido e a formação de estoques, já que dois dos ⁠maiores subcomponentes ⁠do indicador -- produção e novas encomendas -- permaneceram ​em território ‌de contração.

Os estoques de itens de pré-produção aumentaram pelo quarto mês consecutivo em junho, no ritmo mais forte em quase cinco anos, com os participantes da pesquisa mencionando chegada de insumos adquiridos anteriormente e esforços recentes para reforçar os estoques de segurança. ⁠Os estoques de produtos acabados também cresceram, encerrando uma sequência de dois meses ​de redução.

O PMI também foi impulsionado pelo índice de prazo de entrega dos fornecedores. Embora ​prazos de entrega mais longos normalmente sinalizem condições de ‌demanda forte, o atual ​aumento ⁠desses prazos refletiu interrupções nas cadeias de oferta causadas pelo conflito no Oriente Médio.

'O conflito no Oriente Médio ... não ajuda — ele está agravando a inflação, prejudicando o comércio, abalando a confiança das empresas e ​provocando alguns dos piores atrasos nas entregas que vimos desde meados de 2022, tornando mais difícil para as companhias obterem os materiais de que necessitam', disse Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence.

As contrações nas novas encomendas totais e na produção ​tiveram um ritmo mais lento do que em maio, mas as empresas continuaram relatando redução do apetite dos clientes por bens, pressões competitivas e encolhimento do mercado. As encomendas internacionais registraram queda acentuada, embora em ritmo menos intenso do que no mês anterior.

Os três grandes segmentos da indústria monitorados pela pesquisa — bens de consumo, intermediários e de investimento — registraram reduções na produção, nos novos pedidos e nas vendas para o exterior.

Os custos de insumos tiveram a menor pressão inflacionária ​em três meses, mas as empresas ainda apontaram que a guerra no Oriente Médio elevou os gastos ‌com combustíveis, matérias-primas e transporte.

Os preços cobrados ⁠também subiram no ritmo mais lento em três meses, à medida que parte dos custos adicionais foi repassada aos clientes.

Embora as empresas tenham mantido uma visão positiva sobre as perspectivas ⁠de crescimento, a confiança recuou em junho para o menor ⁠nível em 14 meses. O otimismo foi limitado ⁠por preocupações relacionadas ⁠à ​concorrência, ao comportamento da demanda, à incerteza política e à volatilidade dos mercados globais.

(Edição de Isabel Versiani)

Reuters

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