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    Vale desaba 24,5% e perde mais de R$70 bi em valor de mercado após tragédia em MG

    SÃO PAULO (Reuters) - As ações da Vale fecharam em queda de mais de 20 por cento nesta segunda-feira, pior desempenho diário da sua história e equivalente uma perda de 72,8 bilhões de reais em valor de mercado, após a tragédia com o rompimento de uma barragem de mineração da companhia em Brumadinho (MG), que deixou até o momento 60 pessoas mortas e quase 300 desaparecidas.

    Os papéis da mineradora fecharam em queda de 24,52 por cento, a 42,38 reais, derrubando o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, que fechou em baixa de 2,29 por cento. O volume de ações negociado foi o maior desde a estreia da Vale na bolsa. Em termos financeiros, foi o maior giro do pregão desta segunda-feira, totalizando 8,15 bilhões de reais.

    Os primeiros relatórios de analistas do setor de mineração recomendaram cautela com as ações dado o horizonte nebuloso à frente em razão de potenciais desdobramentos da desastre, que aconteceu pouco mais de três anos depois que uma barragem da Samarco - uma joint venture da Vale com a BHP - rompeu em Mariana (MG), levando a 19 mortes e poluindo o rio Doce.

    Os analistas Leonardo Correa e Gerard Roure, do BTG Pactual, afirmaram terem sido 'verdadeiramente surpreendidos' com o evento, citando que, desde o acidente com a Samarco, a Vale investiu em uma série de medidas para inspecionar e garantir que as operações existentes fossem seguras.

    Desde o rompimento da barragem de Brumadinho na sexta-feira, a Vale já teve contra si a decretação de quatro bloqueios judiciais e a aplicação de outras duas sanções por órgãos administrativos no valor total de 12,1 bilhões de reais, segundo levantamento feito pela Reuters nesta segunda-feira.

    A mineradora também suspendeu sua política de remuneração aos acionistas, o que na prática significa o não pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio.

    (Por Paula Arend Laier)

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    ANÁLISE-Bolsa brasileira interessa a estrangeiro, mas governo precisa mostrar serviço

    Por Paula Arend Laier

    SÃO PAULO (Reuters) - Uma famosa citação do bilionário Warren Buffett, de que é muito melhor comprar uma empresa maravilhosa por um preço justo do que uma empresa justa por um preço maravilhoso, pode ajudar a explicar o comportamento de investidores estrangeiros em relação às ações brasileiras neste começo de ano.

    A bolsa brasileira começou 2019 com o Ibovespa renovando máximas históricas, mas o capital externo, que responde por quase metade das operações de compra e venda e será essencial para a continuidade do rali, ainda se mostra hesitante, aparentemente aguardando um quadro mais claro sobre o avanço de reformas no país, mesmo que isso tenha um preço.

    O presidente Jair Bolsonaro tomou posse em 1º de janeiro e sua equipe adotou um discurso liberal para a economia, prometendo principalmente medidas fiscais, o que agradou o mercado de forma geral, mas em particular fundos locais, que têm sido determinantes para o rali nos últimos dias.

    Índice de referência do mercado acionário do Brasil, o Ibovespa renovou seis vezes a máxima histórica desde o começo do ano, acumulando nas duas primeiras semanas alta de 6,7 por cento até a quinta-feira.

    As operações de investidores estrangeiros no segmento Bovespa, contudo, mostram saída líquida de 1,1 bilhão de reais no acumulado do ano até 9 de janeiro, mas sem uma tendência única durante os pregões, conforme dados da B3. Em 2018, o resultado ficou negativo no ano em 11,5 bilhões de reais.

    Números da EPFR Global por sua vez, que consideram também alocação em fundos de ações brasileiras no exterior, recibos de ações em bolsas externas e ETFs (fundo de índices negociado em bolsa), mostram saldo líquido positivo de 410 milhões de dólares no acumulado do ano.

    Neste ambiente, Daniel Gewehr, chefe de estratégia em renda variável para América Latina no Santander Brasil em São Paulo, está na expectativa de evento do banco no próximo mês em Cancún, no México, que prevê a participação de cerca de 300 investidores internacionais, para reexaminar o sentimento dos investidores sobre o Brasil.

    No final do ano passado, ele se encontrou com cerca de 50 gestores nos Estados Unidos, que demonstraram cautela com o Brasil, preferindo esperar algo de concreto no novo governo, principalmente em relação à reforma da Previdência.

    'Eles não esperam necessariamente a aprovação dessa reforma no curto prazo, mas um 'momentum' de execução positivo, que poderia vir com a aprovação da revisão do contrato de cessão onerosa, racionalização de ativos estatais ou até da proposta de independência do Banco Central, e que culminaria na aprovação da reforma da Previdência', disse Gewehr.

    Investidores veem a mudança no regime atual de Previdência do país como crucial para a melhora da situação fiscal brasileira, a fim de estabilizar o comportamento da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), que alcançava 77 por cento em novembro, o dado mais recente disponível.

    Uma melhora nessa quadro teria efeito de queda na curva longa de juros do país, que é vista como uma das principais métricas para o investimento em ações.

    Para Jorge Mariscal, diretor de investimentos em mercados emergentes da UBS Wealth Management, em Nova York, a bolsa brasileira foi um dos melhores do mercado no ano passado e muito otimismo foi precificado, então reduzir alguma exposição é algo prudente a se fazer.

    Ele, contudo, afirma esperar um retorno do fluxo de recursos para as ações brasileiras se a reforma da Previdência for aprovada. 'Há alguns obstáculos políticos para aprovar uma reforma previdenciária, mas a dinâmica positiva está aumentando', afirmou.

    Em meados de novembro, estrategistas do BTG Pactual estimaram uma entrada potencial de 251 bilhões de reais em ações brasileiras se as alocações dos fundos globais e daqueles voltados para mercados emergentes globais (GEM, na sigla em inglês) voltassem ao patamar de outubro de 2014.

    O gestor Pablo Riveroll, chefe de renda variável para América Latina na Schroders, em Londres, afirma que está 'overweight' em Brasil e que tem comprado Brasil nos últimos meses.

    'O Brasil é um dos mercados mais atraentes em relação ao restante dos mercados emergentes; tem uma recuperação doméstica cíclica que é relativamente independente do crescimento global e achamos que os preços (valuations) ainda são atraentes apesar do bom desempenho do mercado', afirmou.

    Das 66 ações que compõem o Ibovespa, cerca de nove apenas apresentam desempenho negativo no acumulado do ano até esta sexta-feira.

    Chris Dhanraj, chefe de estratégia de investimentos em iShares nos EUA da BlackRock, em Nova York, afirma que o crescimento acelerado e o excesso de capacidade produtiva do Brasil são uma combinação poderosa para a expansão dos lucros, com analistas estimando uma alta de 20 por cento em 2019.

    'Investidores também esperam mais retornos do Brasil se o presidente Bolsonaro puder implementar mais reformas econômicas, que incluem privatizações, previdência social, tributária e liberalização do comércio.

    Para o operador Alexandre Soares, da filial brasileira da norte-americana BGC Partners, apesar do fluxo via ETFs, os estrangeiros podem estar com uma postura um pouco 'São Tomé', de precisar ver para crer, e assim aumentar de forma relevante a exposição a ações brasileiras.

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    Amazon atinge US$1 tri em valor de mercado em ritmo para ultrapassar Apple

    (Reuters) - A Amazon nesta terça-feira se juntou à Apple ao se tornar a segunda empresa listada nos Estados Unidos a atingir 1 trilhão de dólares em valor de mercado, após o preço das ações mais que dobrar no ano, conforme a empresa cresce rapidamente no varejo e na computação em nuvem.

    Se os ganhos de participação da varejista online mantiverem o ritmo, seria uma questão de tempo para o valor de mercado da Amazon superar o da fabricante de iPhones, que chegou a 1 trilhão de dólares em 2 de agosto.

    A Apple levou quase 38 anos como uma empresa de capital aberto para atingir a marca de 1 trilhão de dólares, enquanto a Amazon atingiu esse patamar em 21 anos.

    Embora o iPhone e outros dispositivos da Apple continuem populares e suas receitas estejam crescendo, a fabricante não está acompanhando o crescimento explosivo das vendas da Amazon.

    A Amazon impressionou os investidores ao se diversificar para praticamente todos os segmentos da indústria de varejo, alterando a forma como consumidores compram produtos e colocando grande pressão em muitas lojas físicas.

    'Isso diz muito sobre a Amazon e seu domínio cada vez maior de segmentos do mundo varejista, bem como dos negócios de serviços em internet', disse Peter Tuz, presidente do Chase Investment Counsel. 'Ela tem uma pequena participação no mercado mundial de vendas no varejo, então ainda resta muito para capturar lá'.

    A Amazon também fornece serviços de transmissão de vídeo e comprou a rede de supermercados Whole Foods. Além disso, os negócios de computação em nuvem para empresas se tornaram o principal gerador de lucro para companhia.

    'A Amazon é um pouco mais dinâmica que a Apple porque o iPhone se tornou mais maduro. O negócio em nuvem da Amazon é um fator de crescimento extra que a Apple não possui', disse Daniel Morgan, gerente de portfólio da Synovus Trust.

    No segundo trimestre, a unidade respondeu por 55 por cento da receita operacional da Amazon e por 20 por cento da receita total, de acordo com Morgan.

    As ações da Apple começaram a ser negociadas em dezembro de 1980, mas não decolararam por mais de 25 anos, até a criação do iPhone.

    A Amazon cruzou a marca de 2 mil dólares por ação pela primeira vez em 30 de agosto, depois de dobrar seu preço em apenas 10 meses. As ações da empresa chegaram a 1 mil dólares pela primeira vez em 30 de maio de 2017.

    As ações da Amazon subiram 74,5 por cento no ano até o momento. Em comparação, a Apple subiu cerca de 35 por cento em 2018.

    Analistas esperam que a receita da Apple aumente 14,9 por cento em seu ano fiscal que termina em setembro, segundo dados da Thomson Reuters, um aumento robusto, mas ainda muito aquém do crescimento esperado de 32 por cento para receita da Amazon em 2018.

    (Reportagem de Sinéad Carew e Noel Randewich)

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