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Inflação no Brasil fecha 2025 abaixo do teto da meta em meio a expectativas por cortes de juros

Inflação no Brasil fecha 2025 abaixo do teto da meta em meio a expectativas por cortes de juros

Reuters

09/01/2026

Placeholder - loading - Torres de transmissão de energia 06/12/2014.  REUTERS/Paulo Whitaker
Torres de transmissão de energia 06/12/2014. REUTERS/Paulo Whitaker

Atualizada em  09/01/2026

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 9 Jan (Reuters) - A ⁠inflação no Brasil acelerou em dezembro, mas ainda encerrou 2025 abaixo do teto da meta, consolidando um processo de desinflação no país apesar da pressão de serviços e alimentando as expectativas para o início dos cortes dos juros.

Em dezembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,33%, contra 0,18% em novembro, marcando o menor resultado para um mês de dezembro desde 2018.

Com isso, a inflação fechou 2025 com alta de 4,26%, abaixo da taxa de 4,83% de 2024 e do teto da meta contínua -- 3,0% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Também foi o menor resultado desde 2018.

Os dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficaram ligeiramente abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters, de alta de 0,35% na comparação mensal e de 4,30% em 12 meses.

Com o sistema de meta contínua, o objetivo é considerado descumprido se a inflação ficar fora do intervalo de ​tolerância por seis meses consecutivos, levando o Banco Central a divulgar publicamente as razões do ⁠descumprimento.

Depois de atingir ⁠um pico de 5,53% em abril de 2025, a taxa em 12 meses do IPCA foi abaixo do teto da meta pela primeira vez no ano em novembro, em uma tendência de desaceleração que acontece em meio a uma política monetária bastante restritiva, com a taxa Selic em 15% para controlar a inflação.

O Banco Central volta a se reunir no final deste mês para decidir sobre a política monetária. No mercado, há uma expectativa majoritária de manutenção dos juros em janeiro, e os investidores estarão atentos a indicações sobre o início ‌de um ciclo de cortes.

'Considerando a cautela do Copom na condução da política monetária e comunicação mais dura, vemos esse resultado (de dezembro) como ​suficiente para eliminar a chance de corte na reunião de janeiro', disse André Valério, economista ‌sênior do Inter. 'Entretanto, ainda esperamos o ​corte no ​primeiro trimestre, na reunião de março.'

A autoridade monetária já afirmou que a manutenção do nível atual por período bastante prolongado é a estratégia adequada para levar a inflação ao objetivo. A pesquisa Focus mostra que a expectativa mediana de analistas é de uma primeira redução apenas em março.

Para Kimberley Sperrfechter, economista de mercados emergentes da ​Capital Economics, os dados do IPCA “deixam a porta apenas entreaberta para um corte na taxa de juros” ainda este mês.

“Mas, seja o primeiro corte do ciclo neste mês ou em março, as taxas provavelmente cairão mais do que o esperado”, acrescentou ela em nota a clientes.

SERVIÇOS E ENERGIA

A redução da inflação acumulada no ano passado se deu apesar da pressão dos preços de serviços, em um ano marcado pela resiliência do mercado de trabalho e pela renda elevada, ponto de atenção do BC. Esse setor acumulou em 2025 alta de 6,01%, uma forte aceleração ante os 4,78% de 2024, com o transporte por aplicativo disparando 56,08% e a passagem aérea deixando para trás uma deflação para avançar no ano 7,85%.

“Os serviços mostram uma influência da demanda maior e por isso ficaram acima do IPCA no encerramento do ano', disse Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa.

O resultado de 2025 foi marcado ainda pela pressão dos preços da energia elétrica residencial, que exerceram o maior impacto individual sobre a inflação no ano, acumulando alta de 12,31%.

Isso influenciou o grupo Habitação, cuja alta de preços acelerou para 6,79%, de 3,06% em 2024, apesar de em dezembro ter marcado uma deflação de 0,33%.

'A energia foi a vilã de 2025 por conta de reajustes ⁠nas tarifas e bandeiras tarifárias', explicou Gonçalves.

Entre as maiores variações no ano passado, destacaram-se ainda Educação (6,22%), Despesas pessoais (5,87%) e Saúde e cuidados pessoais (5,59%). Segundo o IBGE, os quatro ‌grupos juntos responderam por cerca de 64% do resultado de 2025 ⁠do IPCA.

Por outro lado, Alimentação e bebidas, grupo de maior peso no índice, teve alta de 2,95% em 2025, após avanço de 0,27% em dezembro, abaixo da taxa de 7,69% do ano anterior.

Esse resultado se deveu principalmente à alimentação no domicílio, cujo aumento de preços passou de 8,23% para 1,43%. O ‍arroz registrou queda de 26,56% em 2025, enquanto o leite longa-vida caiu 12,87%.

O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, teve em dezembro alta para 60%, de 56% em novembro.

A última ​pesquisa ‌Focus do BC mostra que a projeção para o IPCA era de alta de 4,31% em 2025, indo a 4,06% este ano e a 3,80% em 2027.

Reuters

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