Capa do Álbum: Antena 1
A Rádio Online mais ouvida do Brasil
Antena 1

Investidores avaliam ameaça da IA a empresas de software em meio à queda das ações

Investidores avaliam ameaça da IA a empresas de software em meio à queda das ações

Reuters

04/02/2026

Placeholder - loading - Logos da OpenAI e da Anthropic 12/09/2025 REUTERS/Dado Ruvic/Imagem ilustrativa
Logos da OpenAI e da Anthropic 12/09/2025 REUTERS/Dado Ruvic/Imagem ilustrativa

Atualizada em  04/02/2026

Por Danilo Masoni e Medha Singh e Aditya Soni

4 Fev (Reuters) - Os investidores estão ⁠avaliando nesta quarta-feira se a liquidação das ações globais de software nesta semana foi exagerada, enquanto ponderam se as empresas conseguiriam sobreviver a uma ameaça à própria existência representada pela inteligência artificial.

A resposta: isso não está claro e, ao mesmo tempo, levará à volatilidade.

Após uma onda de vendas na terça-feira, que levou à queda de quase 4% do índice de software e serviços do S&P 500, o setor recuava mais 1% nesta quarta-feira.

As ações de empresas de software vinham sofrendo pressão nos últimos meses, à medida que a IA deixou de ser um fator favorável para muitas dessas companhias e passou a preocupar os investidores, em razão da disrupção que causará em alguns setores. A mais recente onda de vendas foi desencadeada por uma nova ferramenta jurídica do modelo de linguagem (LLM) Claude, da Anthropic.

A ferramenta -- um plug-in (extensão) para o agente de Claude, que permite realizar tarefas nas áreas ​jurídica, de vendas, marketing e análise de dados -- evidenciou a investida das firmas de ⁠Direito na chamada 'camada ⁠de aplicação', em que elas estão cada vez mais se infiltrando em negócios corporativos lucrativos. Se bem-sucedida, temem os investidores, essa estratégia poderá causar estragos em diversos setores, das finanças ao direito e à programação.

A estratégia da LLM -- e seu potencial para prejudicar empresas estabelecidas -- lembra a forma como a Amazon.com revolucionou diversos setores ao usar sua posição consolidada em um nicho de mercado de livros online para construir um negócio que agora abrange varejo, computação em nuvem e logística.

Alguns analistas afirmaram que o sucesso ‌desses modelos de negócios baseados em IA, no entanto, está longe de ser garantido, visto que eles carecem dos dados especializados que ​são cruciais para as empresas nesses setores.

A venda de ações expressou uma corrida para ‌proteger portfólios, já que os rápidos ​avanços na ​tecnologia obscurecem as avaliações e as perspectivas de negócios para além das previsões padrão de três a cinco anos das empresas.

'Ainda não chegamos ao ponto em que os agentes de IA irão destruir as empresas de software, especialmente considerando as preocupações com segurança, propriedade e uso de dados', disse Ben Barringer, ​chefe de pesquisa de tecnologia da Quilter Cheviot.

Barringer afirmou que é provável que haja mais volatilidade no futuro. 'Em tempos de volatilidade, as pessoas costumam atirar primeiro e perguntar depois', acrescentou.

Isso ficou bem evidente nos últimos dias. O índice de software e serviços do S&P 500 caiu quase 13% em cinco sessões consecutivas e está 26% abaixo do seu pico de outubro, enquanto o S&P 500 atingiu um recorde histórico nesta semana.

O índice MSCI de software e serviços mundial caiu 13% em cinco dias.

Seguindo a tendência de Wall Street, a Ásia sofreu quedas acentuadas nesta quarta-feira. As exportadoras de TI da Índia recuaram quase 6%, enquanto as desenvolvedoras de sistemas e software japonesas NEC, Nomura Research e Fujitsu despencaram entre 8% e 11%.

A pressão de vendas, no entanto, começou a diminuir na Europa, com a maior empresa de software da região, a SAP, fechando com queda de apenas 0,1%.

O TEMPO PROVARÁ

Alguns analistas e especialistas afirmaram ser prematuro decretar o fim das empresas globais de software e dados. O presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang, declarou na terça-feira que o temor de que a IA substitua o software e ferramentas relacionadas é 'ilógico' e que 'o tempo provará' isso.

Mark Murphy, chefe ⁠de pesquisa de software empresarial nos EUA do JPMorgan, disse que 'parece um salto ilógico' afirmar que um novo plug-in de um LLM 'substituiria todas as camadas de ‌software empresarial de missão crítica'.

O software é visto como especialmente ⁠vulnerável à disrupção, uma vez que ferramentas como o Claude automatizam cada vez mais as tarefas rotineiras que há muito sustentam o poder de precificação do setor.

'Estamos agora em um ambiente em que o setor não é apenas considerado culpado até que se prove o contrário, mas está ‍sendo sentenciado antes do julgamento', disse Toby Ogg, analista do JPMorgan.

'Nossa impressão, baseada em conversas com investidores, é de que o interesse geral em entrar nesse mercado permanece baixo', acrescentou, citando riscos ​como ‌a concorrência de empresas nativas de IA e clientes que desenvolvem suas próprias soluções internamente.

(Reportagem de Danilo Masoni; reportagem adicional de Medha Singh e Siddarth S)

Reuters

Compartilhar matéria

Mais lidas da semana

 

Carregando, aguarde...

Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência.