INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL AJUDA A PREVER O QUE ACONTECE COM A PELE
Estudos apresentados pela Amorepacific mostram como dados e ferramentas digitais podem ajudar a compreender a pele e as preferências de quem usa cosméticos
Bruna Valle
22/10/2026
A inteligência artificial está entrando em uma etapa mais sofisticada da indústria da beleza. Em vez de aparecer apenas como ferramenta para recomendar produtos, a tecnologia começa a ser utilizada para investigar o comportamento da pele, antecipar sinais de envelhecimento e analisar de forma mais objetiva a experiência dos consumidores.
Esse movimento esteve entre os destaques apresentados pela Amorepacific durante o congresso da Federação Internacional das Sociedades de Químicos Cosméticos, realizado na Austrália. A empresa levou nove pesquisas ao encontro, envolvendo inteligência artificial, aprendizado profundo e diferentes tecnologias digitais.
Prever como a pele pode envelhecer
Um dos estudos apresentados combinou análise de informações genéticas com aprendizado profundo para investigar os efeitos do calor sobre o envelhecimento da pele.
A pesquisa aproveitou mais de duas décadas de estudos sobre a relação entre altas temperaturas e alterações cutâneas. Com o uso dos novos recursos computacionais, os pesquisadores conseguiram trabalhar com modelos capazes de prever a evolução de sinais relacionados ao envelhecimento e avaliar a ação de determinados ingredientes.
O trabalho também identificou substâncias que podem ajudar na recuperação de danos associados ao envelhecimento. A pesquisa foi selecionada entre as dez melhores apresentações de pesquisa fundamental do congresso.
Combinação entre ciência da pele e I.A permite transformar informações biológicas em novas pesquisas
A experiência com um cosmético também pode virar dado
Outra pesquisa apresentada pela empresa buscou medir o que acontece na pele durante a aplicação de um produto.
Os pesquisadores desenvolveram uma tecnologia capaz de acompanhar, em tempo real, a distribuição e o movimento da umidade na superfície da pele. Ao mesmo tempo, pequenas alterações elétricas foram registradas para analisar a interação entre a pele e a fórmula.
Os resultados tiveram forte relação com as avaliações feitas pelos próprios consumidores sobre a experiência de uso. A descoberta abre espaço para transformar sensações que normalmente são descritas de maneira subjetiva em informações que podem ser quantificadas. O estudo também ficou entre os dez destaques da categoria de pesquisa aplicada do congresso.
Brasil entra na pesquisa sobre comportamento
A inteligência artificial também foi usada para entender o que influencia a escolha de produtos para peles sensíveis.
Nesse caso, pesquisadores da Amorepacific analisaram entrevistas em vídeo com consumidores do Brasil e do México durante uma comparação entre produtos voltados à recuperação da barreira da pele. A ferramenta ajudou a identificar padrões nas experiências relatadas pelos participantes.
Entre os atributos mais valorizados apareceram a absorção rápida, a textura leve e os benefícios relacionados à barreira cutânea. O resultado mostra como a análise automatizada de entrevistas pode complementar as pesquisas tradicionais de comportamento e revelar com mais precisão os fatores que pesam na escolha de um cosmético.
O conjunto de pesquisas aponta para uma transformação mais ampla no setor. A beleza passa a ser estudada não apenas a partir da aparência final ou da opinião de quem utiliza um produto, mas também por meio de dados capazes de mostrar como a pele reage, como determinados ingredientes funcionam e por que uma pessoa prefere uma fórmula em relação a outra.


