Capa do Álbum: Antena 1
A Rádio Online mais ouvida do Brasil
Antena 1

Irã orienta houthis a fechar rota no Mar Vermelho caso EUA ataquem rede elétrica, dizem fontes

Irã orienta houthis a fechar rota no Mar Vermelho caso EUA ataquem rede elétrica, dizem fontes

Reuters

16/07/2026

Placeholder - loading - Imagem de satélite mostra Estreito de Bab el-Mandeb, importante rota marítima e porta de entrada para o Mar Vermelho 12 de julho de 2026 Nasa Worldview/Divulgação via REUTERS
Imagem de satélite mostra Estreito de Bab el-Mandeb, importante rota marítima e porta de entrada para o Mar Vermelho 12 de julho de 2026 Nasa Worldview/Divulgação via REUTERS

Por Parisa Hafezi e Samia Nakhoul e Jonathan Saul

DUBAI, 16 Jul (Reuters) - O Irã pediu ​ao movimento houthi do Iêmen que esteja pronto para fechar a rota de petróleo do Mar Vermelho caso os Estados Unidos ataquem a infraestrutura energética iraniana, informaram três fontes à Reuters nesta quinta-feira, o que representa uma nova e grave ameaça ao abastecimento energético global.

A ideia foi discutida entre a liderança da República Islâmica, e a mensagem foi transmitida aos aliados houthis do Irã, afirmaram duas fontes iranianas de alto escalão e uma fonte regional a par do assunto. Elas falaram sob condição de anonimato.

As fontes afirmaram que os houthis foram informados recentemente sobre o pedido de Teerã, que não havia sido divulgado anteriormente.

Elas não deram mais detalhes sobre como o pedido foi transmitido, nem se isso ocorreu após a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de atacar a infraestrutura energética iraniana na terça-feira.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã e um porta-voz do grupo houthi não estavam disponíveis imediatamente para responder ao pedido da Reuters.

DRONES PERTO DE BAB EL-MANDEB

Uma fonte próxima aos houthis disse que o grupo havia concluído os preparativos para atacar a navegação, posicionando mísseis ⁠e drones perto do estreito de ⁠Bab el-Mandeb -- porta de entrada para o Mar Vermelho --, nas terras ​altas do Iêmen ‌com vista para Hodeidah e o Golfo de Áden. O grupo aguardava a ordem para iniciar a operação.

Qualquer ameaça ao Mar Vermelho e à sua porta de entrada, Bab el-Mandeb, corre o risco de agravar a crise energética global desencadeada pelo fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã.

Com o Estreito de Ormuz já fechado, quaisquer ataques houthis a navios ou portos no Mar Vermelho deixariam as duas principais rotas de exportação de petróleo do Oriente Médio interrompidas simultaneamente, abrindo uma nova ⁠frente tanto na crise energética quanto no conflito mais amplo do Irã com os Estados Unidos.

Representantes da Guarda Revolucionária Islâmica do ​Irã, que já se encontram no Iêmen, controlarão a decisão sobre quando fechar o estreito de Bab el-Mandeb, afirmou a fonte próxima aos houthis.

Em um sinal da ​escalada das tensões na região, os houthis dispararam mísseis contra a Arábia Saudita após acusarem o reino ‌de bombardear um aeroporto sob seu controle ​na segunda-feira, ⁠rompendo uma trégua de quatro anos entre o país e o grupo.

Torbjorn Solvedt, principal analista do Oriente Médio da empresa de inteligência de risco Verisk Maplecroft, disse que o recrudescimento do conflito entre os houthis e a Arábia Saudita ocorreu em um momento inoportuno.

“Se os combates se intensificarem e se espalharem para a infraestrutura de exportação e o transporte marítimo do Mar ​Vermelho, isso ameaçará a única rota alternativa importante para as exportações de petróleo da região”, disse.

Duas fontes regionais próximas a Riade afirmaram que a Arábia Saudita estava levando muito a sério as ameaças do Irã e dos houthis, acrescentando que estava ciente de que o grupo iemenita agora estava coordenando-se estreitamente com o Irã em relação ao Mar Vermelho.

O conflito na região começou em 28 de fevereiro, quando Israel e os Estados Unidos atacaram o Irã, levando Teerã a fechar o Estreito de Ormuz, que antes da guerra era ​a principal rota para cerca de um quinto do abastecimento energético global.

As tensões aumentaram desde que uma frágil trégua firmada em junho entre Teerã e Washington ruiu, reavivando os temores de uma guerra em grande escala e interrompendo o fluxo de energia pelo estreito.

FECHAR MAR VERMELHO NÃO SERIA DIFÍCIL, DIZ FONTE

Desde então, uma quantidade significativa de petróleo do Golfo foi desviada para o Mar Vermelho por meio de um oleoduto saudita, e a via navegável agora transporta cerca de 7% do abastecimento global de energia.

Quando os houthis atacaram navios durante a guerra de Gaza, as principais empresas de navegação desviaram suas cargas para a rota muito mais longa e cara ao redor da África.

Como a própria Arábia Saudita desviou 70% de suas exportações de energia por meio do porto de Yanbu, no Mar Vermelho, quaisquer ataques diretos à região também representariam um grande problema para os mercados ​de petróleo.

Uma das fontes regionais afirmou que os governantes clericais do Irã estavam buscando pressionar os Estados Unidos ao aumentar o custo potencial para a economia global, ameaçando a navegação no Mar ‌Vermelho e o fluxo das exportações de petróleo sauditas por essa via ⁠navegável, no que a fonte descreveu como parte do “pensamento iraniano”.

Fechar o estreito não seria difícil, disse a fonte, acrescentando: “Qualquer pessoa com um rifle pode interromper a navegação. Não é preciso ter mísseis sofisticados para interromper a navegação.”

O Irã vê os houthis como parte de seu “Eixo da Resistência” regional, uma aliança que também inclui o Hezbollah do Líbano ⁠e grupos armados xiitas iraquianos que já se juntaram ao conflito regional entre Teerã e Washington.

Mas os rebeldes houthis ⁠ainda não entraram formalmente na disputa.

Os Estados Unidos afirmam que o Irã forneceu aos ⁠houthis armas, financiamento e treinamento, incluindo ⁠apoio ​canalizado por meio do Hezbollah. Teerã negou a acusação.

(Reportagem de Parisa Hafezi em Dubai, Samia Nakhoul em Beirute, Mohammed Ghobari em Aden e Jonathan Saul em Londres; texto de Parisa Hafezi)

Reuters

Compartilhar matéria

Mais lidas da semana

 

Carregando, aguarde...

Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência.